- Sky anuncia abertura de mil vagas, para trabalhar com alta definição e call center. São 600 vagas para engenharia e 400 para atendentes de call center. A demanda se deve em função do aumento do número de assinantes do serviço de alta definição. O número aumentou em 171 mil assinantes no último trimestre de 2008, fechando um total de 779 mil. Trata-se de um aumento de 20%, o que ainda é pouco considerando que na Inglaterra existem cerca de sete milhões de receptores HD. Lembrando apenas que o país não adota a alta definição no seu sistema de TV aberta. O receptor HD da Sky custa £49, algo perto de R$ 160,00 pelo câmbio de hoje.
Enquanto isso, no Brasil, o empréstimo do receptor HD da NET custa R$ 799,00, com cinco canais oferecendo conteúdo em HD…
Janeiro de 2009
Qui 29 Jan 2009
Qui 29 Jan 2009
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Como era de se esperar , o projeto de adiar o desligamento da TV analógica nos Estados Unidos, aprovado pelo Senado do país, foi reprovado ontem pelos deputados. O projeto previa que o switch-off fosse adiado de 17 de fevereiro para 12 de junho e tinha apoio do presidente Barack Obama. Todo partido republicano, da oposição, pressionou para que o projeto fosse rejeitado, alegando que o adiamento criaria uma série de outros problemas, uma vez que as frequências analógicas já foram vendidas. O partido democrata, da situação, está tentanto marcar uma nova votação para semana que vem.
Para minimizar o problema de quem ainda não tem acesso à TV digital, começou a tramitar outro projeto que libera mais verba para a distribuição de cupons que podem ser usados para trocar por conversores digitais. Sem mudar a data de desligamento.
Ter 27 Jan 2009
Senado americano adia para junho prazo para a transição da TV digital
Publicado por Valdecir Becker sob InformaçãoSem Comentários
27/01/2009 | Redação - Tele Síntese
O Senado americano aprovou ontem o adiamento do término do processo de transição para a TV digital nos Estados Unidos. A data original para o fim das transmissões analógicas, 17 de fevereiro, foi mudada para 12 de junho. A preocupação dos congressistas americanos é de que muitos telespectadores ainda não estão prontos tecnicamente para a mudança. O adiamento havia sido solicitado pelo presidente Barak Obama e a Administração Nacional de Telecomunicações e Informação, órgão do Departamento de Comércio, havia alertado que o fundo de US$ 1,34 bilhão era insuficiente para atender a demanda de cupons de desconto na compra do setop box, e que seria necessário um valor adicional de US$ 330 milhões.
A prorrogação do prazo também irá permitir que muitos consumidores com cupons de desconto de US$ 40 para a compra de setop boxes, cuja data de validade já expirou, possam pedir novos cupons. Ainda há cerca de 2,5 milhões de americanos em uma lista de espera para conseguir os cupons. Além disso, há uma estimativa de que aproximadamente 20 milhões de pessoas, entre a população mais pobre, idosos e moradores de áreas rurais, não estejam preparadas para a mudança por possuírem televisores antigos. (Da redação, com agências internacionais)
Ter 27 Jan 2009
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A Revista Wired trouxe, na semana passada, um artigo muito interessante sobre como ferramentas de vídeo on line estão mudando nossa percepção sobre ver e fazer vídeo. O autor Clive Thompson analisa fenômenos de vídeo colaborativo on line, que trazem conceitos novos de audiovisual, totalmente diferentes do que conhecemos na TV ou no cinema.
As novas ferramentas de gravação e edição, agora sim baratas e acessíveis a todo mundo, estão criando uma geração de produtores audiovisuais que desconhecem as regras tradicionais de produção, e por isso, estão livres para criar e desenvolver, com muita criatividade. É a repetição de um fenômeno que aconteceu na TV, na década de 1950 e 1960, no Brasil. Sem saber o que poderia ser feito com essa nova mídia, a saída foi fazer um rádio filmado, com programação em estúdios. Anos mais tarde percebeu-se que a presença da imagem poderia gerar novos produtos. Foi quando a linguagem da televisão começou a ser pensada.
Fenômeno semelhante aconteceu na internet. Sem conhecer o seu real potencial, inicialmente o vídeo postado on line era semelhante ou igual ao da televisão ou do cinema. Agora, com percepção de que vídeo na web pode ser muito mais que isso, surgem novos formatos e novas linguagens, explorando a convivência e interatividade da rede.
