O mês de março de 2010 ficará na história da televisão brasileira. Foi neste mês que a tão sonhada e debatida interatividade ganhou mercado, com o lançamento oficial dos primeiros produtos com Ginga. Quem mora na cidade de São Paulo já pode interagir com aplicações transmitidas gratuitamente pelo ar por emissoras como Globo, Record, SBT, Gazeta. As emissoras, por sinal, estão testando tipos e modelos de interatividade há mais de dois anos. Além disso, o mês representa um marco na consolidação do processo de internacionalização, com novas negociações sendo concluídas e testes avançados para o lançamento da transmissão digital em países como Argentina, Peru e Chile.
O lançamento comercial da interatividade só foi possível graças a aprovação das normas Ginga-J, que definiram dois perfis para a interatividade. Significa que cada fabricante define o tipo de implementação que acompanha seu produto. As aplicações podem consultar qual perfil está presente no receptor e executar os recursos em função do que estiver disponível. “O Perfil A é uma solução mais simples, com lançamento mais rápido, pois não exige muito do hardware. O Perfil B agrega algumas funcionalidades, como a decodificação de dois fluxos, mas também não apresenta novidades significativas em relação aos middlewares europeu, americano e japonês, lançados 10 anos atrás”, explica o professor Guido Lemos, da Universidade Federal da Paraíba e um dos representantes da Academia no Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital – SBTVD.
Leia o texto na íntegra na edição de No 100 da Revista Produção Profissional.
A moda agora definitivamente é 3D. Jogos, filmes, televisão. Essa foi a mensagem passada pelos palestrantes do evento A TV do Futuro, organizado pelo colunista do Estadão Ethevaldo Siqueira, que aconteceu ontem no Centro Britânico Brasileiro. Com palestras abordando desde o funcionamento da tecnologia de telas até modelos de conteúdo estereoscópico, a aposta no 3D permeou todos os debates, beirando a ficção científica em alguns casos (na USP já se estuda a evolução da TV 3D: a TV holográfica!).
Do ponto de vista da indústria, unanimidade. Tanto Philips, quanto LG, apostam pesado na disseminação do 3D. Walter Duran, diretor da Philips, disse ter certeza de que em cinco anos o mercado de TVs tridimensionais será inevitável e predominante. Já Fernanda Summa, da LG, aposta em 2010 como o ano da virada. Segundo ela, neste ano deverão ser vendidos no mundo 2,8 milhões de TVs prontos para 3D; para 2014 a aposta é de 80 milhões. Ainda neste ano a LG pretende lançar cinco modelos 3D ready, acompanhando o lançamento mundial de produtos.
Do ponto de vista dos produtos, a Discovery pretende, em parceria com a Sony e Imax, lançar um canal 24 horas 3D nos EUA em 2011. A Copa da África do Sul terá 25 jogos transmitidos em 3D pela ESPN para o mercado americano. Além disso, Coréia do Sul também terá canais transmitindo os jogos com essa tecnologia.
Apesar desse otimismo, dois problemas foram recorrentes nos debates: o custo de produção e a imaturidade da tecnologia. Fernando Medin, da Discovery, afirmou que o custo de produção 3D é 30 a 40% superior ao HD. Já José Dias, da TV Globo, foi mais longe. Explicou que hoje a emissoras gera pouco conteúdo em HD devido aos custos de produção. Isso não deve mudar nos próximos meses, onde continuaremos a ver muito conteúdo 4X3 na TV digital. Sobre o 3D, Dias acrescentou ainda a necessidade de produção diferenciada, com escala, sustentabilidade e fluxo constante de produção. “Isso é um problema para alta definição e será um problema para conteúdos 3D”, argumentou.
Além disso, Dias explicou que pelas experiências internacionais, principalmente de Hollywood, está sendo descartado a captação normal e a transformação em 3D apenas na pós produção, como aconteceu com o filme Alice, atualmente nas salas de cinema brasileiras. Com isso, são necessários equipamentos de produção mais sofisticados, ainda inexistentes para produção em larga escala. O mesmo vale para equipamentos de sincronismo das duas imagens e de pós-produção, todos ainda limitados na visão de Dias. A Globo foi pioneira em fazer testes no Brasil, mas não tem planos para lançar um canal ou mesmo parte de uma programação em 3D.
