Ter 30 Jun 2009
Duas notícias agitaram o mercado audiovisual nos últimos dias. Primeiro um equipamento que baixa arquivos de vídeo da internet e os mostra diretamente na TV, sem a necessidade de qualquer meio, ou mídia, para levar o arquivo do computador para o televisor. Dias depois veio a notícia de que a Cablevision foi autorizada pelo governo dos EUA a gravar conteúdos remotamente, gerenciados pelos usuários. São duas iniciativas que confrontam o conservadorismo tradicional da indústria audiovisual, mostrando que a evolução tecnológica se sobrepõe as tentativas de reserva ou garantia de mercado.
No dia 26 a Zinnet anunciou o CinemaCube, um player multimídia que busca arquivos na internet, em redes domésticas ou em dispositivos USB. Os dois últimos estão presentes em vários players, inclusive alguns tocadores de DVD. A novidade do CinemaCube está em um cliente Torrent embutido. Com isso, levar o conteúdo baixado da Internet se torna mais fácil, sem a necessidade de gravar DVDs ou ainda de ter uma TV com entrada para drives USB. Os clientes de peer-to-peer Torrent são os mais usados para trocar grandes arquivos de mídia, principalmente vídeo. O dispositivo é conectado diretamente à TV e não conta com capacidade de armazenamento interno, mas pode trabalhar com pen drives e até mesmo discos rígidos externos para gravar e acessar arquivos de vídeo e música. Por enquanto, o CinemaCube está disponível apenas nos Estados Unidos por US$ 89,90 e será compatível com conteúdo em alta definição com até 720 linhas. Para o Brasil, a Zinwell está em vias de lançar um equipamento similar, mas com capacidade de armazenamento e sem cliente Torrent.
Ontem, dia 29, a Suprema Corte dos Estados Unidos liberou a operadora Cablevision a oferecer um serviço de gravação remota de conteúdo aos seus assinantes. Com isso, o telespectador pode gravar programas sem a necessidade de ter um DVR em casa. Os estúdios de Hollywood, bem como radiodifusores norte-americanos, tentavam barrar a oferta da tecnologia, argumentando que, no caso de gravação remota, a operadora teria que pagar uma licença pelo uso deste conteúdo. No entanto, a Suprema Corte não considerou dessa forma, e agora a empresa está liberada para comercializar o serviço de gravação, que vai concorrer com o Tivo, equipamento que grava localmente os programas.
A gravação remota traz um dado novo ao mercado audiovisual, uma vez que a comercialização não é mais feita através de equipamentos, mas sim oferecendo um serviço. De certa forma, trata-se de colocar inteligência nos receptores, dispensando qualquer tipo de parafernália tecnológica. A tão falada supervia da informação parece estar ganhando contorno práticos e mercadológicos, onde a infraestrutura de oferecimento de conteúdos está cada vez mais centrada nos serviços, deixando os equipamentos de lado.
Aliado a isso, já tem muitas empresas, inclusive no Brasil, oferecendo locação de filmes on line, sem DVD ou fita VHS. O vídeo é alugado acessando um banco de dados através da internet e assistido da mesma forma. São mostras de conforto que o telespectador busca, e que mais cedo do que muitos esperam, irão alterar consideravelmente a oferta de conteúdo em alta qualidade, coisa que a internet ainda não tem conseguido fazer. Ainda…
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