Abril de 2009



“Internautas-espectadores” é a definição da classe que vem chamando atenção na web brasileira. O conteúdo da TV, anteriormente preso à ela, migra cada vez mais para a internet e impulsiona o crescimento da quantidade de adeptos no Brasil.

Pesquisa divulgada pelo Ibope Nielsen Online confirma que em março deste ano os portais brasileiros que transmitem vídeos oficialmente pela web atraíram 9,8 milhões de internautas residenciais. O número equivale a 39,5% dos internautas brasileiros que acessam a rede em casa, diz o Instituto.

A audiência de TV online em março aumentou 17% em relação a fevereiro deste ano. O crescimento é também constatato quando a comparação é relativa aos últimos 12 meses. Em março de 2008, o país tinha 8,6 milhões de internautas-espectadores, ou seja, um aumento de 12% na audiência. A indormação foi confirmada pelo analista de internet do Ibope, José Calazans.

De acordo com pesquisa realizada pela Deloitte, os brasileiros gastam 3 vezes mais tempo na web do que em frente à TV.

Fonte: AdNews

      Depois das trapalhadas do Ministério das Comunicações e da TV Cultura, a editora Abril entrou na briga para fazer multiprogramação. Com uma postura ativa muito convicta, o diretor de Canais, André Mantovani, afirmou que a Abert não representa o setor e que a Abril não tem intenção de pedir autorização para o Ministério afim de colocar mais programas no ar, pois, segundo ele, o Decreto da TV digital permite. Nesse ponto ele está do que certo, amparado ainda pela mesma interpretação dada pela TV Cultura, Band, RedeTV, Gazeta, MixTV, todas a favor da multiprogramação. SBT e Record ainda não se posicionaram oficialmente. Globo é radicalmente contra.
      Como pode-se perceber, cresce a cada dia a demanda por mais canais, agora por parte das emissoras, que tem sim conteúdo para colocar no ar e modelos de negócio para sustentar a produção. Está ficando insustentável a argumentação falha de que não há mercado. Em paralelo, fica ainda mais evidente a tentativa de manter uma estrutura oligopolística do setor, que mais cedo ou mais tarde será derrubada pelas revoluções tecnológicas constantes.
      Cabe ao Ministério das Comunicações uma explicação à sociedade sobre o papel que está desempenhando, ao defender apenas uma empresa. Até agora, o Ministério defendeu com unhas e dentes o setor de radiodifusão em tudo o que se relacionou à TV digital. Posição esta que está mudando agora, com consequências que só o tempo mostrará.

Na revista Meio e Mensagem desta semana, além de um encarte sobre TV digital e Ginga, há uma matéria pequena, mas bastante significativa, sobre a produção em HD por parte das emissoras. A reportagem da revista entrevistou os principais executivos do mercado comparando investimento com faturamento. Há uma unanimidade nas respostas sobre os altíssimos custos e os baixos (ou nenhum) retornos no faturamento. Apesar da produção em HD crescer de forma impressionante, há uma tendência em afirmar que o mercado da alta definição só vai mesmo se realizar a partir de 2012.
As vendas de receptores de TV digital estão crescendo, mas há um pacto para ocultar os números. Ninguém sabe o impacto na imagem dos fabricantes quando se tornar público que a interatividade vai demandar a troca desses aparelhos. Quem pagou perto de mil reais não vai gostar. Por isso, quanto menos o mercado souber sobre números de venda, mas tranquilo será administrar o prejuízo.
Como não existem números confiáveis de usuários/telespectadores, o mercado publicitário não se mexe. O investimento ficou exclusivamente na conta das emissoras, empolgadas com a tecnologia, porém sem medir as consequências e retornos dos investimentos.
Enquanto isso, na reunião do fórum que acontece hoje, o debate sobre o Ginga-J esquentou novamente. O tema está virando uma verdadeira torre de babel, onde muitos defendem interesses incompatíveis entre si.

Na coluna do Estadão de Ontem, o articulista Ethevaldo Siqueira abordou a multiprogramação, repercutindo entrevista dado pelo presidente da Abert, Daniel Slaviero. Nas palavras de Ethevaldo, a Abert

defende um ponto de vista estranho e polêmico: a necessidade de proibir a multiprogramação (multicasting), por três razões. Em primeiro lugar porque os radiodifusores, conforme conclusão da Abert, assumiram o compromisso de ocupar seu canal de frequência com apenas um programa de alta definição, usando a totalidade dessa faixa de 6 megahertz (MHz) que cada emissora de TV recebeu do governo. Em segundo, porque a Abert considera ilegal a transmissão de um segundo ou terceiro programa pelo mesmo canal – já que a concessão não menciona essa possibilidade. Em terceiro lugar, porque, por falta de suporte publicitário, haveria o risco de degradação da qualidade dos vários programas transmitidos em multicasting.

