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O Brasil deu um passo importante semana passada para a disseminação do Sistema Brasileiro de TV Digital na América Latina. A presidenta argentina Cristina Kirchner assinou sexta-feira (28/8) um acordo com o presidente Lula em que o país vizinho se compromete a adotar o ISDB-Tb. Foram três anos de trabalho e muito lobby para convencer os argentinos, concorrendo com americanos, europeus e, em menor escala, chineses.
O acordo foi assinado em Bariloche, na Argentina, depois de reunião de cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). A ideia do governo argentino é revitalizar a zona franca localizada na Terra do Fogo, com a produção local de equipamentos de TV digital.
Depois do Peru, primeiro país a adotar o ISDB-Tb, a Argentina garante um bom aumento de mercado para o sistema brasileiro, o que pode reduzir os custos. Os próximos passos são convencer Venezuela, Chile, Equador, Bolívia e Cuba. No caso chileno e equatoriano, as negociações são mais pragmáticas, porém com forte concorrência do sistema americano ATSC. Ambos tem fortes relações comerciais com os ianques, o por isso tendem àquele sistema. No entanto, o ATSC é, dos 5 sistemas possíveis, o mais fraco tecnicamente. Isso abriu a disputa para os brasileiros. Hoje o país negocia de igual para igual, o que é um avanço considerável para a engenharia brasileira, inimaginável há cinco anos atrás.
Já na Venezuela, Cuba e Bolívia há uma grande influência ideológica na escolha. Cuba está estudando a opção pelo sistema chinês por razões políticas (comunismo) e sua escolha deve ser seguida pela Venezuela e Bolívia. O Brasil tenta usar a estratégia do software livre nesses países, o que tem dado certo até o momento. O fato do Ginga não exigir pagamento de royalties também é um bom trunfo, principalmente se comparado com os europeus.
Os demais países da América Latina representam mercados secundários, que devem seguir as escolhas feitas pelos principais parceiros comerciais. Lembrando que Uruguai adotou o DVB e México o ATSC.