- O post anterior, sobre as dúvidas com que a TV digital completa um ano, tem gerado mais discussões do que eu esperava. Vou tentar explicar melhor. Como bem colocou o leitor André, uma coisa é a implantação e outra é a recepção da tecnologia por parte da população.
Durante todas as pesquisas do SBTVD, o projeto estava sob fogo cruzado da mídia, com argumentos que rejeitavam a “reinvenção da roda” e salientavam que o Brasil era incapaz de produzir algo bom que não fosse banana ou jabuticaba. Acabado o projeto, o sucesso foi absoluto, como demonstraram os pesquisadores ao colocarem o sinal do SBTVD no ar, na USP, em dezembro de 2005. Mostrou-se que o país tinha condições de desenvolver tecnologia, e que o projeto tinha gerado um conhecimento inestimado até então. Além disso, as idéias de parte do governo federal para usar a TV digital como forma de inclusão digital despertaram o imaginário de todos os envolvidos no assunto: alguns defendendo a idéia e outros radicalmente contra.
Essa celeuma gerou um destaque na imprensa e em parte da população. Como o projeto estava indo bem, todos os problemas sociais seriam resolvidos. Não raros “intelectuais” profetizaram a internet na televisão, ou o fim da televisão, pois digital era igual internet. Esses ativistas digitais continuam a falar, contaminando as discussões sérias sobre o assunto, como por exemplo, uma análise criteriosa dos sucessos e fracassos da implantação.
Se comparada com outras países, a TV digital brasileira está muito a frente do que estava a TV digital nos EUA, Europa e Japão após o primeiro ano. Tem mais cobertura e mais gente assistindo. É fato. Mas como o assunto gerou um expectativa gigantesca de melhora, coisa que não depende da tecnologia, e sim do conteúdo transmitido, há críticas bem fundamentadas de que a transmissão começou cedo demais e sem o devido planejamento.
Enfim, o sucesso ou o fracasso depende do ponto de partida para a leitura. Se olharmos para a transmissão e recepção, não há semelhantes no mundo que tiveram o mesmo êxito. Se olharmos para a quantidade da programação em alta definição, ou mesmo para a qualidade subjetiva dessa programação, tem atrações que são de chorar.