Recordemos mais uma vez, sem qualquer viés político, que a multiprogramação é um recurso exclusivo da TV digital que permite a transmissão de até quatro programas simultâneos no mesmo canal. Como um dos avanços mais importantes da nova tecnologia, ela foi defendida, durante o processo de escolha do padrão de TV digital brasileiro, por dezenas de entidades e pelo próprio ministro das Comunicações, Hélio Costa, pois ela poderia “contribuir para a maior democratização do uso do espectro de frequências e para ampliar as opções de programação para o público”.

QUEM TE VIU…
Acompanho a radiodifusão brasileira desde os anos 1960, o que me permite lembrar que a Abert nasceu de uma luta memorável contra a tentativa de estatização do rádio e da TV, tendo mobilizado o Congresso para a votação da Lei 4.117, de 27 de agosto de 1962 (Código Brasileiro de Telecomunicações), bem como para a derrubada de 52 vetos apostos àquela lei pelo então presidente João Goulart.

Hoje, a Abert inspira e endossa medidas tão polêmicas como a proibição da multiprogramação. É uma pena. A entidade parece ter perdido seu sentido, sua alma, suas origens históricas. E pior: não se preocupa sequer com sua imagem perante o cidadão brasileiro, ouvinte ou telespectador, ao defender posições tão distantes e até contrárias ao interesse da sociedade brasileira.

Ninguém contesta o direito de cada emissora usar o recurso da multiprogramação segundo sua conveniência. Ao governo não compete proibir essa facilidade, sob o argumento pueril de que sua implementação pode ser inconveniente, inoportuna ou prejudicial à qualidade dos programas. Nesse caso, proibir a multiprogramação é medida tão autoritária ou incongruente quanto proibir a mobilidade, a interatividade, a portabilidade ou a própria alta definição. Será que esses outros atributos da TV digital vão exigir também testes para o governo saber se são convenientes à Abert, ao governo e à população?

Essa ampliação do número de programas é, em princípio, positiva, saudável e democrática. Proibir o uso da multiprogramação, então, é ignorar o direito do cidadão de dispor de mais programas nos canais abertos, sejam públicos ou privados. A conveniência econômica é questão exclusivamente circunstancial, secundária, de interesse exclusivo das emissoras. E se o nível da programação vier, eventualmente, a cair, caberá ao poder concedente exigir melhor qualidade.

Lembrando apenas que a TV Cultura está aguardando a liberação da transmissão experimental de mais dois canais e a TV Gazeta foi ameaçada pelo Ministério das Comunicações semana passada, pois também estava fazendo testes com mais de um canal. A Abril aguarda regulamentação, com três canais prontos para serem transmitidos. Ou seja, oferta de conteúdo e de programação tem. E se tem oferta, é porque tem alguém bancando….

      Como era de se esperar, a Sun Microsystems foi finalmente vendida. Não para a IBM, que fez a primeira propostas concreta, mas para a Oracle, empresa muito forte no setor de software corporativo, por US$ 5,6 bilhões. A Oracle deixou claro que o interesse pela quase falida Sun (prejuízo de quase U$S 2 bilhões no último ano, com um faturamento de U$S 13 bilhões) está nos servidores da companhia. Pouco se noticiou sobre a linguagem Java, muito comum em servidores e celulares, mas praticamente fora da web.
      Isso traz preocupações com a escolha pelo JavaDTV como middleware procedural do ISDB-T@b e baseado no Java. No contrato assinado entre o Fórum do SBTVD e a Sun não tem qualquer garantia de manutenção do padrão, que é de propriedade da Sun, agora Oracle. Se as negociações com a Sun já não iam muito bem, agora tudo tende a recomeçar do zero com a Oracle.
      Com essa venda, surgiu mais um ingrediente obscuro no já boicotado mundo da interatividade na TV digital brasileira.

Artigo publicado no portal Imasters

A linguagem NCL está estruturada para organizar mídias. Dessa forma ela gerencia o comportamento de mídias no tempo e no espaço. Como já comentado em artigo anterior, não é possível criar nada através da NCL; tudo deve ser desenvolvido em outros ambientes. A linguagem é responsável por colar essas mídias umas nas outras, o que determina o comportamento da aplicação através da atribuição de condições e ações. Assim, uma aplicação para TV digital pode ter apenas elementos de sincronismo das mídias, sem qualquer participação do usuário.

