Internet e serviços de processamento computacional oferecidos de forma pública, tal qual a energia elétrica. Essa a discussão central do livro A Grande Mudança: Reconectando o mundo, de Thomas Edison ao Google, de Nicholas Carr. O autor compara o oferecimento da internet com a evolução da disponibilização da energia elétrica, que passou de geradores descentralizados, onde cada um possuía o seu, para gigantes usinas centrais com complexos sistemas de transmissão. Hoje não faz sentido alguém gerar a própria energia, como não faz sentido, segundo Carr, cada empresa ter o seu sistema de TI, com servidores e desktops.
    O processamento das informações poderia ser feito por um servidor central, que distribuiria as informações para todos os clientes, com simples terminais de acesso. O modelo do Google já funciona dessa forma: alguém sabe onde são armazenados os e-mails ou documentos do Docs? Ou onde é processada a requisição de uma pesquisa no sistema de buscas?
    Atualmente já é possível usar um computador muito limitado para fazer todas as tarefas diárias mais simples, sem nenhum programa instalado. O Google oferece as ferramentas de escritório; a Adobe, de edição de vídeo; o Flickr de edição de imagens, e assim sucessivamente. O computador passou a ser um mero meio de acesso, sem qualquer necessidade de processamento ou armazenamento.
    Esse modelo deveria ser discutido com mais seriedade no Brasil, onde ainda são ridículos os números de pessoas com acesso à internet. Os dados do PNAD (post abaixo) mostram que o país ainda está longe de oferecer um acesso à internet minimamente aceitável para a população. Isso falando apenas em acesso, sem considerar as mazelas de serviços como Speedy, Virtua ou 3G, que parecem se reveza para ver quem oferece o pior serviço de tráfego de dados.
    Em vez de incentivar a comercialização de computadores populares, que não funcionam três meses depois de vencida a garantia (quem comprou um PC popular no Submarino ou nas Casas Bahia sabe do que estou falando), o governo deveria prover uma rede de acesso a servidores centrais, que fariam todo processamento e armazenamento das informações. Na casa das pessoas, simples terminais de acesso a essa computação em nuvem. Muito mais barato e tecnologicamente mais promissor. Ou alguém acredita que a Microsoft, com seu modelo centralizado de software, vai conseguir dar a volta por cima do modelo em nuvem do Google?
    O mesmo modelo pode ser usado para processar a interatividade na TV digital, onde um modelo convergente com a computação em forma de serviço público resolveria ambos os problemas: internet e TV digital.