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Os publicitários ainda se apegam ao comercial de 30 segundos. Para um indústria que supostamente vive e respira criatividade, eles têm consideravelmente menos entusiasmos pela mudança do que contadores ou até mesmo cobradores de pedágio. Publicitários alardeiam novos conceitos, novas ideias, novas abordagens, novos issos e aquilos, mas abominam abrir mão daquilo que já conhecem e entendem e que lhes rendeu rios de dinheiro: o comercial de 30 segundos.
Don E. Schultz, no prefácio do livro “O declínio da mídia de massa”, edição brasileira
Explicado por que há restições no setor publicitário brasileiro para discutir publicidade na TV digital?
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Parece piada, mas um estudo holandês publicado no volume 7 do periódico “Computers and Entertainment”, sobre como as expectativas das pessoas afetam a experiência de assistir TV, mostra que a qualidade da imagem não tem tanta relevância quanto se acredita. No estudo, grupos de pessoas foram convidados para participar de uma pesquisa sobre qualidade das imagens na televisão. Metade deles ouviram dos pesquisadores que teriam imagens mais nítidas e melhores graças à tecnologia HD. Essa impressão era reforçada por cartazes, folhetos e a presença de um cabo muito grosso conectado à tela. A outra metade dos participantes ouviu dos pesquisadores que teria apenas uma imagem normal de DVD.
E não é que as pessoas que foram conduzidas a esperar por tela de alta definição afirmaram terem visto imagens de qualidade mais alta, comparado ao outro grupo? “Os participantes foram incapazes de diferenciar adequadamente os sinais digitais e de alta definição”, disse Lidwien van de Wijngaert, na Universidade de Twente, em Enschende, na Holanda, que realizou o estudo com colegas da Universidade de Utrecht.
Isso pode explicar porque o tema da alta definição e da TV digital é tratado com tanta paixão no Brasil. Se você compra um receptor de R$ 400,00 (ou de R$ 1.200,00, como foi o caso dos mais apressadinhos) e soma essa valor aos R$ 5.000,00 pagos por uma TV full HD, você se sente na obrigação de gostar da imagem, mesmo que ela seja SD. Se você não tem esse dinheiro para investir, a imagem HD não faz tanta falta assim.
Lembro que há alguns anos, antes do lançamento da TV digital, a TV Globo fez uma exposição de jogos de futebol em HD no Shopping Morumbi. Questionando a audiência, muitos responderam não terem visto diferenças ou melhoras significativas na imagem. Ou seja, é preciso avisar as pessoas que o conteúdo é em alta definição. Isso melhora a percepção e a crença em imagens mais nítidas, mesmo que o conteúdo seja SD. Vale lembrar que esse truque é muito utilizado na TV aberta brasileira, onde conteúdos SD, formato 16X9, são up convertidos para HD e vendidos como tal. É só prestar um pouco de atenção e ter um set top box bom. A qualidade da alta definição muda de canal para canal.