Janeiro de 2010
Arquivo Mensal
Dom 31 Jan 2010
Publicado por Valdecir Becker sob
InformaçãoSem Comentários
Escutei de um fabricante de TV, do qual não vou falar o nome, a seguinte estratégia sobre TV digital: “lançamentos um receptor caro e fajuto para a classe A. Assim que ela estiver atendida, fomentamos a classe B. Quando esta estiver esgotada, iniciamos o processo de convencimento para a classe C, com preços bem mais baixos. Depois vamos para as classes D e E, mas aí já precisa lançar um produto bem melhor para a classe A”.
Luis Fernando Gomes Soares, durante palestra na Campus Party.
Coincidência ou não, na semana passada começaram a surgir explicações públicas sobre o andamento e as ameaças à interatividade no Brasil (uma matéria da Tela Viva e outra da Convergência Digital, ambas apontando problemas com os fabricantes de receptores). O setor de recepção, por sinal, está fazendo campanha constante contra a implementação da interatividade, com desculpas que mudam toda semana. Que ninguém espere posição diferente na próxima reunião do Forum… o buraco é bem mais embaixo.
Ressalte-se que nem todas as empresas se enquadram nessa posição. Uma gingante do setor anunciou o lançamento de produtos com Ginga e foi forçada a mudar de estratégia. Outros fabricantes pequenos tem modelos prontos para o mercado, inclusive com os três perfis (e não mais dois, como chegou a ser publicado) que estão sendo discutidos agora no Fórum.
Qua 27 Jan 2010
Publicado por Valdecir Becker sob
Informação[2] Comentários
Foi excelente a palestra da professora Cosette Castro, da UNESP e do IBICT, hoje, na Campus Party. Refletindo sobre as mudanças no mundo da comunicação, a professora foi enfática ao contextualizar historicamente as mudanças e apontar necessidades de atualizações no ensino para dar conta das novas tecnologias, ferramentas, linguagens e estéticas advindas com a convergência de tecnologias.
Seguem os principais pontos e argumentos da palestra:
• Estamos vivendo um processo único de mudanças, saindo de uma comunicação analógica para um digital e convergente. O pensamento acadêmico e as teorias precisam refletir isso.
• Nesse novo mundo, a construção do conhecimento é conjunta, integrada e universal. As barreiras caíram. Hoje estamos em todos os lugares sem sair de casa. Todos os recursos e conhecimentos podem ser visualizado virtualmente. (Essa parte da apresentação me lembrou o livro “O mundo é plano: Uma História Breve do Século XXI ”, onde o autor Thomas Friedman afirma que as distâncias desapareceram com as tecnologias da comunicação e da informação. É possível enxergar uma pessoa do outro lado do mundo na nossa frente, como se o mundo tivesse mudado de forma e ficado plano.)
• Hoje temos uma outra comunicação, baseada em tecnologias como livros eletrônicos, leitores de livros eletrônicos, imagens 3D, realidade virtual. As universidades e escolas de comunicação, em grande parte, ainda não refletem essas mudanças nos seus currículos. Pela primeira vez na história, o conhecimento extrapolou os muros da universidade. Hoje os jovens entendem mais de tecnologia do que os professores, e os cursos de comunicação precisam refletir isso. Não podemos mais ter professores com vergonha de não saber e que entram em conflito com o aluno quando este tem mais respostas. Temos que trazer a comunicação digital, suas tecnologias, plataformas, ferramentas e estéticas para dentro das grades curriculares.
• O principal reflexo dessas mudanças está no nosso comportamento. Ficamos mais públicos. Hoje a audiência quer ser vista e se esforça para ser ouvida.
• A noção de tempo também muda, com tudo acontecendo ao mesmo tempo. Hoje todos se comunicam, mas de forma diferente: as mensagens são mais curtas, mais simples e sem contexto ou referencial histórico. Isso está alterando as linguagens de comunicação de uma forma ainda incompreendida academicamente.
• Apesar dessas mudanças em curso, não podemos nos esquecer que temo muitos excluídos: sociais, que não tem acesso às tecnologias; gerações, que não conseguem entender as tecnologias; de gênero, onde as mulheres adultas cedem o espaço para maridos e filhos usarem a internet; professores e pesquisadores, antiquados que se recusam a buscar novos conhecimentos e tem medo de medo de mostrar que não dominam todos os conteúdos.
Em resumo, foi uma palestra contextualizadora para quem atua tanto na academia, preocupado com a formação profissional adequada, e no mercado, buscando entender a dinâmica da evolução e convergência tecnológicas. A crítica aos atuais educadores foi contundente, e acima de tudo, corajosa. Mostra uma evolução interessante no pensamento acadêmico, acostumado a discutir na área da comunicação temas irrelevantes e sem finalidade nenhuma (para não dizer, sexo do anjos).