A produção colaborativa de vídeo me parece ser a última grande fronteira a ser superada pelo paradigma atual de comunicação. A internet, especialmente a web, mostrou como superar a forma de comunicação e organização social predominante desde o surgimento da escrita. Um escreve e muitos leem. O poder do domínio da informação foi totalmente deslocado. Hoje, ao contrário de 20 anos atrás, ter informação não significa muito. É interessante saber, no mínimo, usar essa informação. O ideal é ser um gerador de informações. Essa mudança aconteceu com o fácil acesso a tudo e todos proporcionado pela web.
Isso na organização social escrita. Se pensarmos em vídeo, o modelo continua o mesmo: um produz e muitos assistem. Essa regra está começando a ser quebrada com o acesso fácil a ferramentas de produção e disponibilização on line. Agora, produzir junto, unindo inteligências, surge como próximo passo. Que tal uma wikipedia em forma de vídeo?
Sáb 24 Jan 2009
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A Campus Party versão 2009 deixou muito a desejar. Com uma organização desastrosa, o maior encontro nerd brasileiro praticamente não mostrou nenhuma inovação tecnológica atual, ou alguma tecnologia de ponta. Talvez tenha servido para os cerca de seis mil participantes, quatro mil acampados e mais dois mil visitantes, conforme números da organização. Uma experiência certamente inesquecível, talvez boa troca de conhecimentos. Algumas palestras oferecidas apresentavam temas interessantes, com nomes de peso. Pena que a maioria delas não tinha mais que meia dúzia de pessoas assistindo.
Olhando para as tecnologias apresentadas na feira, e mesmo na área de desenvolvimento, a visita foi desanimadora. O que de mais atraente teve talvez tenha sido a TV 3D da Philips, ainda nova, mesmo que já tenha sido apresentada em vários outros eventos. Robozinhos feitos com lego são brincadeiras de estudantes de engenharia há pelo menos 15 anos; mover uma bolinha com a mente chega a ser ridículo quando lembramos que tem gente que faz isso com cadeira de rodas (isso foi publicado a dois anos na Science, se não me engano); inserção real em games virtuais é a base da realidade virtual (bater em alguém não é nada quando você pode mover um planeta). O concurso de modding certamente foi atraente, com modelos bonitos e bem feitos. Mas nada diferente em relação ao ano passado. Enfim, ao contrário do que dizia a propaganda da organização, de tecnologias avançadas não teve muita coisa.
A grande atração para os nerds certamente foi a presença das coelhinhas da Playboy, no stand da Editora Abril. Se bem que, olhando mais de perto, as coelhinhas estavam mais para coelhonas (ou será que foi falta de Photoshop?)…
Sáb 24 Jan 2009
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Entrevista muito interessante dada pelo presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, para a Revista TV Latina.
Marinho fala das estratégias da TV Globo, com enfoque na convergência de tecnologias, algo difícil de ser comentado abertamente no setor de radiodifusão. A aposta na TV digital, interativa e portátil, está aliada ao uso da internet como ferramenta de aproximação da emissora com o público.
Questionado sobre o crescimento das Organizações Globo, Marinho responde:
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Desde el comienzo de esta década, nuestra estrategia ha sido enfocar nuestras inversiones en la producción de programación de contenido de calidad, saliendo de otros negocios. Procuramos no anticipar los deseos y los hábitos de los consumidores de medios y queremos garantizar que nuestros contenidos funcionen como un punto de encuentro, un lenguaje común que permita o establezca relaciones positivas entre todos. En ese sentido, vemos cuatro áreas de crecimiento:
Primero, la expansión de la televisión abierta que, creemos, continuará siendo un gran medio de masas brasileño, revitalizada por la tecnología digital, con movilidad, calidad e interactividad.
Segundo, una mayor oferta de contenidos segmentados, atendiendo los intereses de los diferentes grupos y ‘tribus’. Tercero, actuar atrevidamente en el mundo digital, llevando contenidos de diferentes maneras, con diferentes formatos y lenguajes, permitiendo una amplia interacción con el cliente. Y, por último, las coproducciones internacionales, que unieron nuestra pericia con la producción de algunos tipos de contenidos, como las novelas, con el conocimiento del sabor local.
