Foi excelente a palestra da professora Cosette Castro, da UNESP e do IBICT, hoje, na Campus Party. Refletindo sobre as mudanças no mundo da comunicação, a professora foi enfática ao contextualizar historicamente as mudanças e apontar necessidades de atualizações no ensino para dar conta das novas tecnologias, ferramentas, linguagens e estéticas advindas com a convergência de tecnologias.

Seguem os principais pontos e argumentos da palestra:

• Estamos vivendo um processo único de mudanças, saindo de uma comunicação analógica para um digital e convergente. O pensamento acadêmico e as teorias precisam refletir isso.
• Nesse novo mundo, a construção do conhecimento é conjunta, integrada e universal. As barreiras caíram. Hoje estamos em todos os lugares sem sair de casa. Todos os recursos e conhecimentos podem ser visualizado virtualmente. (Essa parte da apresentação me lembrou o livro “O mundo é plano: Uma História Breve do Século XXI ”, onde o autor Thomas Friedman afirma que as distâncias desapareceram com as tecnologias da comunicação e da informação. É possível enxergar uma pessoa do outro lado do mundo na nossa frente, como se o mundo tivesse mudado de forma e ficado plano.)
• Hoje temos uma outra comunicação, baseada em tecnologias como livros eletrônicos, leitores de livros eletrônicos, imagens 3D, realidade virtual. As universidades e escolas de comunicação, em grande parte, ainda não refletem essas mudanças nos seus currículos. Pela primeira vez na história, o conhecimento extrapolou os muros da universidade. Hoje os jovens entendem mais de tecnologia do que os professores, e os cursos de comunicação precisam refletir isso. Não podemos mais ter professores com vergonha de não saber e que entram em conflito com o aluno quando este tem mais respostas. Temos que trazer a comunicação digital, suas tecnologias, plataformas, ferramentas e estéticas para dentro das grades curriculares.
• O principal reflexo dessas mudanças está no nosso comportamento. Ficamos mais públicos. Hoje a audiência quer ser vista e se esforça para ser ouvida.
• A noção de tempo também muda, com tudo acontecendo ao mesmo tempo. Hoje todos se comunicam, mas de forma diferente: as mensagens são mais curtas, mais simples e sem contexto ou referencial histórico. Isso está alterando as linguagens de comunicação de uma forma ainda incompreendida academicamente.
• Apesar dessas mudanças em curso, não podemos nos esquecer que temo muitos excluídos: sociais, que não tem acesso às tecnologias; gerações, que não conseguem entender as tecnologias; de gênero, onde as mulheres adultas cedem o espaço para maridos e filhos usarem a internet; professores e pesquisadores, antiquados que se recusam a buscar novos conhecimentos e tem medo de medo de mostrar que não dominam todos os conteúdos.

Em resumo, foi uma palestra contextualizadora para quem atua tanto na academia, preocupado com a formação profissional adequada, e no mercado, buscando entender a dinâmica da evolução e convergência tecnológicas. A crítica aos atuais educadores foi contundente, e acima de tudo, corajosa. Mostra uma evolução interessante no pensamento acadêmico, acostumado a discutir na área da comunicação temas irrelevantes e sem finalidade nenhuma (para não dizer, sexo do anjos).