Qui 13 Nov 2008
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Um tema que está permeando as notícias neste final de sobre a TV digital, além do negativismo de sempre da imprensa sobre o processo de implantação, é a falta de informação sobre TV digital e interatividade. Muitas pessoas próximas ou mesmo participando do processo de condução da implantação desconhecem as normas técnicas da ABNT, e não acompanham os esforços para levar o sinal digital a outras cidades. Fora do círculo de implantação da tecnologia, a TV digital raramente é vista como algo além da caixa receptora, gerando dúvidas sobre que aparelho de televisão comprar agora.
Fiz algumas pesquisas informais nas últimas semanas buscando entender o que as pessoas estão pensando em relação à TV digital. A maioria das pessoas com as quais conversei trabalham com tecnologia e têm relação o setor audiovisual. Logo, devem ter um bom conhecimento sobre o tema. Ou deveriam ter… De maneira geral, a TV digital é vista como uma melhora da qualidade da imagem, com qualidade de DVD ou alta definição. A maioria jamais viu uma imagem HD para ter uma base de comparação. Interatividade é algo parecido com pôr a internet na TV. Já a implantação está atrasada e foi mal feita, pois as pessoas não tem TV digital.
A percepção sobre a qualidade do sinal está próxima da realidade. Já o conhecimento sobre interatividade e de como a TV digital está sendo implantada estão mais próximas da mitologia do que da realidade. Essa desinformação tem algumas causas bem conhecidas:
1. Expectativas em excesso antes da implantação. Todos os setores envolvidos na definição do SBTVD venderam a idéia de que a nova tecnologia era mágica (não do ponto de vista artístico), que resolveria problemas e geraria valor para toda população. O modelo regulatório e as estratégias de mercado para a migração analógico/digital foram postergados.
2. Divulgação insuficiente. A campanha da Família Nascimento, levada ao ar pela emissoras de TV no lançamento da TV digital, confundiu mais do que esclareceu. Durante as pesquisas foi vendida a idéia de que a TV digital poderia servir para a inclusão digital; na campanha de divulgação, nada disso foi abordado e a justificativa ou explicação sobre a mudança dos rumos jamais foi apresentada.
3. Confusões sobre o funcionamento da tecnologia digital. Como conseqüência da falta de informações, muita gente comprou set top boxes, e ao chegar em casa, viu uma mensagem de “sem sinal”. A transmissão digital difere drasticamente da analógica, e a manutenção da qualidade do sinal tem como lado negativo a falta de sinal em algumas regiões. Um set top box não é igual a um computador ou um celular, que basta estar ligado para funcionar. A imagem perfeita da TV digital depende do sinal chegar perfeito na antena.
4. Ausência de conteúdo em alta definição. A TV digital estreou com alta definição, mas 90% do conteúdo transmitido foi captado em definição standart, no formato 4X3 e as veses, 16X9. Poucos programas são realmente gerados em HD. Apesar do sinal digital da TV aberta ser muito melhor do que o analógico, a alta definição traz experiências novas e compreensíveis apenas para quem viu uma imagem assim. Converter um sinal captado em 4X3, com 480 linhas, para um sinal HD, com 1080 linhas e com barras pretas nos dois lados, é um desperdício de tecnologia e de investimento nos sistemas de transmissão.
Esses mesmos erros estão sendo repetidos agora, com a definição da interatividade. Já estão a venda há alguns meses set top boxes com Ginga. Todos fora da norma e que não irão funcionar quando as emissoras colocarem o sistema no ar para valer. Quem já comprou set top box, com poucas exceções, terá que comprar outro se quiser interatividade no ano que vem.
Pelo menos em relação ao conteúdo interativo a ser oferecido, o cenário é mais otimista, mas nem um pouco tranquilo. Algumas empresas estão investindo pesado no desenvolvimento e na criação de conteúdos novos para a interatividade, mas a maioria continua sem saber por onde começar. Existem projetos muito ousados em algumas redes de televisão, que podem suprir a demanda reprimida e, novamente, as enormas expectativas que estão sendo criadas em torno do assunto. Apesar disso, assim que a interatividade for lançada, aparecerão várias manchetes de jornal afirmando que não era nada disso que tinha sido prometido. E não vai ser mesmo, pois a implantação de qualquer tecnologia não acontece da noite para o dia. Demanda tempo e ajustes…
Enfim, o Fórum do SBTVD tem um gigantesco problema pela frente, pois se depender apenas de iniciativas isoladas de algumas empresas, as pessoas ainda irão demorar para migrar, apesar da qualidade e alcance do sinal e das possibilidades da interatividade.
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Novembro 14th, 2008 at 08:05
esse texto é oportuno, mas superficial. o problema não é com a tv digital, mas com a educação do povo brasileiro, que não entende nada de tecnologia, como não entende de política ou de economia. o problema do brasil é educação, que inexiste. como explicar algo complexo como tv digital para um analfabeto?
Novembro 14th, 2008 at 09:01
Bem colocado, André. Mas mesmoa ssim devemos começar a informar adequadamente, pois a TV digital, junto com a interatividade, pode ser o começo da mudança desse quadro. Se a sociendade entender a TV digital e a interatividade, e usar isso para aprender, o Brasil terá dado um grande passo para o desenvolvimento. Eu sou otimista sobre isso.