Trata-se de um ato corajoso, é preciso reconhecer. Até pouco tempo a internet era vista como inimiga, com críticas públicas oriundas de praticamente todos os setores da emissora. E essa nova postura pode ser conferida já no portal G1, que, junto com o Terra TV, me parecem os exemplos mais concretos e avançados de convivência e uso inteligente dos recursos interativos da web na tradicional TV aberta.
Vale a pena ler a entrevista inteira.
Qui 22 Jan 2009
Pós-graduação em TV digital na Metodista
Publicado por Valdecir Becker sob InformaçãoSem Comentários
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A Universidade Metodista está com as inscrições abertas para mais uma turma do curso de especialização em Produção para TV interativa. O curso é voltado à formação de produtores de conteúdo interativo para TV digital, mesclando conteúdos de comunicação e de informática. O currículo é divido em três módulos básicos, que correspondem a três semestres: no primeiro, o aluno é instrumentalizado para compreender o novo mercado da convergência digital, onde se insere a televisão interativa. No segundo módulo começa a produção de conteúdos visando a implantação gradual da interatividade nas emissoras abertas; finalmente, no terceiro módulo, o processo criativo é enfatizado, onde o aluno deve desenvolver propostas inovadores para essa nova mídia.
A interatividade é uma nova forma de comunicação, que envolve inúmeras possibilidades diferentes de desenvolvimento de conteúdos. Engloba comunicação televisiva fixa, móvel e portátil, com reflexos na internet e no mercado de comunicação móvel da telefonia.
O curso habilita os alunos a implantar e desenvolver interatividades nas diferentes plataformas que envolvem conteúdo audiovisual, especialmente a televisão, nas suas variadas formas de recepção: fixa, móvel e portátil. As emissoras de TV estão fazendo testes sobre quais modelos de interatividade são melhores para cada perfil de audiência, e têm demanda por profissionais que dominem os novos recursos tecnológicos e sua relação com o telespectador. Essa demanda se estende a empresas especializadas em conteúdo interativo, agências de publicidade e produtoras de conteúdo audiovisual. O curso é uma oportunidade única para profissionais da TV se colocarem a par do desenvolvimento tecnológico e da implantação da TV digital no Brasil, gerando e desenvolvendo novos modelos e formatos de conteúdos.
Atualmente o curso está na segunda turma. Mais informações em http://www.metodista.br/lato/tv-interativa. Nesse endereço também é possível baixar os trabalhos de conclusão de curso da primeira turma, formada em agosto de 2008. Também estão disponibilizadas algumas palestras promovidas pelo curso.
Sáb 17 Jan 2009
Relatório Ibope/NetRatings divulgado sexta-feira, 16: O Brasil encerrou o ano de 2008 com 24,5 milhões de usuários residenciais ativos de internet, o que represente um aumento de 14,7% em relação ao mesmo mês de 2007 e de 0,5% ante novembro.
Considerando todos os ambientes (residências, trabalho, escolas, lan-houses, bibliotecas, telecentros), o número total de navegantes ativos com16 anos ou mais foi de 43,1 milhões.
Fazendo um comparativo entre 2005 e 2008, o número de internautas em residências dobrou nesses três anos. O resultado de dezembro de 2008 foi 69% superior a dezembro de 2006 e 100% maior do que dezembro de 2005, quando havia pouco mais de 12,2 milhões de internautas residenciais ativos.
No final do ano, o tempo médio de navegação do internauta residencial foi de 22 horas e 50 minutos. Com esse número, 4% menor do que em novembro, o Brasil caiu do primeiro para o terceiro lugar em tempo médio de navegação residencial. A liderança agora é da França, com 23 horas e 39 minutos. Em segundo lugar apareceu a Alemanha, que tem 23 horas e 3 minutos de navegação por pessoa em residências.
São números animadores, mas ínfimos se considerarmos que o país tem mais de 180 milhões de habitantes. Ou seja, menos de 15% nevegam na internet em casa; 24% usam a internet somando todos os lugares de acesso. Resumindo: 3 em cada 4 brasileiros ainda não usam a internet.
Sex 16 Jan 2009
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Muito esclarecedora a entrevista com a diretora Jana Bennett, da BBC, levada ao ar na segunda-feira passada pelo programa Roda Viva, da TV Cultura. A entrevistada falou sobre financiamento da emissora, políticas de gestão de uma empresa realmente pública, das tentativas mal sucedidas de ingerência estatal.
