Dezembro de 2009


grau26 - grau26

Anthony E. Zuiker, criador da série CSI, resolveu entrar no meio literário de forma ousada e original. Mais do que um livro, seu projeto de estreia converge diversas mídias, misturando literatura, cinema e internet. O romance policial “Grau 26″, que acaba de ser lançado no Brasil pela editora Record, pode ser lido como um livro tradicional. No entanto, à medida que a história avança, abre-se a possibilidade de se aprofundar na trama pelo site www.grau26.com.br.

A página oferece conteúdo digital exclusivo com vídeos, áudios e elementos interativos que complementam a publicação. A cada vinte páginas do livro, o leitor encontrará códigos que permitem conectar-se a uma ciberponte: uma cena de até três minutos, legendada em português, com atores de filmes famosos e séries de TV premiadas.

Dessa forma, os personagens ganham vida e os detalhes das cenas dos crimes explodem na tela, levando a experiência a um novo nível e inserindo os leitores no meio da ação e dentro das mentes de um assassino em série e do homem enviado para caçá-lo.

O site inclui ainda extras das filmagens e uma seção onde é possível ler posts sobre crimes reais, além de links para blogs de detetives e investigadores criminais de verdade.

“Grau 26″, escrito em colaboração com Duane Swierczynski, autor de vários thrillers, apresenta Steve Dark, um agente aposentado do FBI que volta ao trabalho para deter um assassino em série como o mundo nunca viu. Os agentes da lei sabem que assassinos são categorizados em uma escala de 25 graus de perversidade, desde os mais simples oportunistas do Grau 1, aos torturadores metódicos do Grau 25.

Comandado pelo talentoso detetive Dark, um grupo de investigadores de elite segue o rastro de Sqweegel, um assassino responsável por matar, violentar, mutilar, envenenar e torturar brutalmente 35 pessoas em seis países durante 23 anos. O criminoso não se encaixa em nenhum dos 25 graus de psicopatia conhecidos, o que obriga a lei a criar uma nova classificação de crueldade para encaixá-lo, daí o título da obra.
Fonte: Folha Online

Algumas reações de descrédito chegaram a minha caixa de e-mail referente ao post abaixo “Os problemas da TV digital estão no conteúdo e pontos de venda“. Um amigo me disse que eu tinha dado azar com os vendedores, pois era impossível tamanho descaso por parte das lojas. Outra mensagem questionou a responsabilidade das lojas, dizendo que não era função delas educar o consumidor.
Ambos podem estar corretos, uma vez que não usei nenhuma metodologia científica em minhas visitas e muito menos entrei no mérito de como uma loja deve vender seus produtos. No entanto, uma coisa é fato: a maioria das lojas que eu conheço e frequento confunde os consumidores e está dando um tiro no pé quando não sabe anunciar corretamente seus produtos.
As duas fotos abaixo foram tiradas ontem a noite, em um dos maiores supermercados do ABC, que fica na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo. Duas TVs, uma full HD e outra 1344X768, conectadas a um Blu-Ray e um home theater SD, respectivamente, com a imagem totalmente distorcida. Se tivessem simplesmente conectado os cabos e dado play, isso não poderia ter acontecido…

Extra 1 - Extra 1

Extra1 1 - Extra1 1

O filme “X-Men Origins: Wolverine” (2009) é distribuído no formato de tela 16X9, a mesma dessas duas TVs. Ou seja, nada justifica tecnicamente o Letterbox na imagem.

Como esperar que alguém adquiria um conjunto de aparelhos desses com essa referência de qualidade da imagem? Não estamos falando de TV digital, onde o processo é muito mais complexo com alternações entre conteúdos HD e SD, necessidades de antenas externas, conexões específicas muitas vezes não inclusas nos set top boxes…