Ter 26 Jan 2010
Publicado por Valdecir Becker sob
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Participei de uma mesa interessante hoje de manhã, na Campus Party. Falei sobre inovação na TV digital sob a ótima do telespectador. Marcelo Zuffo falou sobre as experiências com TV 3D, realidade virtual e Ultra High Definition, projetos desenvolvidos na USP e avaliou a implantação da TV digital no Brasil. Para fechar, Marco Antonio Pellegrini, da Secretaria de Estado dos direitos da Pessoa com Deficiência do Governo do Estado de São Paulo, discorreu sobre as necessidades de acessibilidade nas mídias digitais e sobre um projeto recentemente assinado com a USP para o desenvolvimento de um set top box acessível.
Chamou particular atenção o argumento do professor Marcelo Zuffo, avaliando as aplicações interativas que estão no ar em São Paulo: “Essa primeira geração de interatividade demonstra uma grande crise de comunicação que as emissoras de TV estão enfrentando com o público”. A primeira vista, esse raciocínio parece paradoxal, uma vez que a essência da TV é comunicar.
No entanto, se repararmos nas recentes iniciativas de uso de redes sociais e novas ferramentas de comunicação na programação das emissoras, essa crise fica patente. Até pouco tempo, as TVs ditavam tendências e faziam a moda. Hoje, com a convergência tecnológica, as emissoras de TV estão longe do desenvolvimento das novas tecnologias e dos novos serviços de comunicação. Em vez de ditar as tendências, estão correndo contra o tempo perdido, buscando entender comportamentos e anseios da população mais jovem, que simplesmente troca a TV pela internet.
Vale a pena reparar na matéria da Folha de São Paulo de hoje, coluna Outro Canal:
41% dos teens veem TV fora do televisor
O “boom” de celulares, iPods e sites como o YouTube entre crianças e adolescentes impulsiona uma mudança no modo como esse público vê TV: eles consomem mais conteúdo produzido para a televisão, mas ficam menos diante do televisor.
Apesar de o conteúdo de televisão ser o mais consumido dentre as opções de entretenimento (são 4h29 diários, 38 minutos a mais do que em 1999), pela primeira vez na década o tempo diante do televisor caiu: são 25 minutos a menos em dez anos (3h04 em 2009 contra 2h39 em 1999).
Um dos motivos é o fato de os aparelhos portáteis gerarem mais oportunidades para que eles usem diferentes mídias: 20% do consumo total (2h07) acontece em celulares, iPods e vídeo games portáteis.
Os dados são de pesquisa feita pela Kaiser Family Foundation em colaboração com a Universidade Stanford, com 2.000 americanos entre 8 e 18 anos. Segundo o estudo, 59% deles assistem aos programas de TV do jeito “clássico”, ou seja, no televisor no horário em que são transmitidos, e 41% usam também outros aparelhos para ver o conteúdo televisivo.
E, mesmo quando estão diante do televisor, cerca de 47% conversam pela internet e por torpedos de celular sobre a programação ou pesquisam na internet algo relacionado a ela. Crianças e adolescentes passam 7h38 por dia consumindo conteúdo de entretenimento, como música, computador, leitura, video game, DVD e televisão. Mas, como costumam consumir mais de um conteúdo ao mesmo tempo (como ver TV e ouvir música simultaneamente), são expostos a 10h45 de produtos de entretenimento por dia.
Os dados podem adiantar uma tendência de mudanças também no Brasil. “A infância é a faixa que mais consome internet no Brasil, mas é preciso ter em mente que há uma relação direta com o custo dos serviços”, diz Fábio Senne, coordenador de relações acadêmicas da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância).
O resultado reforça a necessidade de se medir audiência por conteúdos e não por TVs.
Resumindo: o mundo está em pleno processo de mudança, mas os executivos das emissoras ainda não conseguiram vislumbrar caminhos que encaixem as TVs nesse novo cenário.
Seg 25 Jan 2010
Publicado por Valdecir Becker sob
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Fazia tempo que eu não assistia a programação da TV aberta brasileira. Por vários motivos, que englobam desde falta de tempo a critérios qualitativos de programação. Aproveitando o ócio da última semana, entre um livro e outro sobre audiência e o futuro da televisão, fiquei várias horas zapeando entre as grades das TV abertas. Um desapontamento atrás do outro.