O que chamou a atenção mesmo foi a explanação sobre a postura da BBC diante das novas tecnologias. Jana esclareceu alguns mitos que ainda são discutidos por aqui e há anos superados pela BBC, como a falsa idéia de que internet tira audiência da televisão e de que os jovens assistem menos TV.
Segundo ela, essa abordagem é equivocada, pois os jovens assistem tanto TV quanto antes, senão mais. Porém, não estão diante da TV tradicional, e sim buscando conteúdo da TV em outras mídias, como internet. A emissora chegou a essa conclusão estudando o comportamento e o perfil de diferentes faixas etárias na internet. Desse estudo surgiu uma postura mais agressiva nas novas mídias: “Estamos em qualquer mídia, seja TV, internet, games, celular, rádio”. De fato, a BBC vai aonde a audiência está, oferecendo apenas um produto, formatado conforme a mídia.Dessa forma os programas são destinados a públicos e mídias específicas.
Trata-se de uma nova forma de enxergar a televisão, que deixa de ser uma caixa na sala para virar conteúdo audiovisual em qualquer mídia. É a realidade contradizendo a teoria, pois o meio de transmissão simplesmente deixa de ter importância. Esse conteúdo audiovisual precisa atender o que a audiência busca, seja informação, entretenimento ou trabalho. Jana explicou que para tanto a interatividade é fundamental. É através dela que a emissora consegue se aproximar dos diferentes públicos, principalmente na internet.
Por falar em interatividade, a executiva afirma que o público não quer interagir sempre. Há momentos em que as pessoas querem apenas ver TV, sem fazer nada. Isso independe da idade, segundo ela, desde que o programa seja bom e estimule o relaxamento diante da tela.
Atualmente quase 90% do Reino Unido possui TV digital. Esse sucesso de implantação se deve a uma estratégia ousada, não só da BBC, mas de praticamente todas as emissoras britânicas: conteúdos diferenciados para transmissão analógica e digital. Além da interatividade, muito explorada pela emissora, conteúdos novos e canais novos foram oferecidos. Assim, quem sintonizava a TV analógica ficava com a sensação de estar perdendo algo. Lembrando que no Brasil está acontecendo exatamente o contrário, com a obrigação de transmitir o mesmo conteúdo em HD, SD e 1-Seg. Depois os cérebros por trás do processo não conseguem entender porque a TV digital tem pouca atratividade no país.
A executiva ainda explicou porque a BBC, e praticamente nenhuma emissora européia, está transmitindo sinal para dispositivos móveis e portáteis. “É muito caro. Simplesmente ainda não vale a pena.” Lembrando que o sistema europeu de TV digital utiliza outra freqüência para as transmissões móveis, que estão a cargo das operadoras de telefonia, que cobram assinaturas pelo serviço.
Sex 16 Jan 2009
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A IEEE Spectrum lançou um contador regressivo até o desligamento das transmissões analógicas no EUA, previsto para 17 de fevereiro. O site traz ainda uma breve história do NTSC e do ATSC, (padrões analógico e digital, respectivamente) e uma série de informações técnicas muito boas e completas sobre sistemas e funcionamento da TV digital. A maioria dos textos está na biblioteca da IEEE Explore, o que demanda assinatura. Muitas universidade tem acesso.
Conversei com alguns amigos que moram nos EUA e, segundo eles, a data deve ser mantida. Como as frequências analógicas já foram vendidas (e por um preço muito bom, mais de U$ 30 mi), ficaria muito difícil prorrogar o prazo. Mas como Barack Obama será empossado semana que vem, pode haver mudanças. Lá, como aqui, a decisão da TV digital é política.
Qui 15 Jan 2009
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Notícia publicada pela Tela Viva: “A Al Jazeera Network está distribuindo através de licença Creative Commons parte de seu conteúdo. Os vídeos, com qualidade broadcast, podem ser usados para fins comerciais ou não, desde que a rede seja informada. No lançamento, a Al Jazeera está liberando parte de sua cobertura dos confrontos em Gaza. O conteúdo está disponível no site cc.aljazeera.net.”
Independente dos objetivos políticos da emissora para divulgar o genocídio que está acontecendo na faixa de Gaza, essa iniciativa representa uma percepção diferente a que estamos acostumados no Brasil sobre o valor do conteúdo da TV.
No Brasil o conteúdo é tratado como produto acabado em si, como se fosse um bem físico. Busca-se garantir lucros sobre uma possível audiência. Pouco se considera o valor subjetivo do conteúdo, principalmente a informação presente nele.
