Escutei de um fabricante de TV, do qual não vou falar o nome, a seguinte estratégia sobre TV digital: “lançamentos um receptor caro e fajuto para a classe A. Assim que ela estiver atendida, fomentamos a classe B. Quando esta estiver esgotada, iniciamos o processo de convencimento para a classe C, com preços bem mais baixos. Depois vamos para as classes D e E, mas aí já precisa lançar um produto bem melhor para a classe A”.

Luis Fernando Gomes Soares, durante palestra na Campus Party.

Coincidência ou não, na semana passada começaram a surgir explicações públicas sobre o andamento e as ameaças à interatividade no Brasil (uma matéria da Tela Viva e outra da Convergência Digital, ambas apontando problemas com os fabricantes de receptores). O setor de recepção, por sinal, está fazendo campanha constante contra a implementação da interatividade, com desculpas que mudam toda semana. Que ninguém espere posição diferente na próxima reunião do Forum… o buraco é bem mais embaixo.

Ressalte-se que nem todas as empresas se enquadram nessa posição. Uma gingante do setor anunciou o lançamento de produtos com Ginga e foi forçada a mudar de estratégia. Outros fabricantes pequenos tem modelos prontos para o mercado, inclusive com os três perfis (e não mais dois, como chegou a ser publicado) que estão sendo discutidos agora no Fórum.