Está na coluna do Daniel Castro, na Folha de hoje: TV de Lula faz um ano sem conteúdo, sinal e público. O colunista traz a notícia de que após um ano de implantação desastrada, a TV “pública” brasileira só cobre Rio, Brasília e São Luís, além de parabólicas, e dá traço no Ibope.
    Sempre fui crítico do processo de criação dessa TV, que de público tem pouca coisa, pois trata-se de um projeto político mal conduzido. Espero estar enganado, e ser surpreendido pelo cumprimento das eternas promessas de melhora na qualidade e quantidade de conteúdo, mas o cenário hoje não é animador. A programação da TV Brasil é semelhante, senão a mesma, da TVE, com poucos programas inéditos diários, reprises e produções mal feitas, sem qualidade e sem interesse público. Isso para um orçamento anual de R$ 350 milhões, ou seja, quatro vezes os custos de todas as pesquisas da TV digital brasileira. Uma TV pública de fato seria de grande utilidade para o país, com uma alternativa prática ao conteúdo das TVs comerciais, que privilegiam modelos e fórmulas prontas, cujo sucesso é questionado diariamente pelas medições de audiência.

    Outra notícia que circulou no final de semana é que finalmente o poder público está se unindo para criar o operador de rede, figura que centraliza toda infra-estrutura de transmissão, das TV estatais e públicas. Já era tempo de isso acontecer, pois uma única torre de transmissão pode dar conta de oferecer o sinal de todas as TV não comerciais, incluindo as executivas, legislativas, comunitárias, universitárias e as que se dizem públicas, como a Cultura e a TV Brasil. O projeto, se for implementado mesmo, vai representar uma bela economia de recursos públicos.