    Pode soar estranho, mas a pirataria de filmes e séries americanas está fazendo um grande favor ao público brasileiro: a diminuição do tempo das janelas de exibição. Já comentei em algum post passado que as estreias das séries americanas estavam sendo adiantadas em função dos downloads ilegais. Hoje tem série na Warner e Universal que passa no Brasil apenas três semanas depois da exibição nos EUA. Há alguns anos esse tempo era de meses.
    Ontem o canal AXN deu mais uma mostra de ousadia: anunciou a estreia da última temporada de LOST para o dia 9 de fevereiro de 2010, apenas UMA semana depois da série recomeçar nos EUA. Pena que o AXN não é, e não tem previsão de ser, em alta definição. Se fosse, valeria a pena esperar essa uma semana para ver a série em HD. Para curtir as excelentes imagens de LOST, captado em 35 mm, apenas as madrugadas da Globo, que vai mostrar a quinta temporada em HD a partir de janeiro.
      Para quem é meio nerd ou vidrado em tecnologia, a Fapesp disponibilizou em primeira mão o filme De Olho no Céu (Eyes on the Skies), na recém criada seção de vídeos para divulgação científica. O filme é uma produção da União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) e da Agência Espacial Europeia (Esa) feita especialmente para comemorar os 400 anos da invenção do telescópio e o Ano Internacional da Astronomia, celebrado em 2009.

      Uma excelente produção.

    A cruzada da Record contra o Ibope continua. O jornalista Daniel Castro, agora do outro lado da trincheira (trocou o grupo Folha pela Record), traz em seu blog um dado interessante:

    A medição de audiência feita pelo Ibope ignora quase 20 milhões de residências que recebem o sinal das TVs via antena parabólica. O Ministério das Comunicações estima em cerca de 60 milhões os domicílios com televisor no Brasil. Ou seja, em um terço deles a cobertura é feita pelas parabólicas.

    Já comentei várias vezes que do ponto de vista estatístico, a amostragem do Ibope é válida. Mas representa apenas a amostra. Se em São Paulo são 700 pontos de medição, é possível inferir o comportamento da audiência paulista. Jamais expandir para todo Brasil, coisa que as agências fazem costumeiramente para justificar a compra de espaços publicitários, que chegam a custar 380 mil reais por inserção de 30 segundos no horário nobre.

    Não considerar as parabólicas, que ficam com tela preta durante os intervalos comerciais, significa que tem alguém comprando gato por lebre… estava na hora dessa discussão ser trazida para o público.

    Lembrando que o problema do apagão ficou num disse que disse, sem nenhuma conclusão. O Ibope acusa as empresas de telefonia, que negam qualquer problema.

    Enquanto isso, vai ganhando corpo em alguns setores da sociedade e do governo o projeto de um instituto de medição público.

Há exatos dois anos, o presidente Lula inaugurava com grande festa as transmissões digitais em São Paulo. Havia uma expectativa gigantesca de que a TV digital iria acabar com todos os problemas do Brasil. Na época, pouca gente mencionou que tratava-se de uma tecnologia como qualquer outra, com processo de amadurecimento, atualização e tempo de penetração. A alta definição representava na época o ápice da digitalização da TV.

Depois desses dois anos e muitas críticas, os questionamentos diminuíram consideravelmente. Comprado com outras tecnologias, como DVD, celular, blu ray, as vendas de receptores digitais estão muito mais aceleradas. Há críticas afirmando que as mesmas são ainda baixas se considerarmos o tamanho potencial do mercado.

Além disso, fala-se hoje que o problema está na divulgação, que as pessoas não sabem o que é TV digital e que sem a interatividade a adoção vai demorar uma infinidade. Será mesmo?

Certamente, a TV digital ainda tem inúmeros problemas para serem resolvidos. A recepção interna continua deficitária. Na maioria dos lugares, funciona bem apenas com antena externa, o que demanda uma necessidade de mudança cultural e pode atrapalhar casas e apartamentos sem cabeamento adequado. No entanto, os maiores desafios estão na venda e no conteúdo, ambos ainda muito aquém da tecnologia.

Para chegar a essa conclusão, tirei umas horas, ontem a tarde e hoje de manhã, para visitar seis pontos de venda de produtos eletroeletrônicos em São Paulo, quatro na Zona Sul (Extra, duas lojas do Carrefour e Magazine Luiza) e dois na Avenida Paulista (Fnac e Fast). Buscando mapear o preparo dos vendedores, elaborei algumas perguntas básicas que qualquer pessoa sem domínio tecnológica da televisão faria: 1. para alta definição, é melhor comprar uma TV de plasma ou LCD (quero 42 polegadas)? 2. é melhor um receptor integrado ou separado? 3. Preciso de antena? 4. O sinal pega em toda cidade de São Paulo? 5. Posso descartar meu receptor de TV por assinatura? Outras questões iam sendo incluídas conforme as conversas. Além disso, em todas as lojas pedi para ver um comparativo entre imagem analógica e TV de alta definição.

