Está no blog da Cristiana Lôbo: o PT está fechando um acordo com o PMDB para que o atual ministro das Comunicações seja candidato a vice na chapa encabeçada por Dilma Roussef. Hélio Costa sempre foi um senador com pouca expressão, tanto em casa, Minas Gerais, quanto no Senado. Mas se revelou um excelente interlocutor da Abert na defesa do padrão japonês de modulação para TV digital. Mais tarde foi forçado pelo governo a engolir as inovações brasileiras, coisa que ele mesmo desconsidera em reunião com os pesquisadores do SBTVD, em Campinas, dias depois de assumir o ministério. Em todo caso, tem tido uma atuação muito ativa e presente no ministério, com acertos e erros. A quantidade de acertos e de erros depende da origem do olhar: enquanto a Abert celebra, as teles tremem…

    Se essa notícia se confirmar, a truculência do ministro da radiodifusão (pois as teles ficaram totalmente a mercê de qualquer política pública nos últimos anos) terá prevalecido sobre o diálogo. Lembro de uma conversa com o próprio ministro, no dia 8 de dezembro de 2005, dia da demonstração dos resultados acadêmicos do SBTVD. O ministro foi claro ao afirmar que somente ele teria condições de acabar com o processo decisório da TV digital que começou em 1998, com a criação da Anatel. Misturando política com atuação técnica, o desabafo foi: “Se eu que sou da área não conseguir destravar o processo e fechar a escolha, quem mais poderá conseguir? além disso, minha carreira política depende disso”. As palavras podem não ter sido exatamente essas, mas o teor certamente foi. Naquele momento, percebemos a intenção clara da decisão, que pode ser criticada, mas que foi feita contra todos os impedimentos e lobbies estrangeiros. Publicamente o ministro nunca assumiu seu papel dessa forma, mas as ações confirmaram o propósito.

    Trata-se de uma forma de fazer política que, ao que tudo indica, está dando muito certo. E tem petista celebrando a idéia, pois Hélio Costa tem trâmites ótimos em algumas emissoras de TV, relutantes a mais um mandato petista no Planalto. Nada é em vão…