Antes de entrarmos em detalhes, vamos separar a interatividade das ações de sincronismo no tempo e no espaço sem participação do usuário. Tecnicamente, a interatividade se caracteriza por uma ação do usuário através do controle remoto que gera um retorno no sistema de TV digital. Dessa forma, pode aparecer, por exemplo, um botão vermelho na tela da TV informando que há uma interatividade disponível (para quem possui TV por assinatura digital esse recurso é amplamente explorado). Ao apertar o botão vermelho do controle remoto o set top box responde parando esse botão vermelho e inicia a interatividade correspondente.

Por esse exemplo, podemos perceber que o botão vermelho apareceu sozinho. Ou seja, isso não foi interatividade. Apenas uma relação de sincronismo no tempo e no espaço. No tempo porque o botão apareceu em um determinado tempo do vídeo, que pode ser definido pela emissora de TV. Por exemplo, durante um jogo de futebol, o botão vermelho sinaliza que saiu gol em um outro jogo. Ao apertar o botão vermelho do controle remoto (ação interativa) aparece uma tela informando qual foi o jogo, quem fez o gol, o placar e outras estatísticas.

O sincronismo é no espaço porque o botão vermelho aparece em uma determinada região da tela da TV. Essa região é definida por valores absolutos (em pontos) ou por valores relativos (em percentual). Como fazer cada declaração dessas será visto nos próximos textos.

Portanto, para fazer o botão vermelho aparecer na tela precisamos definir uma região para ele e um momento no qual ele deve aparecer. Podemos tratar da seguinte forma: quando o programa voltar do intervalo comercial, na vinheta de retorno, o botão aparece para sinalizar que existe uma interatividade. Porém, para desenvolver esse exemplo, vamos antes ver a estrutura de um documento NCL.

A sintaxe e a estrutura de documentos NCL são muito similares ao HTML. Portanto, tem um cabeçalho e um corpo do documento. Toda declaração deve ser aberta com uma tag < e fechada com outra />, como no exemplo abaixo.

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Neste exemplo temos uma seção de descritores, que faz parte do cabeçalho do documento, onde há uma abertura da base com a tag , que é fechada . Dentro dela estão os descritores, que começam com e terminam com . Tudo na linguagem NCL segue essa sintaxe. Ah, os termos são em inglês mesmo. Todos.

Por falar em seções dentro do cabeçalho, podemos ter uma base de regiões (onde descrevemos as regiões em que as mídias devem aparecer); uma de descritores (que por hora vamos chamar de elementos de ligação entre as regiões e as mídias); uma de regras (para trabalhar e testar variáveis); uma de conectores (para determinar quando as mídias devem aparecer); e uma de transições (um conjunto de transições que podem ser usadas nas mídias).

Já no corpo do documento, declaramos as mídias e os links. Além disso, como toda linguagem NCL é estruturada sob o paradigma da causalidade (para que algum efeito ocorra é necessário um causa), é preciso especificar uma porta de entrada no contexto Body. Essa porta iniciará a primeira mídia a partir da qual todas as demais ações acontecem. A estrutura do documento está na figura a seguir:

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Dessa forma, para que nosso botão apareça na tela é preciso declarar:

1. uma região em que ele vai aparecer;
2. um descritor que vai ligar essa região à mídia;
3. uma mídia que vai apontar para o botão.

A região pode ser descrita da seguinte forma:

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Nessa figura, abrimos a regionBase e declaramos uma região, onde:

1. id é nome da região;
2. width é a largura;
3. height é a altura;
4. left é a distância da região em relação à margem esquerda da TV;
5. top é a distância da região em relação à margem superior da TV.

Vamos criar o descritor:

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Abrimos a base de descritores e colocamos o descritor dentro, declarando a qual região ele se refere. A parte de descritores está simplificada ao máximo aqui. No futuro iremos tratar desse tema em vários outros artigos, pois os descritores são fundamentais para determinar o comportamento inicial das mídias.

Tendo encerrado a parte mínima do cabeçalho, vamos criar o corpo do documento:

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Nesse caso, criamos o corpo do documento , uma porta, responsável pelo começo da aplicação, com um nome e um componente (que é a mídia inicial). Também descrevemos a mídia, com um nome, o descritor que ela irá utilizar e que vai definir a região em que ela deve aparecer, e uma localização da mídia, criada anteriormente em um editor de imagens. Essa localização aponta para onde o arquivo está salvo e armazenado. No caso, há uma pasta chamada media no mesmo nível onde está o arquivo .ncl.