Já no exterior, em emissoras como BBC, Deutsche Welle, Rai, e agora Al Jazeera, a informação tem muito mais valor do que o produto. Considera-se importante que a audiência consuma o produto, independente do meio ou da forma de acesso. São casos em que os gestores das emissoras perceberam que seu papel é gerar conteúdo, ou seja, informar e entreter. A percepção comum no Brasil é que as emissoras de TV comercializam conteúdos, independente da origem.
São modelos diferentes, que a longo prazo (talvez não tão longo) tendem a convergir para o core business das emissoras, que é gerar conteúdo, independente da plataforma ou tecnologia de distribuição.
Qua 14 Jan 2009
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O site Producom traz uma sugestão interessante, feita por Juan Pablo Álviz, Assessor Tecnológico da Albavisión: negociar com os fabricantes o desenvolvimento de receptores de TV digital multipadrão, capazes de receber o sinal de qualquer sistema transmitido. Isso permitiria ganhos de escala e preços menores.
Como a América Latina não terá um padrão único de transmissão de TV digital, pois vários países já fizeram suas opções, como a Colômbia e o Uruguai pelo DVB (este último com muitos problemas, não descartando a rescisão dos contratos com o consórcio europeu), diminui a quantidade de receptores fabricados em cada padrão. Uruguai e Colômbia não são compatíveis com o sistema europeu, assim como o Brasil não é compatível com o sistema japonês.
A proposta é plenamente viável. Me parece que os custos para incluir a recepção dos diferentes padrões compensa no ganho de escala. Afinal, os chips que fazem a recepção do sinal são capazes de receber qualquer padrão, podendo surgir pequenos problemas devido às diferentes formas de modulação utilizados. A demultiplexação é igual para todos; a decodificação é simples, sendo que os chips decodificadores utilizados no Brasil decodificam qualquer sinal MPEG no mundo. O resto é software, que não encarece muito os receptores, ainda mais em larga escala. Além disso, representa uma nova oportunidade para o Ginga, que poderia aí sim virar um padrão internacional e entrar em mercados como Argentina e Chile, ambos bem encaminhados mas sem nenhum contrato de fato assinado.
Ter 13 Jan 2009
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Causa estranheza a confusão conceitual feita pela TV Cultura no lançamento do IPTV Cultura. Conforme o próprio site, a emissora “coloca no mercado mais um serviço de comunicação, o ‘IPTV Cultura’, que consiste em um canal de transmissão ao vivo, via internet, de eventos e atividades afins, com espaço de bate-papo e moderação, além de disponibilidade de conteúdo, via satélite.”
O problema é que IPTV não tem nada a ver com vídeo na internet. Essa confusão é comum em jornalistas desinformados ou sem formação técnica, mas jamais deveria aparecer em uma instituição do tamanho e da seriedade da TV Cultura.
IPTV é um serviço de TV por assinatura, onde a transmissão é feita usando o protocolo IP. Na Wikipedia tem explicações bem coerentes e completas sobre IPTV e Internet Protocol.
A impressão que fica é uma tentativa forçada de transformar o termo IPTV em sinônimo de vídeo na internet ou webTV. No Brasil conheço apenas dois sistemas de IPTV em funcionamento: o IPTV da USP, acessível apenas dentro do Campus (fora é webTV), e o da Brasil Telecom, que comercializa um sistema de vídeo sob demanda usando o protocolo IP.
Ter 13 Jan 2009
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Vejam resposta de Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV-RJ, em entrevista à Folha on Line, sobre a transmissão ilegal do sinal das emissoras de TV na web: “É preciso considerar se essas TVs on line não estão aumentando a audiência das redes, já que, no modelo de negócio da TV, quanto mais gente assistindo, melhor para quem está transmitindo. Isso pode ser um indício de uma mídia nova que pode ser ocupada pelo sinal de TV.”
Lemos estava se referindo a TVs on Line como Miro e Justin.tv, onde os próprios usuários criam seus canais de televisão. No Justin.tv, por exemplo, todas as redes de TV brasileira, e as principais do mundo, estão disponíveis gratuitamente, montadas por usuários, que pegam o sinal do ar e o retransmitem na internet. Canais pay-per-view, como transmissões esportivas, eróticos e de luta, também estão acessíveis. Além disso, muitos canais de filmes estão proliferando, com atrações inéditas muitas vezes até para os cinemas brasileiros. No final de semana estavam disponíveis, por exemplo, “O Curioso Caso de Benjamin Button” - estrelando Brad Pitt - que estreia na próxima sexta nos cinemas brasileiros, e “Foi Apenas um Sonho”, com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, também inédito nas salas de cinema do país.
