Duas notícias agitaram o mercado audiovisual nos últimos dias. Primeiro um equipamento que baixa arquivos de vídeo da internet e os mostra diretamente na TV, sem a necessidade de qualquer meio, ou mídia, para levar o arquivo do computador para o televisor. Dias depois veio a notícia de que a Cablevision foi autorizada pelo governo dos EUA a gravar conteúdos remotamente, gerenciados pelos usuários. São duas iniciativas que confrontam o conservadorismo tradicional da indústria audiovisual, mostrando que a evolução tecnológica se sobrepõe as tentativas de reserva ou garantia de mercado.
No dia 26 a Zinnet anunciou o CinemaCube, um player multimídia que busca arquivos na internet, em redes domésticas ou em dispositivos USB. Os dois últimos estão presentes em vários players, inclusive alguns tocadores de DVD. A novidade do CinemaCube está em um cliente Torrent embutido. Com isso, levar o conteúdo baixado da Internet se torna mais fácil, sem a necessidade de gravar DVDs ou ainda de ter uma TV com entrada para drives USB. Os clientes de peer-to-peer Torrent são os mais usados para trocar grandes arquivos de mídia, principalmente vídeo. O dispositivo é conectado diretamente à TV e não conta com capacidade de armazenamento interno, mas pode trabalhar com pen drives e até mesmo discos rígidos externos para gravar e acessar arquivos de vídeo e música. Por enquanto, o CinemaCube está disponível apenas nos Estados Unidos por US$ 89,90 e será compatível com conteúdo em alta definição com até 720 linhas. Para o Brasil, a Zinwell está em vias de lançar um equipamento similar, mas com capacidade de armazenamento e sem cliente Torrent.
Ontem, dia 29, a Suprema Corte dos Estados Unidos liberou a operadora Cablevision a oferecer um serviço de gravação remota de conteúdo aos seus assinantes. Com isso, o telespectador pode gravar programas sem a necessidade de ter um DVR em casa. Os estúdios de Hollywood, bem como radiodifusores norte-americanos, tentavam barrar a oferta da tecnologia, argumentando que, no caso de gravação remota, a operadora teria que pagar uma licença pelo uso deste conteúdo. No entanto, a Suprema Corte não considerou dessa forma, e agora a empresa está liberada para comercializar o serviço de gravação, que vai concorrer com o Tivo, equipamento que grava localmente os programas.
A gravação remota traz um dado novo ao mercado audiovisual, uma vez que a comercialização não é mais feita através de equipamentos, mas sim oferecendo um serviço. De certa forma, trata-se de colocar inteligência nos receptores, dispensando qualquer tipo de parafernália tecnológica. A tão falada supervia da informação parece estar ganhando contorno práticos e mercadológicos, onde a infraestrutura de oferecimento de conteúdos está cada vez mais centrada nos serviços, deixando os equipamentos de lado.
Aliado a isso, já tem muitas empresas, inclusive no Brasil, oferecendo locação de filmes on line, sem DVD ou fita VHS. O vídeo é alugado acessando um banco de dados através da internet e assistido da mesma forma. São mostras de conforto que o telespectador busca, e que mais cedo do que muitos esperam, irão alterar consideravelmente a oferta de conteúdo em alta qualidade, coisa que a internet ainda não tem conseguido fazer. Ainda…
Junho de 2009
Ter 30 Jun 2009
O fim das mídias como meios físicos de armazenamento
Publicado por Valdecir Becker sob InformaçãoSem Comentários
Ter 30 Jun 2009
Acesso à internet pela TV é desejo dos brasileiros, aponta pesquisa
Publicado por Valdecir Becker sob InformaçãoSem Comentários
Fonte: - TeleSíntese
Pesquisa realizada a pedido da Intel revela que o brasileiro deseja maior interatividade e serviços na sua TV. Diferente do mercado americano, que é fragmentado e possui idéias formadas a respeito do funcionamento de determinadas tecnologias e equipamentos, os brasileiros estão mais abertos a novas experiências.
A pesquisa aponta que o consumidor brasileiro está interessado em funcionalidades típicas de um computador em uma TV. O Brasil representa o quarto maior mercado de TV no mundo, com 97% de adoção e caminha para se tornar o terceiro maior mercado de computadores pessoais.
De acordo com o estudo da Intel, os brasileiros desejam ter acesso a músicas, fotos e filmes na sua TV além de serviços de vídeo sob demanda, chat e correio eletrônico. Os brasileiros também desejam compartilhar esses tipos de conteúdo de seus celulares e computadores na sua TV através de redes sem fio e compartilhá-los em redes sociais. Essa preferência por redes sociais pode ser comprovada pelo número de internautas com acesso ao Orkut, que ultrapassa 9 milhões por mês. Já no You Tube a quantidade de acesso chega a 4,1 milhões por mês.
Outra aplicação que chamou a atenção dos entrevistados foi a utilização da TV para vídeoconferências devido a sua facilidade de uso, visualização dos familiares e amigos e compartilhamento simultâneo de fotos e vídeos.
