Segunda, 19 de Outubro de 2009


Foi lançado semana passada o livro TV Digital.Br: Conceitos e Estudos sobre o ISDB-Tb, organizados pelo professor Sebastião Squirra e por mim (Editora Ateliê, R$ 38,00). A obra discute, de forma interdisciplinar, a introdução da TV digital no Brasil e as consequências para diferentes áreas do conhecimento. O livro serve de base para os estudos dos interessados em entender TV digital interativa holisticamente. Para tanto, cobre as mais variadas facetas da digitalização da radiodifusão e os ambientes convergentes frutos da mesma. Mesclando assuntos técnicos com abordagens teóricas da comunicação, passando por assuntos como publicidade e interação humano computador na TV, os organizadores selecionaram textos que dão uma visão abrangente da TV digital no Brasil.
Os temas foram definidos seguindo o arcabouço de conhecimentos necessários para um profissional poder atuar plenamente nessa nova tecnologia, idealizando e implantando novos conteúdos. O perfil desse profissional passa pelo domínio de conceitos técnicos sobre TV digital, funcionamento da interatividade e transmissão do software em redes de televisão.
Além disso, a digitalização da TV e a conseqüente interatividade, não acontece de forma isolada ou desconexa dos demais aspectos da evolução tecnológica. Novas tecnologias são lançadas, diariamente, com repercussões tanto nas formas de distribuição, caso dos telefones celulares, agora aptos a receber sinal de TV, quanto na publicidade, que paga os custos do conteúdo e da implantação.
Baseado neste cenário, onde se exige cada vez mais conhecimento dos profissionais de televisão, este livro procura mostrar a amplitude do tema, abordando desde aspectos conceituais sobre a digitalização da televisão aberta no Brasil, até pontos teóricos do alcance e implicação dessa tecnologia.
O objetivo deste livro não é esgotar o assunto, nem ser uma referência teórica. É apresentar TV digital interativa sem preconceitos, dentro de um contexto de produção multimídia e multifacetada, no qual o conteúdo audiovisual é acessível através de diversas fontes, além da televisão. Por isso, foram convidados especialistas em produção para dispositivos móveis e para Internet, uma vez que essas duas ferramentas estão cada vez mais próximas da televisão, seja oferecendo conteúdo, seja servindo de canal de retorno para as aplicações interativas. Além disso, o livro apresenta uma parte conceitual, na qual são discutidos aspectos técnicos e teóricos sobre TV digital, interatividade e comunicação. Também é apresentado o desenvolvimento de aplicações, sob um viés prático, englobando conceitos e métodos. Fazem parte do livro pesquisadores de destaque nacional, como Luiz Fernando Gomes Soares, Günter Herweg, Fernando Crocomo, Carlos Montez, entre outros.

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Durante o Futurecom, evento de telecomunicações que aconteceu semana passada em São Paulo, conversei rapidamente com David Britto, diretor da Tqtvd e representante do setor de software no conselho do Fórum do SBTVD. Após um painel que discutiu a internacionalização do ISDB-Tb, Britto concedeu a seguinte entrevista, explicando o papel da interatividade no desenvolvimento da TV digital na América do Sul.

Qual foi o papel da interatividade dentro do processo de internacionalização do ISDB-Tb?
Nosso padrão de interatividade, o Ginga, foi o grande diferencial diante dos outros padrões. Enquanto você compara tecnologias de transmissão, modulação, compressão de vídeo, você fala de padrões que foram, de certa forma, desenvolvidos fora do Brasil, e foram adaptados aqui, harmonizados. Isso não representa um grande avanço. Um país pode fazer isso de maneira muito simples. Mas a questão da interatividade foi um dever de casa que o Brasil tomou para si. Apresentou para o mercado uma solução genuinamente inovadora. Uma solução aberta, sem royalties, e que proporciona para quem vai desenvolver aplicações interativas, para conteúdos, uma ferramenta fantástica de desenvolvimento.

O que o Ginga representa de diferencial em relação aos outros sistemas, especialmente o MHP?
O MHP foi desenvolvido com componentes que foram criados em épocas distintas, tais como o Davic, criado em 2000, como Havi, criado em 2003, e a própria estrutura de pacotes do DVB, que foi criado entre 2002 e 2003. Trata-se de uma tecnologia, em termos de software, de certa forma, velha. Outro problema grave que o MHP possui, é que esses pacotes, individualmente, são protegidos por patentes. Patentes estas que tem custos para implementação de produtos. Então, se você quer desenvolver um produto para MHP, você é obrigado a recolher royalties, fora o preço do produto. Se isso é justo ou não, não me cada avaliar. O problema é que isso foi introduzido em cima de uma tecnologia Java, que pela sua natureza, não tem esse espírito de cobrança de royalties. O Java é uma tecnologia aberta, que recebeu uma contribuição tecnológica de uma tecnologia fechada. Isso fez com que a adoção do MHP hoje virasse uma tecnologia, pelo tempo de vida, pífia.

Como está o mercado brasileiro de interatividade?
No mercado brasileiro de interatividade, em relação a produtos, estamos bem servidos. Rapidamente os produtos vão estar no mercado. O nosso maior problema hoje em dia, são ferramentas de autoria. Esse é o grande problema. Ferramentas de autoria para permitir a empresas produzirem de maneira rápida e objetiva, de forma a desenvolver e chegar ao mercado mais rapidamente.

O que a Rede AstroDevNet tem contribuído nesse sentido?
Com a rede estamos buscando desenvolver competências para a criação de conteúdos. Estamos trabalhando com algumas empresas grandes, principalmente radiodifusores, para as quais nós estamos provendo ferramentas para o desenvolvimento. São as mesmas ferramentas que nós também usamos para o desenvolvimento. Essas ferramentas são o que existe de melhor hoje em dia. Não que elas sejam maravilhosas, mas são ferramentas que permitem acesso a uma versão do Ginga, que a gente chama de AstroPC, no computador. Então você tem todos os recursos previstos na norma, coisa que hoje em dia você não encontra em lugar nenhum. Hoje temos uma implementação completa. Para quem está desenvolvendo, pode desenvolver em Java, em Lua, em NCL, o que for mais conveniente.

Quando a interatividade estará no ar comercialmente?
O que a gente está vendo hoje de desenvolvimento interativo por parte do radiodifusores, eles vão retirar do ar, para reintroduzir produtos definitivos. Hoje são experimentos. Isso deve acontecer até o final do ano, no máximo.