Novembro 14th, 2008 at 09:03
como não é um fracasso, se ninguém tem, ninguém conhece, e ninguém sabe o que é? hahahahahaha, desperdício de dinheiro essa TV digital. Deviam ter colocado as TVs na internet, muito mais barato e acessível.
Novembro 14th, 2008 at 09:29
Senhores:
Não consegui entender esses comentários e nem o post. Como assim, falta conteúdo em alta definição? Estou começando a estudar o assunto agora, mas pelo que acompanhei, as emissoras de TV queriam o sistema japonês por causa da alta definição desde 2000. Alegaram que precisavam da alta definição para concorrer com os DVDs e internet. Vi uma matéria há pouco sobre isso, que saiu no Estadão em 2005. Eu sou daqueles que nunca viu uma imagem em alta definição, mas achava que todos em SP podiam ver. Quer dizer que as emissoras escolheram o sistema japonês sem conteúdo para colocar no ar? porque não escolheram o DVB então, que não é alta definição?
Eu não acho que seja um fracasso, pois a TV digital recém começou. Tem menos de um ano, e em um ano não se faz nada.
Novembro 14th, 2008 at 14:06
Vejam essa notícia de hoje:
TV digital fecha ano com 645 mil usuários no Brasil tendo capacidade para 40 milhões
Um levantamento feito pelo Fórum do Sistema Brasileiro da TV Digital Terrestre (SBTVD) mostrou que, apesar da TV digital brasileira ter condições de oferecer cobertura para 40 milhões de habitantes até o final do ano, deverá chegar em dezembro com apenas 645 mil telespectadores.
As informações se basearam no cronograma de implantação do Ministério das Comunicações e no número de habitantes das cidades que terão transmissão digital até o fim de 2008; ela já está disponível para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre, e chegará a Florianópolis, Salvador e Campinas até dezembro.
Já o número de usuários foi baseado na previsão de vendas de receptores fixos e móveis da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), informou o site Info Online. Estima-se que foram comercializados 150 mil receptores fixos como conversores externos e embutidos em TVs e 150 mil receptores móveis (celulares, minitvs e pendrives).
Em um comunicado, o presidente do SBTVD, Roberto Franco, afirmou que apesar de parecer pequeno, o número de adeptos da TV digital é adequado. Ele explicou que as emissoras estão estreando sinal digital à frente do cronograma oficial - definido pelo ministério das Comunicações - e que “nenhum país conseguiu os resultados obtidos pelo Brasil em tão pouco tempo”.
Novembro 17th, 2008 at 10:31
como foi nos outros países? parece que na europa e nos eua demorou muito mais para ter tanta gente com recepcao digital.
Novembro 17th, 2008 at 10:32
Não podemos nos esquecer que uma coisa é capacidade de recepção da TV digital, que está perto de 40 milhões de pessoas. Outra é a recepção propriamente dita, que depende da audiência comprar os tais set top boxes. O planejamento do SBTVD foi bem executado para levar o sinal digital, mas tem problemas para converser a compra dos receptores.
Novembro 17th, 2008 at 14:53
Vendo as notícias na impresa e as análises que estão sendo feitas, fica claro a falta de planejamento de toda implanatção da TV digital no país. Foi tudo feito de forma equivocada, com uma correria sem fim e sempre arrumndo os problemas na última hora. Durante o SBTVD, foram feitos estudos tecnológicos, mas nada de modelos de negócio, ou sobre as leis que precisavam ser atualizadas. Começou-se a transmitir no sinal digital sem interatividade, que era a única inovação do SBTVD. Agora querem começar a interatividade pela metade, como se as TVs pudessem passar por um processo de atualização. Falta pensar o futuro dessa tecnologia. Falta um plano de ação estratégica para evoluir tanto o SBTVD quanto o Ginga. Enquanto continuar essa indifenição, o povo não vai querer gastar com algo que não sabe se amanhã ainda vai funcionar.
Novembro 24th, 2008 at 12:52
Concordo com os itens levantados no post quanto à desinformação da população quanto à TV digital e sua “mitológica” interatividade. Acredito que cantar o sucesso na implantação do sinal digital é uma ação precipitada e mascara a realidade dos fatos: a divulgação por parte do governo se mostrou bastante falha, a interatividade pode vir a ser instrumento de auxílio à população (reparem que, neste momento, falo auxílio e não “inclusão digital”) quando utilizada para esse fim, mas não se pode esquecer que a estrutura de poucas emissoras dominantes na programaçào da TV aberta ainda interfere de forma sigficativa no controle da audiência, sendo assim, a possibilidade da existência de ações sociais através da TV hoje são as mesmas de amanhã caso não existam mudanças na percepção de valores ou leis que “orientem” a conduta das emissoras durante a implantação da interatividade. Em resumo, é equivocado pensar que a implantação da TV Digital no Brasil se resume ao alcance do sinal, quando a real batalha consiste na divulgação e preparativos para realização dos reais benefícios que a sociedade vai ter com o sinal digital, bem como a construção do conjunto de leis que vai nortear todo esse processo. É, meus amigos, há muito para se fazer. Eu como criadora de projetos para aplicações interativas quero fazer o meu papel e vou precisar de um cenário possível para a concretização de meus atuais trabalhos.