De acordo com a pesquisa, as ferramentas ideais de interação para a nova TV digital são Widgets simples e guias visuais, transformando o consumidor no centro da experiência, levando-o a criar, comprar, interagir e participar da criação da presença online.
O novo modelo também deve trazer possibilidades de inclusão de acessórios, tais como caixas de alto-falantes, armazenamento de conteudo, câmeras e teclados que possam ser usados da maneira que o consumidor deseje, revela o estudo.
Ainda não tive acesso à íntegra da pesquisa feita pela Intel, mas é preciso ter cuidado com esse tipo de informação, bastante vaga. O tema é polêmico e reflete diretamente tanto opções tecnológicas da TV digital brasileira quanto apostas de mercado da Intel. Em todo caso, é um bom indicativo de que o mercado está mudando e em breve teremos muitas novidades, tecnológicas e de conteúdos.
Qui 25 Jun 2009
Time Warner e Comcast querem mais TV na Internet
Publicado por Valdecir Becker sob InformaçãoSem Comentários
Notícia do AdNews de hoje:
A Time Warner Inc. e a Comcast Corp. estão unidas para descobrir novas maneiras para as pessoas assistirem a mais programas de TV na web, sem que elas deixem de pagar seus serviços tradicionais de TV a cabo ou satélite.
A indústria de TV vem sofrendo uma grande pressão para proteger sua receita, mas por outro lado, ela também quer satisfazer os usuários que querem ver seus programas favoritos em qualquer hora ou lugar.
Com a parceria, as empresas querem implementar um sistema onde o espectador possa assistir a atração em qualquer aparelho, TV, computador ou celular. Mas, para ter acesso a novidade, os usuários terão que comprovar que são clientes da TV a cabo ou satélite e que pagam a assinatura mensal.
Segundo informações da Reuters, um teste nacional, técnico e estratégico do novo sistema deve ocorrer em julho. Cerca de cinco mil assinantes poderão acessar episódios das redes TNT e TBS, da Time Warner na Comcas.net. Os episódios serão disponibilizados horas depois da exibição dos programas na TV.
Os canais pretendem proteger seu conteúdo, através do pagamento da mensalidade da TV a cabo, para que os programas estejam disponíveis apenas para os assinantes do serviço. O grande medo da indústria de TV é acabar como os setores de música e mídia impressa, que foram devastados pela oferta de conteúdo na internet.
Me parece que está cada vez mais clara a convivência pacífica e complementar entre as diferentes mídias. Tem espaço para tudo, desde TV de altíssima definição até vídeos na web com qualidade bastante duvidosa. Se uma das maiores produtoras de conteúdo dos EUA se junta com a maior empresa de TV por assinatura buscando novos mercados, é um sinal de que outros modelos, não predatórios nem canibalistas, são possíveis.
É aguardar para ver…
Ter 16 Jun 2009
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Amanhã será inaugurada a transmissão digital dos canais Globo e Record em João Pessoa, PB. A cidade será a vigésima a receber a transmissão digital, décima sexta capital. As emissoras estimam que ao menos 800 mil pessoas possam sintonizar o sinal digital em HD, já que além da capital o sinal pode ser sintonizado em parte da região metropolitana de João Pessoa. O começo das transmissões na capital paraibana estão adiantada em mais de um ano, já que pelo previsão inicial do Fórum do SBTVD, João Pessoa só deveria receber o sinal digital a partir de setembro de 2010.
Segue relação das cidades que já contam com sinal digital: São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Campinas (SP), Cuiabá (MT), Salvador (BA), Florianópolis (SC), Vitória (ES), Uberlândia (MG), São José do Rio Preto (SP), Teresina (PI), Santos (SP), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Fortaleza (CE) e Recife (PE).
Sex 12 Jun 2009
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Mais pesquisas, mesmos números… O Ibope Nielsen Online começou a medir também o acesso à internet através de computadores empresariais. Até abril, a pesquisa era feita somente em computadores residenciais. Com a mudança, o número de internautas cresceu no país. Em maio, o Ibope contou 44,5 milhões de pessoas com acesso à internet, tanto em casa quanto no trabalho. Desse número 34,5 milhões de pessoas foram usuários ativos, que acessaram sites ao menos uma vez no mês de maio. Ou seja, 24% da população brasileira tem acesso a internet, enquanto que menos de 20% podem ser considerados usuários…
E ainda tem gente dizendo que a TV na web já ganhou a concorrência com a TV digital…. parece ridículo tal comparação, mas tem pretensos intelectuais afirmando que o investimento na digitalização das TVs é dinheiro jogado fora…
Por falar em TV digital, neste final de semana será desligado o sinal analógico nos EUA. Inicialmente previsto para acontecer em fevereiro, o switch off do sistema analógico estadunidense foi adiado para dia 14 de junho por pressões políticas. Nesta data, estima-se que três milhões de residências ficarão sem sinal de TV, o que responde por menos de 3% da população total do país. Algo que pode facilmente ser desconsiderado…. vale lembrar que já passa de 70% o volume de conteúdo produzido em alta definitelevisivoção nos EUA. Os demais 30% correspondem a produção SD e para outros dispositivos com resoluções menores, como celulares e web.