Em nenhuma loja esse comparativo pode ser feito. Nenhuma loja tinha TV sintonizada em conteúdos abertos de alta definição; três tinham sinal analógico sintonizado por TV HD. Saí de todas as lojas sabendo que o blu ray é maravilhoso (foi usado em todas as lojas como referencia de conteúdos HD), mas sem ter visto uma única imagem em alta definição da TV aberta. Nos horários que visitei as lojas, a maioria dos canais não transmitia conteúdo em alta definição. Em três lugares (Fnac, Fast e Extra) os vendedores explicaram que as emissoras alternam programas HD e SD. Nas duas lojas do Carrefour os vendedores garantiram que os desenhos animados eram em HD (em uma loja “Três espiãs demais”e na outra não consegui reconhecer o desenho). Na Magazine Luiza a vendedora deu uma resposta tão confusa que não consegui acompanhar o raciocínio dela. Pode até ter respondido corretamente…

Apenas na Fnac todas as questões foram respondidas corretamente. A loja ainda ofereceu a possibilidade de devolução do produto caso na minha residência não tivesse recepção digital.

Na Fast a maioria das questões foi bem respondida, tirando a recepção do sinal. O vendedor garantiu que com antena externa seria possível captar todos os canais abertos em qualquer lugar da cidade. No entanto, é preciso ressaltar que o mesmo vendedor deu uma aula sobre as diferenças de LCD e plasma. Ainda explicou porque o LED está substituindo as duas, e obviamente, ofereceu uma TV de LED, muito mais cara.

Nas demais lojas, um desastre total. Além de confundir HD e SD, os vendedores desconheciam as diferenças entre receptores embutidos e separados, recepção do sinal e necessidade da antena. Em três lojas as diferenças entre LCD e plasma se resumiam a preço. Na Magazine Luiza, a vendedora disse que eu poderia cancelar a assinatura da TV a cabo, pois a TV aberta em alta definição é muito melhor (como se fosse possível fazer esse comparativo…).

Em nenhuma visita perguntei sobre interatividade, já antevendo problemas nas respostas. Nenhum vendedor tomou a iniciativa de explicar que mesmo a recepção SD é muito melhor do que o sinal analógico e que TV digital não se resume à alta definição.

Por esta experiência, pode-se perceber que o problema da TV digital está longe de ser apenas divulgação. Os pontos de venda estão despreparados para atender os consumidores e falta conteúdo em alta definição. Como convencer um comprador a adquirir um receptor digital se não há conteúdo para ser mostrado? A alta definição está muito restrita ao horário nobre. De manhã e a tarde são raros os programas em HD, e os que tem possuem sérios problemas de produção, com poucas exceções.

O mínimo que eu esperava de qualquer loja desse porte é um stand com pelo menos quatro tipos de recepção: analógica com TV CRT, digital HD, digital com TV CRT e qualquer coisa usando TV por assinatura digital. Assim, o consumidor poderia ter clareza e certeza sobre o que está comprando. Mas nada que chegue perto na cidade de São Paulo. Se eu estiver enganado, por favor, me dêem o endereço desse lugar…

Fico me perguntando se realmente vale a pena fazer, neste momento, uma grande campanha de divulgação. O primeiro entrave seria o despreparo dos vendedores. E segundo, como mostrar as diferenças e as melhorias da imagem, se os programas da manhã e da tarde são majoritariamente em SD? Isso falando de São Paulo, onde todos os canais estão pelo menos transmitindo digital. Das 26 cidades que tem sinal digital, a maioria está restrita a dois ou três canais. Nesses casos, os conteúdos em alta definição são ainda mais restritos. Nesse caso, como causar a boa impressão da qualidade da imagem?

O mesmo risco há com o lançamento da interatividade. Além da divulgação adequada, será necessária uma força tarefa para termos conteúdos bons e interessantes no ar, que agreguem valor à programação tradicional. Caso contrário, será muito difícil convencer alguém a comprar um receptor mais caro, que acrescenta pouco à televisão dele. Simplesmente colocar interatividade no ar, sem preocupação com qualidade e quantidade, não será a solução, pelo contrário.