Já do ponto de vista tecnológico, a experiência de ver TV 3D é interessante em curtos espaços de tempo. A audiência por mais de duas horas é cansativa, pois exige mais atenção do que usualmente é dedicada ao ato de ver TV. Atualmente apenas a tecnologia ativa, que envia as informações estereoscópicas para os óculos por infravermelho, é viável. A polarização da luz na tela da TV ainda é instável e cara. Tecnologias 3D sem óculos estão totalmente descartadas para o futuro próximo, exceto para demonstrações de alguns segundos em pontos de venda. Ainda não existe tecnologia que faça 3D sem óculos e que possa ser assistido por mais de cinco minutos sem causar desconforto.
E para variar um pouco, já começou a guerra pela padronização tecnológica. Como ainda não há padrão para transmissão 3D no mundo, várias tecnologias são vislumbradas. No evento, José Dias, da TV Globo, defendeu ferrenhamente a tecnologia européia Side by Side, utilizada nos testes da NET, que exige a transmissão de dois fluxos de vídeo para gerar a estereoscopia. Ou seja, para transmitir vídeo 3D HD, é necessário o dobro da banda, hoje em 14 Mbps em média na TV aberta. Essa taxa de transmissão torna o 3D em HD inviável. A saída é codificar os dois fluxos, baixando muito a qualidade de ambos. No 3D isso não compromete a qualidade, mas no caso do receptor não ter 3D e telespectador obtar por ver apenas um fluxo, o direito ou o esquerdo, a imagem fica comprometida.
Por outro lado, Marcelo Zuffo, do LSI, explicou que a USP faz testes há mais de um ano com a tecnologia intra-frame, que não transmite dois fluxos. As informações 3D são transmitidas adicionalmente, sem repetir informações desnecessárias. Assim, o acréscimo da banda fica perto de 30%, o que permite colocar 3D no ar hoje, na TV digital brasileira. Dessa forma, o 3D pode ser tratado como recurso adicional e opcional, como uma tecla SAP do controle remoto. Vários testes dessa tecnologia já foram feitos com a TV Cultura.
E quando poderemos sair do sonho e ver 3D de fato? Para Walter Duran, em casa não tão cedo. Ele explicou que hoje quem quiser ver 3D deve ir ao cinema. Nos próximos anos serão lançados produtos blu ray que levam o 3D para a casa das pessoas. Paralelo a isso, na TV a cabo os canais 3D deverão ser lançados aos poucos. No Brasil nenhuma operadora tem previsão de lançamento de um canal 24 horas 3D. Lembrando que apesar da febre da alta definição, há menos de 20 canais HD no ar no país (desconsiderando os abertos, que mesclam as programações com SD). Resumindo, o discurso do 3D é bonito, com imagens maravilhosas, mas não será tão cedo que ele sairá de fato das salas de cinema.
Fonte: Luciano Trigo, G1.
Newton Cannito analisa em livro o impacto da convergência digital na TV
Quais são os desafios da televisão na era digital? Qual será o impacto da Internet sobre o hábito de se ver TV? Qual é o futuro da narrativa televisiva? Que desdobramentos terá a interatividade? Quais serão as consequências da convergência tecnológica, e que novos modelos de negócios surgirão? Newton Cannito responde questões como essas – e desfaz vários mitos sobre o futuro da TV – no livro A televisão na era digital (Summus, 264 pgs. R$ 63,90) . Cannito é um ativo roteirista e diretor de cinema e televisão – 9 Milímetros, Cidade dos Homens, Violência SA, Quanto vale ou é por quilo?, Alô alô Teresinha – além de diretor do IETV – Instituto de Estudos de Televisão e da Fábrica de Idéias Cinemáticas. É também autor de Manual do Roteiro e do livro de contos Novos monstros. O lançamento de A televisão na era digital no Rio de Janeiro acontece hoje, na Livraria da Travessa do Leblon, a partir das 19h.
- Vou começar repetindo uma pergunta que você mesmo faz no livro: qual seria a televisão ideal?
NEWTON CANNITO: É uma televisão inovadora e que trabalhe com o especifico televisivo. A televisão não é cinema, nem internet. Sempre que ela tenta copiar outra mídia, ela não realiza todos seus potenciais. A televisão está mais para o circo, do que para a literatura. E tal como o circo a televisão trabalha com a estética do espetáculo popular interativo. A televisão também pode ser o veiculo para difusão de bons folhetins (as atuais novelas e seriados) que vão além do circo.