A aplicação completa deve ter essa cara:

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Antes de terminar é necessário salientar que o nome (id) de qualquer elemento da linguagem NCL não pode ser repetido. A sintaxe não aceita dois objetos com o mesmo nome. Uma dica para evitar esse problema é sempre começar o nome com letras que indicam a base em que ele está inserido. Assim, qualquer ID de região começa com Rg; de descritor com d; de porta com p; e assim sucessivamente. Não é uma regra, mas ajuda bastante.

Agora é só testar a aplicação em alguma ferramenta de teste, descrita em texto anterior. O mais simples é abrir o emulador para Windows e executar o arquivo .ncl. Ao dar play deve aparecer o botão no lado superior esquerdo. Essa aplicação é o exemplo mais simples de documento NCL.

Neste exemplo não tratamos de vídeo, uma vez que o mesmo já estaria no ar. Apenas colocamos um botão vermelho sobre ele. Nos próximos textos iremos aprofundar mais elementos de sincronismo, para chegar na interatividade propriamente dita.

    A Philips anunciou ontem que parar de produzir e vender TVs tridimensionais, que simulam o 3D a partir de vídeos normais de televisão. Segundo a Folha on line, a empresa também não vai mais investir no desenvolvimento desse tipo de produto, hoje oferecido principalmente para fins comerciais, como em ações publicitárias em eventos.
    A Philips previa uma presença doméstica maciça de TVs 3D a partir de 2013, mas até o final do ano passado tinha vendido menos de 3 mil aparelhos no mundo todo, a um custo média de R$ 50 mil. Ao encerrar esse ciclo, a empresa contabiliza um prejuízo de mais de R$ 170 milhões.
    Eu vi algumas demonstrações dessa tecnologia em feiras. Particularmente, vi imagens muito ruins, atrapalhadas e que davam dor de cabeça. Nada que se compara a um ambiente virtual tridimensional imersivo, como a caverna digital do LSI da USP. Até por isso nunca vi muita seriedade nas previsões e estimativas de que a TV digital já nascera tecnologicamente superado pelo 3D. Muito se falou que seria questão de pouco tempo o 3D superar a TV digital; foram feitos prognósticos afirmando inclusive que isso aconteceria antes da adoção da tecnologia no Brasil, que vai em passos de tartaruga.
    Essa parada no desenvolvimento em telas domésticas 3D não tem qualquer relação com o 3D das salas de cinema, que estão em pleno desenvolvimento. No Brasil, o número de salas com projeção 3D pulou de 11 salas no começo de 2008 para as atuais 38, com previsão de inauguração de pelo mais 22 ainda esse ano. E a maioria tem fila para ver os poucos filmes lançados…
    Na televisão, essa tecnologia parece ter surgido e estar condenada pela segunda vez. Mais uma idéia fora do tempo e dos custos de investimento. Quem sabe daqui a mais 10 ou 15 anos…
    Até hoje o Fórum do SBTVD não anunciou oficialmente o resultado da eleição do conselho, que optou por imensa maioria pela adoção do JavaDTV como componente principal do Ginga-J. Para quem tinha pressa, esse atraso causa estranhamento. Aparentemente a negociação com a Sun não está tão bem amarrada quando se divulgou. Há sérios problemas com acesso e uso dos documentos especificados, o que tem gerado críticas bem contundentes de setores da academia. Fora que muita gente tentou participar, inclusive assinando os termos de sigilo com o Fórum e com a Sun e até hoje não foi comunicado de absolutamente nada.
    A evolução do padrão de middleware ainda não está clara. Há muita gente falando, mas nada embasado nos documentos. O contrato assinado pelo Fórum com a Sun prevê apenas o desenvolvimento do padrão e dá garantias de uso gratuito da norma pelo Brasil. O que não significa que o país poderá determinar futuras atualização e muito menos que não há implicação de royalties. Este último um tema ainda totalmente obscuro, cheio de boicotes dos detentores dos direitos, que não passam informações básicas sobre custos.
    Enquanto isso, a sociedade fica esperando pela tal da interatividade…
    A TV Globo lançou ontem novos programas e apresentou as estratégias para 2009. Entre os destaques das estratégias estão as novas mídias e novas formas de comunicação. Além de reforçar a produção de conteúdo exclusivo para celulares, a emissora aposta na distribuição de conteúdos da programação em telas dentro de ônibus, táxis e outros pontos públicos da cidade de São Paulo. O projeto ainda está embrionário, na fase de pré-testes, e envolve parceria e cooperação com as empresas de mídia indoor existentes atualmente.