Testei alguns desses canais. O uso é muito simples: basta baixar e instalar um software apropriado, disponível nos sites dessas redes, e escolher o canal. Em alguns casos é difícil achar a programação, mas com paciência e um pouco de sorte, encontra-se muita coisa. A qualidade dos vídeos não é muito boa, tendo como referência a televisão. Mas considerando Youtube como parâmetro, a imagem é bem melhor.
A discussão que surge dessas práticas reflete o modelo de negócio das emissoras de TV. Pelo código penal brasileiro é crime repetir sinais de TV para fins comerciais; a pena varia entre 4 e 6 anos de reclusão. Agora simplesmente colocar o sinal na web sem ganhos financeiros é no máximo uma infração leve, dependendo do artigo em que seja enquadrada. Dificilmente o autor será preso. Ainda tem mais, como comentou o advogado Ronaldo Lemas: na TV aberta, essas transmissões trazem audiência para as emissoras. Isso é crime ou deveria ser recompensado? Uma coisa é fato: se as emissoras não ocupam o lugar, os internautas dão um jeito de preencher esse espaço vazio.
Não resta dúvida que é antiético e imoral replicar sinais de pay-per-view e colocar filmes que estão no cinema na web. Mas quem nunca baixou um filme ilegal porque considerou o preço do cinema caro? ou porque ainda não tinha estreado no Brasil? ou um MP3 porque o CD estava caro?
Esse debate transcende e muito o código penal e a ética. Trata do avanço tecnológico, que a maioria dos atores envolvidos na cadeia de valor procura esconder. As emissoras de TV e produtoras de cinema estão numa zona de conforto, onde não havia concorrência. Buscam retardar ao máximo o uso dessas tecnologias como novas formas de comunicação e acesso ao conteúdo. Por mais ilegal ou antiético que possa ser, a internet já mudou o modelo de negócio das operadoras de telefonia e da música; agora está chegando a vez do setor audiovisual. Quem resistir estará dando um passo gigantesco na direção errada; quem se adaptar tem mais chances de sobreviver, mas mesmo assim, nenhuma certeza.
Seg 12 Jan 2009
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O The International Communications Market Report, da Ofcom, órgão que regula a comunicação no Reino Unido, fez uma pesquisa sobre o desempenho da indústria mundial da comunicação. Entre os resultados, destaque para a TV digital, mídia que mais cresceu no país nos últimos anos: 86% dos domicílios recebem sinais digitalizados (crescimento de 9 pontos percentuais), contra 70% dos EUA (ganho de 9 pontos) e 66% da França, que foi o país com maior expansão (aumento de 13 pontos).
Além disso, os britânicos também lideram em gravadores digitais de vídeo (DVRs), que permitem parar uma programação, gravar, armazenar e avançar atrações de TV. O aparelho está em 30% dos domicílios do Reino Unido, comparados a 21% na Itália e 20% nos EUA e Canadá. Os DVRs são menos populares na Alemanha (11%) e no Japão (13%). Lembrando que o Tivo, mais popular dos PVRs, revolucionou a forma de ver TV no EUA, onde a indústria da publicidade enfrenta novos desafios para se sobressair à tecnologia que permite pular os intervalos comerciais.
Graças à crescente popularidade dos serviços pagos de TV e à adesão aos gravadores digitais, o relatório de 2007 trouxe um dado novo. Pela primeira vez, a veiculação de propaganda originou menos de 50% da receita total de TV, que recuou ligeiramente para 49% (US$ 162,2 bilhões). Já a receita de assinaturas avançou 2%, para representar 43% do total (US$ 142,1 bilhões).
Outros dados interessantes da Ofcom apontam que a internet de alta velocidade foi a área que mais avançou nos negócios, tanto em termos de conexões como de receita, embora com ritmo menos acelerado do que em anos anteriores. No Reino Unido, por exemplo, o crescimento em 2006 foi de 20%, enquanto o índice no ano seguinte foi de 14%.
Do total de domicílios monitorados na pesquisa, 56% têm conexões de banda larga, contra 12% em 2002. A Holanda lidera com 81% dos domicílios, contra 66% do Canadá, 62% da Suécia, 61% dos EUA e 60% do Reino Unido. De modo geral, entretanto, as taxas de crescimento do setor estão declinando.