- Você relativiza um pouco o impacto da internet e da convergência sobre o hábito de assistir televisão. Mas as novas gerações, que já crescem habituadas a ver audiovisuais no computador, com o poder de escolher o quê e quando assistir, não podem provocar efetivamente uma crise da televisão tal como a conhecemos hoje?
CANNITO: Não. Esse papo de “nova geração” é muitas vezes enganoso. Muitos dizem que a nova geração está acostumada aos jogos eletrônicos e por isso o futuro vai ser jogos. Mas uma observação mais atenta mostra que os jovens – desde a Idade da Pedra – sempre jogaram mais que os adultos. Eu mesmo jogava muito e hoje quase nunca jogo. Os jogos eletrônicos concorrem mais com os jogos do mundo físico do que com a televisão. Pois a televisão tem outra função. Agora você falou na pergunta algo que tem mais a ver. O poder de escolher o que vai assistir. Isso vai sem dúvida aumentar muito. É a televisão de “arquivo”, em contraposição ao “fluxo”. Ou seja, vou poder assistir minhas séries favoritas na hora que eu quiser. Isso vai mudar várias coisas, sempre para melhor. Pois dará poder maior ao público de escolha real. Mas isso nunca acabará com a televisão de fluxo. A maior parte da programação ainda é (e sempre será) de fluxo. São notícias, humorísticos (ligados à realidade do dia), show, serviços, games televisivos, coisas assim. Muitas coisas ao vivo ou simulando um ao vivo. Essa estética é fundamental e é diferente do arquivo. O público vai sempre querer ligar a televisão sem saber o que quer assistir. Seria muito chato ter que sempre saber o que quero assistir. E tiraria a novidade do mundo e da minha vida. Sempre haverá o momento que eu quero assistir a televisão para ver o “que está rolando”. Por isso, acho que o principal problema da televisão hoje é esse: tudo que rola é parecido. Eu tenho uns 80 canais, zapeio, zapeio e não vejo nada inusitado. Isso é o que temos que resolver.
- A quê você atribui o enorme sucesso do Big Brother no Brasil? Os reality shows tendem a se exaurir ou vieram para ficar?
CANNITO: Vieram para ficar. O sucesso é por vários motivos. Um deles é que é um formato especificamente televisivo e já pensado para ser transmidiático. Isso é característica de sucesso. Além disso, o Big Brother responde a demandas imaginárias do momento e dialoga com a estética da cultura digital. No livro mostro como ele é um simulacro do universo do “sucesso” no Brasil, como trabalha com temas da novela (amor e ascensão social), como é um “metamelodrama”, pois é um melodrama debatido etc..
- Como explica o sucesso de Lost e outros seriados?
CANNITO: Lost, especificamente, é outro caso analisado em meu livro de forma bastante ampla. Vou tentar resumir. Primeiro dado importante: ele é uma série pensada desde o inicio para ser transmidiatica. Ainda antes da televisão ser “digital”, Lost tem a principal característica do digital: atua em várias mídias de forma criativa. Não é que as outras mídias são complementos a televisão. As outras mídias são parte fundamental do universo. Lost criou um jogo de decodificação que tem pistas espalhadas por todas as mídias. Tem, inclusive, ações em mídias físicas (como intervenções ficcionais de personagens em feiras “reais” de fãs de séries). Isso tudo é fundamental. Tem gente que ainda pensa no transmídia apenas como uma forma de ter novas fontes de renda. É claro que pode ser isso também. Mas é muito mais. O transmídia é o que fideliza o espectador à série e garante o sucesso. A “impressão de real” hoje é dada – também – pela sensação de estar em todas as mídias. Isso ajuda a imersão do espectador dentro do enredo. Um único exemplo: o site da fundação ficcional citado na televisão já estava registrado há tempos e existia na internet. Quando um espectador googla o nome da fundação na internet ele encontra um site (ficcional) que “parece” um site real. Isso – para o fã – é uma prova de “realidade”. Por isso tudo, Lost conseguiu brincar de realidade com seu espectador e fez imenso sucesso.
‘A televisão é o espaço do genérico, das altas audiências, e a internet é o espaço ideal para o segmentado’
- Qual é, em linhas gerais a sua análise do fenômeno Youtube, e qual seu impacto sobre a televisão?
