Na teledramaturgia brasileira atualmente no ar, alguém consegue dizer qual produção realmente motiva como compromisso em agenda?

Uma difícil resposta porque aquilo que a TV americana, por exemplo, faz tão bem em muitos casos, nossos autores e diretores não dão tanta importância.

Falta o popular “gancho”, um instrumento específico para prender a atenção e mantê-la por determinado tempo. Quem acompanha “Lost” e “24 horas”, sabe como isso funciona. Tudo é feito para que o telespectador fique “ligado” o tempo todo.

Claro que seria pedir demais, para o produto telenovela, que muitas vezes rompe a marca de 180 capítulos, apresentar ganchos interessantes todos os dias. Humanamente impossível.

Mas nota-se que tal cuidado não acontece sequer semanalmente. Não existe ação, drama e, em alguns casos, nem mesmo história se desenvolvendo na medida desejada.

Houve tempos em que eram apresentadas “as cenas do próximo capítulo”. Não deixavam de ser um gancho. “Viver a Vida” não chega a tanto, mas faz quase isso.

Preparar o público sempre será um bom negócio. Hoje, por fim, é importante saber que as opções de entretenimento não se limitam unicamente à TV. Paisagem por paisagem, melhor a natural.

Texto de Flávio Ricco

Fonte: TV audiência

    Depois de várias experiências com transmissões tridimensionais pelo mundo afora, incluindo demos da TV Globo durante o carnaval carioca, a competição finalmente chegou aos cinemas brasileiros. Segundo Daniel Castro, a maior bilheteria dos cinemas, o filme Avatar, vai demorar para chegar à televisão aberta. Executivos da Fox no Brasil estimam que isso só ocorrerá em 2012 ou 2013. Isso porque o filme é um sucesso absoluto nas salas estereoscópicas. E demorando mais para sair de cartaz no cinema, demora mais para sair em DVD, na TV por assinatura e consequentemente, na TV aberta. Hollywood surfa na onda do 3D, única arma contra a pirataria.

    Primeiro longa de live action (com personagens de “verdade”, e não em animação) produzido especialmente para a tecnologia 3D digital, o filme deve permanecer em cartaz nos cinemas por vários meses. Espectadores que viram a obra em 2D tendem a assisti-la em 3D. Os mais fanáticos pelo filme ainda o consomem também nas salas Imax.

    Essa sobrevida de Avatar nos cinemas impactou nos demais lançamentos. No Brasil, o novo Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, também em versão tridimensional, teve sua estreia nos cinemas adiada de 5 de março para 16 de abril. Justamente para não competir com Avatar, que deve lotar as poucas salas em 3D disponíveis ainda por um bom tempo. Como a pirataria não chegou no 3D ainda, é possível fazer esses adiamentos. Os fãs que esperem…

    Além disso, Avatar será o filme mais caro da TV aberta. A Fox cobra um percentual sobre o desempenho de cada longa de sucesso nos cinemais nacionais. Até o último dia 9, Avatar já tinha rendido R$ 81,5 milhões no Brasil, com 7,5 milhões de espectadores _3 milhões em salas 3D, um recorde. Lembrando que a venda para a TV deve ser aprovada pelo diretor do filme, James Cameron.

    Em tempo. A Sony, principal patrocinadora da Copa da África, vai captar todos os jogos do evento em 3D. A ESPN já anunciou a transmissão tridimensional da copa para os EUA. No Brasil, é provável que iremos torcer nos cinemas, vendo os jogos em 3D. A Sony está negociando as transmissões para algumas salas. Além disso, nos EUA já estão surgindo canais 3D na TV por assinatura. No Brasil, apenas promessas, enquanto a NET apanha para colocar o HD com qualidade no ar.

    A TV Globo lançou um blog sobre recuperação de Luciana, personagem de Alinne Moraes na novela das oito “Viver a Vida”. O blog, chamdo “Sonhos de Luciana”, é atualizado pela equipe de produção. O espaço é destinado para que a personagem conte sua experiência e suas dificuldades ao se tornar tetraplégica. O lançamento do blog ocorreu na última terça, sincornizado com uma cena em que Luciana aparece blogando pela primeira vez na novela.

    Vários internautas estão encarando a personagem como se fosse real. Um dos comentários: “Oi Lu, sua história de vida é muito surpreendente e bonita, tenha fé que você vai melhorar, se curar e voltar a andar”. Segundo a emissora, o blog foi uma ideia do diretor Jayme Monjardim, logo aprovada pelo novelista Manoel Carlos. As postagens são feitas por uma equipe de roteiristas da novela, que recebem consultoria de médicos e cadeirantes.

    Trata-se de uma iniciativa muito comum nos EUA, onde personagens de filmes e séries atuam como pessoas reais na web, agragando valor e experiências. Em alguns casos, o personagem fica mais marcado e conhecido do que o próprio ator, sinal de que a convergência de mídias e a complementaridade de histórias pode dar muito certo.

O Ibope Mídia divulgou hoje números sobre a Internet brasileira em dezembro do ano passado. Seguem os números mais expressivos:

* 66,3 milhões de pessoas têm acesso à web no Brasil; 46,8 milhões são usuários ativos (navegam pelo menos uma vez por mês);

* O tempo que cada usuário brasileiro navega por mês é o mais alto do mundo: quase 45 minutos;

* As classes C, D e E já navega mais do que classes A e B;

* Os sites de email são os mais acessados por usuários de mobile. Em segundo lugar estão os sites de jornais, em terceiro os de busca, em quarto as redes sociais e, em quinto, os de música;

* Entre as redes sociais: Orkut lidera, com 25 milhões de usuários. É seguido pelo Twitter, com picos de 10 milhões, mas em linha descendente, pelo Facebook com quase 8 milhões, Sonico e Ning;

* 24,8 milhões de pessoas acessaram sites de vídeo no mês: 68% dos usuários ativos brasileiros;

* 25 milhões de pessoas acessaram algum site de comércio eletrônico no período.