    Além disso, a emissora reforçou a importância do HDTV. Até o início da copa do mundo do ano que vem, o sinal digital da Globo deve chegar a 50% da população. Será um momento chave de uso das mídias atuais para alavancar a venda de receptores. Até o final de 2009 todos os jogos de futebol estarão em alta definição.

    Junto com a aposta na alta definição, a interatividade também teve destaque, sendo apresentada pela primeira vez de forma institucional. Apesar dos problemas e atrasos envolvendo a definição do Ginga, a emissora desenvolveu internamente um portal mesclando informações e serviços, cujo leiaute ocupa a parte adicional do formato 16X9. Uma parte da aplicação foi apresentada ontem: na novela Caminho das Índias o aplicativo permite acessar descrições dos personagens e resultados de enquetes. Feita em NCL e Lua, a aplicação ainda não usa canal de retorno.

Texto originalmente publicado no portal iMasters.

Lua como Mídia de NCL

A seguir alguns conceitos importantes que devemos ter em mente.

Como vimos no artigo passado, um NCLua é um programa escrito em linguagem Lua e que é executado através de um documento NCL. Por sua vez, um documento NCL apenas define como os objetos de mídia são estruturados e relacionados no tempo e espaço, como uma linguagem de “cola”. A relação entre essas diversas mídias é definida através dos conectores.

Uma mídia não tem qualquer comunicação com outra mídia declarada no documento. Sendo assim, o escopo de uma determinada mídia se restringe aos elos definidos no documento e aos eventos gerados para ela ou por ela.

Todas as regras válidas para um nó de vídeo, texto ou imagem, também são válidas para scripts Lua. Quero dizer, todo ciclo de vida, de qualquer nó, é controlado pelo formatador NCL, ele é quem decide se o nó para, começa ou pausa.

Incrementando um pouco mais: já que todas as regras se aplicam igualmente aos nós, podemos definir âncoras para o nó Lua, certo? A sintaxe NCL permite que um elemento pode definir âncoras através de elementos e propriedades através de elementos .

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Então, aplicando isso a um nó Lua temos:

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O código corresponde à figura. Simples assim:

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Bibliotecas NCLua

Para que as duas linguagens se entendam foram definidos quatro novos módulos para NCLua, além do conjunto padrão de bibliotecas. São eles:

  • Módulo canvas: oferece uma API para desenhar primitivas gráficas e manipular imagens;
  • Módulo settings: exporta uma tabela com variáveis definidas pelo autor do documento NCL e variáveis de ambiente reservadas em um nó “application/x-ginga-settings”;
  • Módulo persistent: exporta uma tabela com variáveis persistentes, que estão disponíveis para manipulação apenas por objetos procedurais.
  • Módulo event: permite que aplicações NCLua comuniquem-se com o middleware através de eventos (eventos NCL e de teclas);
  • Este artigo irá apresentar o módulo event.

    O script Lua, ao ser iniciado, executa seus procedimentos apenas uma vez e então se torna orientado a eventos e, por isso, até podemos chamá-lo de tratador de eventos.

    Como já dito, a comunicação entre Lua e NCL se dá através dos eventos definidos pela linguagem NCL. Esses eventos, para efeito de código, têm o formato de tabelas Lua. Então quando um nó Lua é iniciado pelo documento NCL, a seguinte tabela é gerada:

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    A tabela chamada evt com 3 campos, class, type e action, diz que a classe de eventos é ‘ncl’, que o tipo de evento foi de apresentação e a ação do formatador que desencadeou a apresentação foi um ‘start’.

    Os elementos da tabela acima:

    1. class: São 5 tipos de classes: ‘key’, ‘ncl’, ‘user’, ‘sms’ e ‘tcp’, focaremos este artigo na classe “ncl”.

    2. type: Pode assumir os valores ‘presentation’ ou ‘attribution’

    Neste ponto irei explorar os dois valores possíveis para type:

    2.1. presentation: Eventos de apresentação controlam a exibição do nó NCLua.
    Eventos de apresentação estão sempre ligados ao nó como um todo ou a âncoras do nó. O documento NCL pode dar um “start” em uma âncora especifica que foi declarada no nó Lua, como a âncora a1 da Figura 2.