CANNITO: O YouTube revolucionou o conteúdo audiovisual, pois criou uma possibilidade de difusão de conteúdo amador gratuito e permitiu a criação de uma imensa videoteca. Ele foi muito mais bem sucedido que as Web TVs, pois entendeu a lógica da Web 2.0 que é: Todo poder ao usuário. Ao invés de ser um produtor, ele se “contentou” em ser uma plataforma para o usuário colocar seus próprios conteúdos, seja produção caseira, seja trechos que o usuário gravou da televisão ou cinema. Ou seja, o Youtube abriu mão de ser uma produtora para ser “apenas” um canal de distribuição. Mas conceitualmente o YouTube não concorre com a televisão. É outro tipo de conteúdo e outro tipo de uso. É uma economia de cauda longa, e a televisão nunca será cauda longa. É claro que, nesse momento especifico, os conteúdos audiovisuais na web tiraram algum público da televisão. Era uma demanda contida por acesso a conteúdos de difícil acesso. A televisão era hegemônica demais, queria ser tudo e atender sempre a todos. Isso nunca mais acontecerá. Mas os programas de televisão sempre terão mais audiência do que programas disponíveis no YouTube. Por um motivo simples: se fizer sucesso na internet vai acabar indo para a televisão. A televisão é o espaço do genérico (das altas audiências), a internet é o espaço ideal para o segmentado. E isso não é critério qualitativo. Ambas as coisas são importantes e vão conviver na Era Digital. O genérico é o que dá assunto comum ao grupo social, e isso será sempre importante.
- Experiências já estão sendo feitas com a televisão em 3D. Você acha que ela vai pegar?
CANNITO: Não. É claro que poderá ter momentos aonde vamos querer ver televisão em 3D. Mas é um investimento altíssimo para poucos momentos. É claro que se puder investir em tudo a gente investe em tudo. Mas investir em tudo é jogar dinheiro fora. É importante ter prioridades e eu não priorizaria isso. Há grandes chances de ser mais uma daquelas tecnologias que fracassam, pois interessam apenas ao público “novidadeiro” e nunca cheguem ao grande público. Ou que sejam muito caras. É claro que se baratear muito e muito ele pode ser uma tecnologia opcional. Mesmo assim será usada apenas nos momentos em que iremos assistir a programas que tem a ver com isso, um filme, um Jogo, etc… Pode ser que seja apenas para conteúdo Premium. No cotidiano da programação não tem sentido. Pois o 3D ajuda a imersão tipicamente cinematográfica. É uma tecnologia de imagem similar ao som dolby. No livro eu explico bem a diferença da imersão cinematográfica e a forma de recepção televisiva, que é mais interativa e menos imersiva.
- Quais são os impactos da pirataria sobre a TV digital, e como você acha que esse problema pode ser enfrentado?
CANNITO: A pirataria é imensamente nociva, obviamente. Ainda tem gente que pensa que é “revolucionário” pois puniria as “corporações”. Isso obviamente é um erro conceitual. Primeiro porque não podemos roubar de alguém apenas porque ele é grande. Podemos lutar para outros crescerem, mas não se luta roubando nada, se luta montando novas empresas que disputem com as corporações. Além disso, a pirataria prejudica também os autores, que são os indivíduos criativos, que deixam de ser renumerados. O problema pode ser enfrentado com ações punitivas, é claro. Mas também ações de dialogo e reformulação de modelos de negocio. Temos que entender o que move quem compra pirataria. Podemos pensar modelos que atenda eles de forma legalizada, barateando preços, diminuindo a janela e tudo mais. No caso da TV Digital e de conteúdos transmidiáticos é importante criar sistemas que calculem automaticamente a audiência em novas mídias, como internet e celular. E criar caminhos para que esse recurso vá para os autores.
- A base de assinantes da TV paga no Brasil ainda é relativamente pequena, e ao mesmo tempo o ritmo de crescimento da programação em alta definição é bem menor do que se esperava. O Blu Ray também está demorando a pegar. Como você analisa esses fenômenos?