Seg 8 Jun 2009

Foi lançado semana passada o livro Televisão Digital: Desafios para a comunicação, obra organizada pelos professores Sebastião Squirra e Yvana Fechine. O livro discute o papel da área do conhecimento da comunicação no cenário da digitalização da TV brasileira. Vale lembrar que a área não se interessou por participar das pesquisas do SBTVD e agora paga o preço por essa omissão. A maioria dos temas discutidos durante anos nas engenharias e na informática são totalmente novos para os pesquisadores da área. Por isso, o livro mescla textos de várias origens, buscando uma interessante multidisciplinaridade.
No texto de divulgação os autores afirmam:
No cenário de implantação da televisão digital no Brasil e frente a processos comunicacionais cada vez mais orientados pela multiplicidade tecnológica e pela convergência midiática, uma questão nova surge para professores, estudantes, pesquisadores e profissionais de comunicação: quais são – ou quais podem ser – os conteúdos dessa TV que tem provocado tanta esperança e ceticismo? Foi a partir de questionamentos como esse que surgiu esta coletânea proposta pela Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS). Os 18 artigos aqui reunidos versam sobre as transformações na linguagem e na tecnologia dessa “nova televisão”, sobre os cenários político-econômicos e modelos de negócios da TV digital, sobre tendências e experiências internacionais a partir da digitalização do meio nos seus distintos padrões. No conjunto, os textos registram um momento fundamental das discussões em torno da TV digital no Brasil, contando com a colaboração de teóricos e produtores de conteúdo do Brasil e de outros países.
Ainda não tive a oportunidade de ler o livro. Assim que o tiver feito, comento o mesmo nesse espaço.
Sex 5 Jun 2009
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Participei ontem, em Bauru, do Colóquio de TV Digital, promovido pelo programa de pós graduação em TV digital da Unesp. Além do bom nível do debate de idéias e das palestras, em que o livre pensar acadêmico toma forma e se materializa, me foi informado que a TV universitária digital da universidade deverá entrar no ar em agosto. Será a primeira TV digital da região, e a primeira universitária digital do país.
Visitei as instalações da TV, em um prédio moderno, bem instalado, cheio de caixas com equipamentos de geração e transmissão digitais, muito mais modernos que muitas emissoras comerciais que se orgulham e auto denominam avançadas tecnologicamente. Com o suporte acadêmico do mestrado em TV digital, cuja segunda turma entrou no começo do ano, a Unesp de Bauru tem tudo para fazer história e mostrar os caminhas da interatividade na TV digital.
Pelo que percebi conversando com os idealizadores do projeto, vontade e ousadia pata tanto não irão faltar. Já estão definidos 50 profissionais que irão tocar a TV. Os primeiros pilotos estão saindo.
A partir de agosto certamente teremos mais notícias interessantes geradas nessa mescla acadêmica e mercadológica, uma iniciativa inédita no país.
Ter 2 Jun 2009
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Está no blog da Cristiana Lôbo: o PT está fechando um acordo com o PMDB para que o atual ministro das Comunicações seja candidato a vice na chapa encabeçada por Dilma Roussef. Hélio Costa sempre foi um senador com pouca expressão, tanto em casa, Minas Gerais, quanto no Senado. Mas se revelou um excelente interlocutor da Abert na defesa do padrão japonês de modulação para TV digital. Mais tarde foi forçado pelo governo a engolir as inovações brasileiras, coisa que ele mesmo desconsidera em reunião com os pesquisadores do SBTVD, em Campinas, dias depois de assumir o ministério. Em todo caso, tem tido uma atuação muito ativa e presente no ministério, com acertos e erros. A quantidade de acertos e de erros depende da origem do olhar: enquanto a Abert celebra, as teles tremem…
Se essa notícia se confirmar, a truculência do ministro da radiodifusão (pois as teles ficaram totalmente a mercê de qualquer política pública nos últimos anos) terá prevalecido sobre o diálogo. Lembro de uma conversa com o próprio ministro, no dia 8 de dezembro de 2005, dia da demonstração dos resultados acadêmicos do SBTVD. O ministro foi claro ao afirmar que somente ele teria condições de acabar com o processo decisório da TV digital que começou em 1998, com a criação da Anatel. Misturando política com atuação técnica, o desabafo foi: “Se eu que sou da área não conseguir destravar o processo e fechar a escolha, quem mais poderá conseguir? além disso, minha carreira política depende disso”. As palavras podem não ter sido exatamente essas, mas o teor certamente foi. Naquele momento, percebemos a intenção clara da decisão, que pode ser criticada, mas que foi feita contra todos os impedimentos e lobbies estrangeiros. Publicamente o ministro nunca assumiu seu papel dessa forma, mas as ações confirmaram o propósito.
Trata-se de uma forma de fazer política que, ao que tudo indica, está dando muito certo. E tem petista celebrando a idéia, pois Hélio Costa tem trâmites ótimos em algumas emissoras de TV, relutantes a mais um mandato petista no Planalto. Nada é em vão…