Enumeramos alguns benefícios deste sistema:
Facilidade - A medição feita por software possibilita uma identificação mais rápida e tranqüila para o telespectador. Permite também identificar perfis de audiência e contextos em que a TV está ligada. A identificação das pessoas diante da TV pode ser feita pelo mesmo controle remoto do receptor, através de um menu na tela da TV.
Redução de custos da medição – Por ser um sistema baseado em software, o acréscimo no custo do receptor é pequeno.
Flexibilidade – O software pode ser atualizado remotamente para incluir novas ferramentas, como medição em gravadores digitais. Além de armazenar informações sobre o momento da gravação, a identificação do programa assistido em outro horário é automática. Pode-se analisar em que momento cada programa foi assistido ou apagado do gravador. Além disso, é facilmente expansível para contemplar medições em aparelhos de DVD, Blu Ray ou arquivos baixados na internet e visualizados na TV. Basta que esses dispositivos sejam ligados ao set top box.
Detalhamento dos dados – Como tem capacidade de armazenamento, o set top box pode guardar informações detalhadas sobre o perfil da audiência, incluindo localidade do receptor, idade, sexo, interesses, tipo de TV e programas assistidos. Essas informações são úteis para compreender o interesse da audiência por determinados temas, o que permite analisar melhor o impacto do conteúdo. Pode-se relacionar facilmente programas de diferentes canais e tempo em cada um ficou sintonizado.
Segmentação – Pode-se usar o sistema para fazer outras pesquisas, apenas respondendo perguntas usando o controle remoto. O perfil da audiência ajuda a determinar tipos de amostragem e garante as métricas estatísticas. As pesquisas podem ser enviadas pelo canal de comunicação com o banco de dados.
Aumento da amostragem – Atualmente são 700 pontos de medição de audiência em tempo real na cidade de São Paulo. Esses equipamentos geram os índices que compõem o cerne das análises de audiência, uma vez que toda estrutura das emissoras está baseada nas informações vindas de São Paulo. No Brasil inteiro são aproximadamente 3,5 mil residências medidas, cujos dados são totalizados com pelo menos um dia de atraso. Esse número é pequeno comparado com amostras de outros países, que não raramente ultrapassam três mil residências por cidade.
Medição individual – Cada emissora pode auferir a própria audiência, pois a única despesa é o software e o envio dos dados. Esse recurso pode ser muito mais útil para os departamentos artísticos do que para os comerciais. É possível identificar claramente e em tempo real se o comportamento da audiência está de acordo com o público alvo do programa.
A emissora pode enviar pelo ar um aplicativo desenvolvido para o middleware Ginga, solicitando a autorização para a coleta das informações (para estimular a participação, pode-se sortear prêmios entre os participantes). A partir desse momento, toda vez que a emissora for sintonizada, o software é executado e envia as informações para um banco de dados. Nesse caso, a única restrição é possuir um canal de retorno conectado ao receptor.
Medição da interatividade – A medição de audiência baseada em software pode incluir o uso da interatividade, armazenando informações sobre o uso das aplicações, tempo que as mesmas permaneceram na tela, os passos que o telespectador fez e o tempo que levou para completar as tarefas. Isso permite uma avaliação objetiva do interesse despertado pela interatividade, algo essencial em um momento em que as emissoras ainda buscam modelos de conteúdo e de negócio para esse recurso.
Engajamento – Trata-se de um termo relativamente novo no mundo da televisão, que busca direcionar os anúncios conforme o interesse despertado pela programação. Quanto maior for a atenção e o interesse do telespectador no programa, menor será a possibilidade de zapping durante o intervalo comercial. O software permite identificar facilmente se houve zapping e o tempo de sintonia de cada canal. Ou seja, o que despertou o interesse no telespectador em outros canais.
A identificação do engajamento pode ser feita com mais facilidade em programas interativos. Ao saber se o telespectador interagiu em determinada programação, é possível inferir a atenção e o interesse que ele está dispensando ao programa. Essa informação é essencial para o anunciante avaliar o impacto e o consumo da marca.
Concluindo, não é preciso ressaltar que essa nova forma de medição traz problemas éticos e morais sobre a privacidade da audiência. Na internet esse tema é bastante polêmico. Na Europa vários sistemas de medição digital da audiência foram descartados devido à invasão de privacidade. No Brasil será necessário desenvolver modelos para que o telespectador possa escolher enviar ou não as informações.
Revista Tela Viva, ano 18_#198_out2009. Pag. 38-39.