Sex 18 Set 2009
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A TV digital por si só é uma área totalmente interdisciplinar. A Engenharia predominou no processo tecnológico, o que resultou na melhor tecnologia do mundo (fato comprovado pelo seguimento dos outros países). O sistema está estável, funcionando bem, com poucos problemas pontuais e as críticas estão começando a ceder. Isso do ponto de visto meramente tecnológio, porque do ponto de vista comercial e estético temos poucas mudanças. O número de programas efetivamente em alta definição (sem processo de down/up conversion) está crescendo, mas a programação disponível ainda está longe de atender plenamente as espectativas. Eventos esportivos, algumas telenovelas, alguns shows, alguns programas de auditótio, e nada mais. A interatividade está batendo na porta e, tirando algumas emissoras, ainda não se sabe o que fazer com ela.
Essa foi a mensagem central de uma mesa de que participei na FAAP ontem, durante a 32a Semana de Comunicação da Universidade. Palestrou também André Mermelstein, editor da revista Tela Viva, que focou a apresentação nas mudanças em curso no mercado audiovisual, com a nova formatação da TV e do conteúdo audiovisual. Eu foquei alguns pontos conceituais sobre alta definição e interatividade, como resposta à broadbandTV.
Ao final das palestras, o debate que se seguiu apontou para a falta de contribuições das áreas relacionadas ao pensamento e ao desenvolvimento de conteúdos para essa nova TV. A área da comunicação, especificamente, ainda está engatinhando no tema. Com poucas exceções (o livro da Compós, o programa de pós graduação da UNESP, alguns cursos de especialização, e algumas linhas de pesquisa novas em programas de pós-graduação e outras iniciativas isoladas), os especialistas da área ainda não entenderam que é momento de propor conteúdos e soluções, e não simplesmente refletir sobre os erros cometidos. São posturas desse tipo que atrasam o processo de implantação, pois, se as emissoras não tem como recorrer às universidades, recorrerão a quem? Quando a Engenharia foi chamada a dar sua resposta, os resultados foram amplamente positivos, com conhecimentos gerados que continuam resultando em pesquisas com alta repercussão internacional.
E as escolas de jornalismo, RTV, PP, o que estão gerando para contribuir no processo? Fiz um rápido levantamento sobre o que tem disponível na web de propostas de interatividaes para a TV digital. Praticamente todas as aplicações e discussões tem origens na informática e na engenharia. Achei pouquíssimas contribuições de pesquisadores da comunicação.
Trata-se um desafio urgente para ser encarado muito seriamente, que exige resultados pró-ativos imediatos. A área da comunicação perdeu o primeiro trem da história, quando não entrou na formação dos consórcios de pesquisa em 2004. Agora está correndo o risco de perder o segundo, deixando de contribuir para que essa nova televisão iminente esteja mais próxima do que a sociedade espera e precisa.
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Setembro 18th, 2009 at 13:49
Caro Valdecir,
Extremamente importante e pertinente esse post. Há mais de dois anos venho batendo nessa tecla junto aos professores e alunos, nas universidades onde leciono.
Forte abraço e parabéns pelo brilhante trabalho.
Setembro 18th, 2009 at 14:01
Ninguém melhor do que você, Valdecir, para colocar o dedo na ferida dos burocratas de plantão da comunicologia. O problema é que esses doutores do saber estão confortáveis discutindo temas irrelevantes, onde são sumidades incontestes. Quando propostas são necessárias, abre-se a contestação, a crítica, a possibilidade de idéias melhores partindo de pessoas “menos aptas” academicamente. Por via das dúvidas, preferem ficar no casulo montado em torno de teorias do século passado. Precisamos criar uma agenda positiva para essa área, urgente.
Setembro 22nd, 2009 at 16:52
Me parece que falta objetividade nessa discussão, que passa pelo tipo de profissional formado pelas universidades. Sou gerente de RH de uma produtora de vídeo que agora está entrando no mundo da interatividade na TV. Fiquei mais de um ano com vaga aberta para produção de programas interativos e não apareceu seque um único candidato que atendesse minimamente as exigências do cargo. As universidades estão formando muita gente, mas quase todos incompentes e alienados das necessidades do mercado. A produtora teve que pagar o treinamento para dois profissionais da casa, que agora estão cuidando dessa área.
Setembro 24th, 2009 at 09:51
[…] Escrito por: Valdecir Becker Fonte: blog.itvproducoesinterativas.com.br […]