Seg 17 Nov 2008
- O post anterior, sobre as dúvidas com que a TV digital completa um ano, tem gerado mais discussões do que eu esperava. Vou tentar explicar melhor. Como bem colocou o leitor André, uma coisa é a implantação e outra é a recepção da tecnologia por parte da população.
Durante todas as pesquisas do SBTVD, o projeto estava sob fogo cruzado da mídia, com argumentos que rejeitavam a “reinvenção da roda” e salientavam que o Brasil era incapaz de produzir algo bom que não fosse banana ou jabuticaba. Acabado o projeto, o sucesso foi absoluto, como demonstraram os pesquisadores ao colocarem o sinal do SBTVD no ar, na USP, em dezembro de 2005. Mostrou-se que o país tinha condições de desenvolver tecnologia, e que o projeto tinha gerado um conhecimento inestimado até então. Além disso, as idéias de parte do governo federal para usar a TV digital como forma de inclusão digital despertaram o imaginário de todos os envolvidos no assunto: alguns defendendo a idéia e outros radicalmente contra.
Essa celeuma gerou um destaque na imprensa e em parte da população. Como o projeto estava indo bem, todos os problemas sociais seriam resolvidos. Não raros “intelectuais” profetizaram a internet na televisão, ou o fim da televisão, pois digital era igual internet. Esses ativistas digitais continuam a falar, contaminando as discussões sérias sobre o assunto, como por exemplo, uma análise criteriosa dos sucessos e fracassos da implantação.
Se comparada com outras países, a TV digital brasileira está muito a frente do que estava a TV digital nos EUA, Europa e Japão após o primeiro ano. Tem mais cobertura e mais gente assistindo. É fato. Mas como o assunto gerou um expectativa gigantesca de melhora, coisa que não depende da tecnologia, e sim do conteúdo transmitido, há críticas bem fundamentadas de que a transmissão começou cedo demais e sem o devido planejamento.
Enfim, o sucesso ou o fracasso depende do ponto de partida para a leitura. Se olharmos para a transmissão e recepção, não há semelhantes no mundo que tiveram o mesmo êxito. Se olharmos para a quantidade da programação em alta definição, ou mesmo para a qualidade subjetiva dessa programação, tem atrações que são de chorar.
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Novembro 20th, 2008 at 13:53
Em última análise, o que vale é se as pessoas estão satisfeitas com a TV digital, a alta definição e a interatividade. Foi investido um caminhão de dinheiro que poderia ter sido usado pra construir hospital para fazer uma TV que ninguém vê, uma alta definição que não existe e uma interatividade que virou lenda. Não faz diferença o que os engenheiros dizem sobre o assunto: a TV digital vai ser uma experiência péssima!
Novembro 20th, 2008 at 15:30
Olá Valdecir:
Você acha que a interatividade vai mesmo engrenar? Estou vendo os debates esquentarem e muita gente tomando partido contra.
Novembro 21st, 2008 at 07:45
Agora a culpa é da imprensa e não da falta de planejamento… hahahahahahahaha
Novembro 21st, 2008 at 07:50
Já que a discussão desse blog foi estimulado, gostaria de responder a Janaína: na minha opinião a interatividade tem muito potencial e teria tudo para dar certo se não estivesse não mão das pessoas erradas. Depois do que foi o fiasco do lançamento da TV digital, o lançamento da interatividade (aliás, não era uma coisa só, até o final de 2006?) perdeu a credibilidade e estão fazendo tudo errado, igualzinho fizeram quando lançaram a alta definição. Vai levar anos para arrumar tanto erro… esse governo e esse fórum, que por sinal também ninguém conhece, não tem condições de colocar tv digital ou interatividade para funcionar de verdade.
Novembro 24th, 2008 at 10:52
olá. Mas qualidade de recepção não significa que a Tv brasileira produzirá conteúdo de qualidade;o que as pessoas estão acostumados a assistir na Tv aberta talvez se traduza em interatividade ruim: imagine o programa da Luciana Gimenez colocando algum tipo de pesquisa (de mal gosto, pela categoria do programa), em que as pessoas votariam pelo controle remoto via canal de retorno, e recebendo milhares de participantes? Para atingir e motivar o uso, talvez essa “interatividade ruim” seja o caminho. Não devemos esquecer que os primeiros compradores do set-top-box com interatividade plena, será a classe A e B, que é assinante de Tv a cabo e raramente assiste a aberta; se não houver algum tipo de subsídio, as empresas cobrarão muito caro pelo equipamento, e a interação na Tv aberta estará restrita a pessoas que não assistem Luciana gimenez. Talvez o Silvio Santos lance o set-top-box vendido nas lojas do Baú, em parcelas mínimas, como fez com o computador do milhão.