Primeiro, as séries americanas que estão fazendo sucessos no SBT e Record estão muito atrasadas. Enquanto a TV fechada busca ganhar terreno contra a pirataria e download ilegais das séries, diminuindo as janelas de exibição para apenas uma semana em alguns casos, a TV aberta não tem vergonha de reprisar series três ou quatro anos depois de terem ido ao ar na TV fechada. É muito tempo, mesmo considerando a dinâmica do mercado televisivo, que deixa a TV aberta em último lugar na janela de exibição.
Outra coisa que chamou muito a atenção foi a mudança de foco da TV Record. Antes copiando a Globo, a emissora agora copia o SBT, que está ganhando terreno e ameaçando o segundo lugar no Ibope do canal do Edir Macedo. Ano passado o foco da Record era a telenovela, com produções muito interessantes que beiravam os 20 pontos no Ibope. Essas novelas desapareceram, cedendo lugar para reprises de séries americanas no horário nobre. Essa tática deu certo no SBT, que está em segundo lugar no Ibope do horário nobre capitaneado por Supernatural. Hoje estreia Gossip Girl. Reação da Record? Ao invés de apostar em produções de qualidade e adequadas ao público nacional, estreia no mesmo horário CSI. Todas as séries são excelentes, com ótimas audiências nos EUA. CSI luta pelas maiores audiências com House, Two and a Half Man e outras. Mas colocar essas séries em horário nobre no Brasil me parece ser um tiro no pé a médio e longo prazos. A tendência é do número de TVs desligadas aumentar…
Aumentar porque nem a TV Globo está conseguindo manter a hegemonia da audiência. Com quedas constantes no Ibope, o famoso padrão Globo de qualidade aparentemente foi aposentado. A única coisa que sobrou do guia desenvolvido na década de 1970 e que serviu de modelo para as demais emissoras foi a grade engessada, com sequências imutáveis na programação. Só isso, porque os horários e as identidades visuais deram lugar ao desespero pela busca de uma audiência que não aceita mais a programação antiquada oferecida. Alguém ainda sabe que horas começa o Jornal Nacional? O BBB? Ou o Jornal da Globo? O que era comum no SBT, que há tempos não mantem grade, está acontecendo na Globo, que diminui ou estica a programação com critérios incompreensíveis para os telespectadores.
Já a identidade visual desapareceu completamente de algumas atrações. Deu até pena ver o Fantástico de ontem: a cada quadro diferente, outra tipologia, outros formatos de vinheta e outro estilo de apresentação. Há pelo menos quatro programas diferentes dentro do Fantástico. Não há mais uma identidade de revista eletrônica, que encadeia toda programação. Não é por nada que bate consecutivos recordes negativos de audiência.
Resumindo, não é difícil explicar a queda da audiência da TV aberta. Se somarmos os problemas acima a uma maior oferta de tecnologias de entretenimento fora da TV, podemos ter algumas ideias que justifiquem a apreensão presente em todo mercado audiovisual. A TV está perdendo a majestade, mas para a publicidade um novo reinado ainda está longe. Enquanto isso, as novas tecnologias de comunicação agradecem e ganham espaço.
Qui 21 Jan 2010
Publicado por Valdecir Becker sob
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Acabei de ler o livro Media Audiences: Television, Meaning, and Emotion, de Kristyn Gorton
Kristyn Gorton (U$ 27,50 na Amazon. Ainda não disponível no Brasil). É a primeira obra que mostra como são geradas as emoções nos programas televisivos e como elas impactam na audiência, resultando em engajamento dos telespectadores nos programas.

Gorton apresenta um estudo original sobre a área específica da pesquisa da audiência e, mais genericamente, sobre os estudos de televisão. Trazendo conceitos da psicologia e psicanálise, a autora discute a construção de marcas na programação, emoção no texto da TV, modelos de recepção da audiência, cultura dos fanclubes, qualidade e estética da programação, reality shows e a relação do individual com o coletivo entre os telespectadores. Tudo sob a ótica da emoção e do afeto oriundos da programação televisiva.
Apesar de ser de uma leitura um pouco difícil, densa do ponto de vista teórico, é um obra recomendada para todos que convivem ou pensam a televisão como produto de entretenimento ou informação. Para quem se interessa sobre as novas teorias da audiência e quais os caminhos que ela está tomando na convergência das tecnologias, Media Audiences é um leitura obrigatória.
Sex 15 Jan 2010
Publicado por Valdecir Becker sob
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Artigo originalmente publicado no Portal Imasters.