    2.2. attribution: Eventos de atribuição controlam as propriedades do nó NCLua.
    Neste caso a manipulação é na propriedade do nó, como a p1 da Figura 2, e um novo campo é associado, o value, que recebe ou atribui valores aquela propriedade.
    Resumindo:

    • type: ‘attribution’
    • property: [string] Nome da propriedade (name) associada ao evento.
    • value: [string] Novo valor a ser atribuído à propriedade

    3. action: Pode assumir os seguintes valores: ’start’, ’stop’, ‘abort’, ‘pause’ e ‘resume’
    Pois bem, a tabela foi gerada, mas aonde é usada? No script Lua, o tratador de eventos. E para que ele seja capaz de capturar os eventos gerados é preciso registrar uma função tratadora:

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    No script acima estou declarando uma função e dizendo que esta função receberá todos os eventos gerados (note que ela recebe como parâmetro uma tabela evt). Assim, o código da função “tratadora” pode manipular a tabela que recebeu, e identificar o tipo de evento e a ação, por exemplo.

    Até aqui, vimos uma função do módulo event, a função register, e também o formato da tabela de eventos e seus respectivos campos.
    Agora uma nova função de event será apresentada, a função post, que é necessária para que o scrpt Lua se comunique com o documento NCL.

    Comunicação Lua para NCL

    Em termos mais práticos vou exemplificar como um sript Lua sinaliza o formatador NCL para parar a execução do nó.

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    De maneira similar, se eu quisesse para a execução de uma âncora do nó, o elemento área, deveria estar presente no código.

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    Uma simples aplicação do código acima. O script sinaliza a âncora para parar. O formatador detecta que a âncora foi parada e, através dos elos associa esse evento ao inicio de uma figura, de background por exemplo.

    Para saber mais:

    Vimos neste artigo uma explanação geral sobre a biblioteca NCLua, continuarei no próximo artigo com este assunto.
    Para quem ficou curioso recomendo fortemente a leitura do tutorial sobre NCLua escrito pelo Francisco Santana da PUC-Rio, la existe toda documentação sobre os métodos, exemplos e onde achar mais bibliografia sobre o assunto.

    O link é:

    http://www.telemidia.puc-rio.br/~francisco/nclua/index.html

        Finalmente saiu a posição do Fórum do SBTVD sobre o que vai ser o middleware Ginga. Por 12 votos a favor da especificação desenvolvida pela Sun, contra apenas um voto a favor de Ginga-NCL mais Lua, o middleware brasileiro será um misto de tecnologia nacional e norte americana. A parte declarativa foi desenvolvida pela Puc-Rio e a parte procedural pela Sun Microsystems, que está prestes a ser vendida para a IBM.
        O acerto ou erro dessa decisão ainda será fruto de muita discussão no futuro. O que fica por hora é a certeza de que finalmente a interatividade deverá deslanchar no país, com a maioria eslagadora das aplicações desenvolvidas em NCL e LUA. Pelo menos no começo.

    Notícia publicada na coluna do Daniel Castro, na Folha de hoje:

    Globo prepara telejornal só para celular

    A Globo vai testar no segundo semestre a produção e transmissão de telejornais exclusivos para telefones celulares. A novidade será anunciada na próxima quarta-feira, em São Paulo, pelo diretor da Central Globo de Jornalismo, Carlos Henrique Schroder, na apresentação para a imprensa da programação de 2009.
    Schroder falará dos investimentos que a Globo vem fazendo em conteúdos jornalísticos para novas plataformas, o que inclui também internet.
    As novas mídias entraram em 2008 na lista de prioridades da Globo. Em mensagem ao mercado financeiro, na semana passada, Roberto Irineu Marinho, presidente do grupo, ressaltou que “a evolução tecnológica da indústria de comunicação está criando novas oportunidades de participação, interatividade e de escolha do público sobre que conteúdos consumir, como e quando fazê-lo”, conforme informou o noticiário especializado “Tela Viva”.

    Certamente um sinal de novas interpretações da convergência tecnológica. Há anos afirmo que, se tem alguém no Brasil capaz de seguir o modelo BBC de comunicação e de produção integrada de conteúdos para todas as mídias, esse alguém é a Globo. Pena que a visão ultrapassada de alguns diretores (que estão ficando de lado, o que precisa ser registrado) ainda poda algumas idéias. No que se refere à interatividade, mais surpresas virão assim que o Ginga estiver definido e no mercado.