O Japão está na dianteira entre os países desenvolvidos no que se refere à oferta da próxima geração das redes de acesso à banda larga, com 85% da população já servida por fibra ótica até a porta das residências. O país lidera em número de aparelhos 3G, usados por 83% dos usuários de celulares. O índice representa um aumento de 50% desde 2004, quando apenas 13% tinham conexões de terceira geração. Em seguida vêm os mercados da Itália (27%), República da Irlanda (26%) e Reino Unido (17%).
Quanto ao preço das assinaturas do chamado pacote “triple-play” — TV, telefonia e internet –, os britânicos também são os mais favorecidos. Um típico pacote de serviços, que inclui uma linha fixa, quatro celulares, TV por assinatura básica e banda larga custa US$ 208,20 mensais. Em comparação, na Itália o pacote sai por US$ 228,22, e na França, a US$ 262,25.
Sex 9 Jan 2009
Hoje circulou uma notícia interessante. O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, pretende adiar o fim das transmissões analógicas. A justificativa está no receio de que espectadores estejam despreparados para a mudança e pelo fato de que o governo não tem mais cupons de auxílio à aquisição de conversores.
“A data de 17 de fevereiro deve ser reavaliada e alterada”, afirmou John Podesta, co-presidente da equipe de transição de Obama, em carta publicada ontem. Há dois anos, o Congresso dos EUA decidiu que a conclusão da transição ocorreria no dia 17 de fevereiro. Estima-se que cerca de 20 milhões de cidadãos americanos ainda não utilizam a tecnologia digital. Lembrando que os EUA tem mais de 300 milhões de habitantes, esse número é percentualmente irrisório.
Pensando nessas pessoas, o governo americano distribuiu cupons de 40 dólares que podem ser usados como desconto para a compra de set top boxes. Podem ser usados até dois por família. O preço médio dos set top boxes nos EUA está em torno deo U$ 200, com modelos no mercado a U$ 98.
Mas no início desta semana o governo informou que os cupons de descontos haviam se esgotado, levando grupos de defesa dos direitos dos consumidores a pedirem pela postergação do prazo.
Caso se confirme esse adiamento, surgirá um problema gigante para a distribuição de frequências, pois a Verizon Communications e a AT&T já compraram as frequências usadas na TV analógica. Um órgão regulador da indústria de telefonia móvel alertou que a protelação abalaria a confiança no modelo de leilão do governo para faixas de frequência, o qual tem gerado bilhões de dólares para os EUA.
Qui 8 Jan 2009
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A convergência entre plataformas totalmente diferentes de comunicação deu um passo importante nesta semana. Durante a feira Consumer Electronics Show, em Las Vegas (EUA), o MySpace anunciou o lançamento do MySpace Widget, uma aplicação para acessar a rede social através da TV digital. Assim, os membros do MySpace podem acessar e atualizar seus perfis, além de interagir com os amigos na interface televisiva. O sistema foi desenvolvido para o canal de aplicações Widget Channel, criado pela parceria Intel-Yahoo.
As interações podem ser feitas em uma pequena porção da tela da TV, enquanto a programação televisiva continua sendo exibida. O MySpace Widget poderá ser visualizado de duas maneiras na tela da TV: a Dock, uma barra na parte inferior, na qual aparecerão as atualizações e os links para as principais ferramentas da rede; e o Sidebar, uma janela expandida que é aberta quando o usuário clica em uma aplicação da Dock e então ganha acesso a todos os recursos disponíveis no Widget. O acesso é feito pelo MySpace ID e a interação com o teclado ou controle remoto do serviço de TV digital.
Com a plataforma Yahoo Widget Engine é possível criar as aplicações interativas usando as linguagens Java Script, XML, HTML e Flash. Apresentado ao mercado em agosto do ano passado, o Widget Channel reunirá os aplicativos do Yahoo para distribuição aos usuários.
Ainda não existe previsão para o lançamento no Brasil. Apesar disso, trata-se de uma boa ferramenta de teste para ver e entender se algo da web realmente pode ter sucesso na TV interativa. Até hoje, a convergência tem mostrado que televisão interativa é algo totalmente diferente da web, com ambas as mídias se completando com ferramentas e recursos diferentes, mas complementares. É esperar para ver…