Como já visto em textos anteriores, nem sempre é possível antecipar a ação do usuário diante da aplicação. Podem acontecer casos em que os usuários sigam caminhos diferentes ou mesmo executem aplicações diferentes durante um mesmo programa de TV. Neste caso, pode ser necessário saber em que estágio está a aplicação em execução e quais as ações feitas pelo telespectador. Isso é feito com uso de variáveis, que podem ser armazenadas para uso posterior, incluindo testes de estado da aplicação. Também é possível fazer jogos bem sofisticados com esse recurso.
A linguagem NCL, apesar de ser declarativa, chega a níveis de sofisticação e complexidade relativamente altos. O uso de variáveis permite o desenvolvimento de aplicações bastante complexas, com identificação do perfil do usuário, seu local, tipo de dispositivo, e adaptação do conteúdo a essas características. Durante uma programação de TV qualquer, é possível adaptar o conteúdo ao perfil do telespectador, usando apenas programação na linguagem NCL.
Para tanto, vamos usar o elemento nó de mídia x-ginga-settings, regras que definem a apresentação e switches com alternativas para a apresentação. Todos trabalham de forma integrada, sendo usados pelos links através de conectores. A apresentação da aplicação pode ser feita de duas formas: usando um contexto chamado switch ou testando as variáveis a cada uso. Neste exemplo vamos mostrar como usar o switch. Para tanto, vamos dividir o texto em duas partes: hoje apresentaremos os conceitos mais importantes, e no próximo texto discutiremos um exemplo de um comercial que se adapta ao perfil do usuário: homem ou mulher. O teste de variáveis fica para um segundo momento.
Elemento x-ginga-settings
Trata-se de um tipo de nó de mídia utilizado para agrupar variáveis definidas pelo autor do documento ou reservadas pelo sistema. Em ambos os casos, as variáveis podem ser utilizadas nas regras ou testadas. No exemplo abaixo, a primeira variável é de sistema, e define a linguagem configurada. A segunda é definida pelo autor do documento, visando, neste caso, estabelecer uma regra para testar o perfil do usuário.
<media id=”nodeSettings” type=”application/x-ginga-settings”>
<property name=”system.language”/>
<property name=”sexo”/>
</media>
Os valores não reservados são atribuídos através de links usando conectores.
Regras
As regras são definidas dentro do cabeçalho, em uma seção <ruleBase>, tal qual as regiões, descritores e conectores. Cada regra deve possuir um identificador único, uma referência a uma propriedade do objeto settings, um operador de comparação e um valor. Segue um exemplo:
<ruleBase>
<rule comparator=”eq” id=”r1″ value=”mulher” var=”sexo”/>
<rule comparator=”eq” id=”r2″ value=”homem” var=”sexo”/>
</ruleBase>
Os comparadores podem ser:
eq - igual a (equal to)
ne - diferente de (not equal to)
gt - maior que (greater than)
lt - menor que (less than)
gte - maior ou igual a (greater than or equal to)
lte - menor ou igual a (less than or equal to)
No exemplo acima, caso a variável “sexo” seja “homem”, a regra “r2” era verdadeira, executando a mídia correspondente no switch, descrito abaixo.
Além das comparações, é possível combinar regras para atingir um objetivo mais preciso, usando <compositeRule>. Por exemplo, checar o idioma da legenda e a língua da dublagem em que o telespectador está assistindo um determinado filme. Isso pode ser útil para direcionar comerciais, que podem usar o mesmo idioma e a mesma dublagem do filme.
Switch
Trata-se de uma composição contendo nós alternativos, que serão executados de acordo com as regras. Um switch pode conter qualquer tipo de nó: de mídia, de contexto ou mesmo outros switches. Assim, é preciso definir todas as possibilidade de execução dos nós, e relacionar cada uma com uma regra. Se a regra for verdadeira, executa o nó correspondente.
Ou seja, um switch seleciona um conteúdo de acordo com uma regra. Isso é útil para adaptar diferentes conteúdos a perfis de usuário. No entanto, também é possível adaptar o conteúdo para aparecer em diferentes áreas da tela, caso a área original já esteja ocupada com outra aplicação. Por exemplo, se o filme estiver sendo assistido com legenda, o comercial aparece na parte superior da tela. Caso contrário, na parte inferior. Isso é feito através do <descriptorSwitch>.
No próximo texto detalharemos um exemplo onde um anúncio é diferente para cada tipo de audiência.
Qui 14 Jan 2010
Publicado por Valdecir Becker sob
InformaçãoSem Comentários
Voltando das férias, deparei-me com este excelente estudo do meu amigo Régis Junot, abordando o processo de digitalização da recepção do sinal, do ponto de vista do telespectador, e comparando as diferentes imagens possíveis com essa nova tecnologia. Recomendo a leitura.
E um ótimo 2010 a todos.