CANNITO: Foram ótimos exemplos de erros de modelo que não podem se repetir. Primeiro é bom lembrar: nem toda tecnologia cola no público. Temos que escolher em qual investir. O caso da TV é um exemplos aonde as grandes empresas erraram em tentar manter o total controle. Ao invés de abrir para conteúdo local e nacional e permitir a surgimento de canais independentes, as corporações brasileiras tentaram manter o controle sobre todos os canais. Deu no que deu. ´Somos um dos países com mais baixo índice de assinantes de TV Paga. Muitas pessoas assinam e abandonam. Pois concluem que não “tem nada para ver”. Outras assinam apenas para assistir TV comercial. Só fica na TV paga mesmo quem é fã de series americanas. Agora surgiu alguns programas legais e inovadores na Canal Brasil. Mas é pouco. Outros canais são todos também da mesma empresa. Temos 80 canais, todos do mesmo dono. Isso não é diversidade e isso não conquista o público. Canais como o “Canal Brasil” deveriam existir vários e em diferentes linhas. E todos independentes e indo em caminhos diferentes. As empresas, inclusive as grandes empresas, tem que ser mais generosas e menos centralizadoras. Eu sei que o objetivo de uma empresa comercial é ganhar mais dinheiro. Não critico isso, acho importante o empreendedorismo privado. Mas quero um verdadeiro empreendedorismo. E o verdadeiro empreendorismo prima pela inovação.E a inovação é também a coragem de abrir espaço para novos talentos. Não é o acontece. É sempre a mesma turma. O erro da TV paga esta podendo se repetir agora na TV Digital. A insistência na alta definição pode ser um erro. E um erro que decorre da mesma vontade de centralização das grandes empresas. Historicamente sempre foi assim. Quando surgiu os cinemas novos com tecnologia que permitia a popularização (nos anos 60), o cinema americano quis impor um novo padrão de imagem: o cinemascope! A industria sempre tenta inventar uma tecnologia que os “pobres” não possam seguir. A alta definição é novamente essa tentativa. O custo aumenta muito (não só de câmera, mas também de cenário, maquiagem e outras coisas). Se o público exigir alta definição é uma forma das corporações manterem o controle e evitarem a difusão do poder entre muitos produtores. O problema é que isso não vai mais acontecer. Cada vez as tecnologias ficam mais disponíveis. Um software de ponta de efeitos especiais da industria americana está em poucos anos disponível para o público amador. Isso vai acelerar. Não tem mais como tentar centralizar a produção apenas na tecnologia. Na verdade o que as corporações vão ter que entender é que : não tem mais como centralizar totalmente a produção. Elas vão ter que perceber que vai ser necessário abrir para outros produtores e para a inovação. Resumindo: pode até ter alta definição. Mas para produtos que realmente exijam isso, como filmes, series, jogos de futebol.
- Estudos sérios sobre a televisão ainda são escassos no Brasil. Com que autores e teóricos você dialogou para escrever o livro?
CANNITO: O livro é resultado de pesquisas que faço desde a faculdade e desde a época que eu escrevia a Revista Sinopse, uma revista de audiovisual editada pelo CINUSP (cinema da USP). Em termos bibliográficos destaco livros ligados a cultura digital (Cultura da Convergência, de Jenkins) e a publicações internacionais de autores como François Jost. Alguns desses autores foi traduzido para a revista do IETV (www.ietv.org.br). Mas nem toda a reflexão veio de outros livros. É um livro feito “a quente”, sobre um tema muito debatido, mas com pouca bibliografia. Por isso usei muito de material retirado em entrevistas que fiz e/ou em seminários que organizei para o IETV.
A Fifa bateu o martelo sobre a transmissão em 3D da Copa da África. Depois de várias especulações, com anúncios da ESPN americana de transmissão 3D de todos os jogos, a Sony vai captar e disponibilizar 25 jogos. A primeira partida de Copa do Mundo da história a ser transmitida em 3-D será o jogo de abertura do Mundial, entre África do Sul e México no estádio Soccer City em Johannesburgo.
Os três jogos da seleção brasileira da primeira fase – contra Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal – serão transmitidos em 3-D. Ao todo, 15 jogos da primeira fase do torneio sul-africano serão disponibilizados nesse novo formato.
Alemanha, Holanda, Espanha, Argentina, Coreia do Sul e Nigéria aparecerão em 3-D duas vezes na primeira fase do Mundial. Ingleses, franceses e outras dez seleções terão a chance de atuar com a tecnologia apenas se passarem para a segunda fase.
No Brasil a Globo tem os direitos da transmissão 3D e já fechou com duas redes de cinema para transmitir os jogos. Especula-se que sejam entre 6 e 10 salas, apenas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O maior problema da transmissão ao vivo em 3D para salas de cinema é a recepção do sinal por satélite. Poucos multiplex possuem essa tecnologia, e no Brasil há poucas empresas oferecendo aluguel de downlink com capacidade para receber o fluxo 3D e decodificá-lo. Ainda não há definição sobre acesso do público, venda de ingressos ou preços.