Sex 16 Jan 2009
-
Muito esclarecedora a entrevista com a diretora Jana Bennett, da BBC, levada ao ar na segunda-feira passada pelo programa Roda Viva, da TV Cultura. A entrevistada falou sobre financiamento da emissora, políticas de gestão de uma empresa realmente pública, das tentativas mal sucedidas de ingerência estatal.
O que chamou a atenção mesmo foi a explanação sobre a postura da BBC diante das novas tecnologias. Jana esclareceu alguns mitos que ainda são discutidos por aqui e há anos superados pela BBC, como a falsa idéia de que internet tira audiência da televisão e de que os jovens assistem menos TV.
Segundo ela, essa abordagem é equivocada, pois os jovens assistem tanto TV quanto antes, senão mais. Porém, não estão diante da TV tradicional, e sim buscando conteúdo da TV em outras mídias, como internet. A emissora chegou a essa conclusão estudando o comportamento e o perfil de diferentes faixas etárias na internet. Desse estudo surgiu uma postura mais agressiva nas novas mídias: “Estamos em qualquer mídia, seja TV, internet, games, celular, rádio”. De fato, a BBC vai aonde a audiência está, oferecendo apenas um produto, formatado conforme a mídia.Dessa forma os programas são destinados a públicos e mídias específicas.
Trata-se de uma nova forma de enxergar a televisão, que deixa de ser uma caixa na sala para virar conteúdo audiovisual em qualquer mídia. É a realidade contradizendo a teoria, pois o meio de transmissão simplesmente deixa de ter importância. Esse conteúdo audiovisual precisa atender o que a audiência busca, seja informação, entretenimento ou trabalho. Jana explicou que para tanto a interatividade é fundamental. É através dela que a emissora consegue se aproximar dos diferentes públicos, principalmente na internet.
Por falar em interatividade, a executiva afirma que o público não quer interagir sempre. Há momentos em que as pessoas querem apenas ver TV, sem fazer nada. Isso independe da idade, segundo ela, desde que o programa seja bom e estimule o relaxamento diante da tela.
Atualmente quase 90% do Reino Unido possui TV digital. Esse sucesso de implantação se deve a uma estratégia ousada, não só da BBC, mas de praticamente todas as emissoras britânicas: conteúdos diferenciados para transmissão analógica e digital. Além da interatividade, muito explorada pela emissora, conteúdos novos e canais novos foram oferecidos. Assim, quem sintonizava a TV analógica ficava com a sensação de estar perdendo algo. Lembrando que no Brasil está acontecendo exatamente o contrário, com a obrigação de transmitir o mesmo conteúdo em HD, SD e 1-Seg. Depois os cérebros por trás do processo não conseguem entender porque a TV digital tem pouca atratividade no país.
A executiva ainda explicou porque a BBC, e praticamente nenhuma emissora européia, está transmitindo sinal para dispositivos móveis e portáteis. “É muito caro. Simplesmente ainda não vale a pena.” Lembrando que o sistema europeu de TV digital utiliza outra freqüência para as transmissões móveis, que estão a cargo das operadoras de telefonia, que cobram assinaturas pelo serviço.
Enviar por e-mail. Hits para esta publicação: 170.