Agora cabe interpretar esses números. Pena que nas informaçõs sobre essa pesquisa não consta muita coisa sobre metodologia. Isso é essencial para fazer comparativos.

    Estão abertas as inscrições para o Curso “Desenvolvimento de aplicações para TV digital usando Ginga”, oferecido exclusivamente pela ITV Digital (antiga ITV Produções Interativas, que mudou de nome ao integrar o Grupo ABL, no final do ano passado). O curso fornece os conceitos necessários para desenvolver aplicações interativas para TV digital, nas linguagens NCL e LUA, ambas criadas pela PUC-Rio. Serão abordadas as tecnologias envolvidas e que dão suporte à interatividade na TV digital brasileira; as linguagens NCL e LUA, especificadas pela ABNT; as APIs de comunicação NCL-LUA; e a transição para o Ginga-J, quando este estiver disponível. As aulas acontecerão na Faculdade de Educação Superior do Paraná, em Curitiba, nos dias 15 a 17 de março, das 8:30 às 17:00.

    A ITV atua no mercado de TV Digital desde 2005, sendo a primeira empresa do país especializada em desenvolvimento e treinamento para o Ginga. No final de 2009 foi adquirida pelo Grupo ABL, integrando as estratégias de ambas as empresas.

    Mais informações e inscrições em www.itvd.com.br

      Muito interessante este levantamento, feito pela Agência Click, sobre o perfil dos brasileiros nas redes sociais. O tamanho e a participação das comunidades brasileiras impressiona, e tende a aumentar cada vez mais. Com a popularização dos computadores e a oferta mais abrangente do acesso à internet, novos públicos estão descobrindo o Orkut e programas de mensagens instantâneas. A internet está englobando as gerações adultas, que antes tinham dificuldade para encontrar o acesso. Com isso, as redes sociais ganham mais uma aquecida, representando uma nova forma de comunicação e de informação. Os reflexos e consequências serão sentidos a médio prazo. É esperar para ver.

O colunista Daniel Castro traz, em seu blog no R7, uma análise da queda da audiência das telenovelas da TV Globo nos últimos 10 anos. A novela das 8 perdeu quase 20% da audiência, considerando os 120 primeiros capítulos. Já a novela das 7 perdeu mais de 1/3 da audiência, considerando as três primeiras semanas para a comparação.
Alguns trechos do post:

As novelas das sete e das oito da Globo passam pelos seus piores momentos nesta década. Ambas registram as menores audiências dos respectivos horários nos últimos dez anos na Grande São Paulo, principal mercado do país.

A análise do desempenho das novelas das oito ao longo dos últimos anos mostra claramente uma decadência do produto, sem que as principais concorrentes da Globo (SBT e Record) consigam tirar proveito.

O que aconteceu? Uma fuga de telespectadores da TV aberta é a resposta. Nos primeiros 120 episódios de O Clone, o total de televisores ligados era de 70%. Hoje, é de 63%. Na época da trama de Gloria Perez, os chamados outros aparelhos (videogames, videocassetes, DVD players, computadores conectados a televisores) e canais UHF ou de circuitos internos de vídeo somavam 3,4 pontos. Hoje, respondem por 9,6 pontos. Ou seja, atraem quase o triplo de telespectadores.

Esse fenômeno não está restrito às telenovelas. Toda grade de programação da TV Globo está sofrendo os mesmos efeitos, com destaque para o Fantástico e a programação matinal, esta seriamente ameaçada na liderança.

    O caderno Link do Estadão de ontem trouxe uma série de matérias sobre a última temporada do seriado americano Lost, maior fenômeno já registrado sobre o uso de mídias digitais na criação de comunidades de fãs (Fandom, em inglês). O caderno traz detalhes sobre o processo de tradução dos episódios, que são disponibilizados no Brasil poucas horas de irem ao ar no EUA. Essa agilidade exigiu do Canal AXN a redução drástica da janela de exibição, que ficou reduzida a apenas uma semana nesta temporada.

    Além disso, há uma entrevista com os roteiristas da série e uma análise sobre as mudanças culturais fruto da dominação digital que circunda as séries modernas. Lost certamente é um paradigma para as novas séries, tal qual foi Matrix e tal qual está sendo Avatar para o cinema. O mais recente projeto de J.J Abrams, a série Fringe, é tão intrigante e instigante quando Lost, mas ainda não possui todos os seus desdobramentos. Trata-se de algo que deve ser estudado, inclusive como exemplo de uso de ferramentas sociais pelos fãs e de como construir comunidades em torno de um produto midiático. Coisa que a TV brasileira ainda está há anos luz…
    Segue os links das principais matérias do Link:

    ‘Lost in translation’? Sem crise

    O entretenimento do futuro nasce com o fim de ‘Lost’

    Dois homens e um Segredo

Escutei de um fabricante de TV, do qual não vou falar o nome, a seguinte estratégia sobre TV digital: “lançamentos um receptor caro e fajuto para a classe A. Assim que ela estiver atendida, fomentamos a classe B. Quando esta estiver esgotada, iniciamos o processo de convencimento para a classe C, com preços bem mais baixos. Depois vamos para as classes D e E, mas aí já precisa lançar um produto bem melhor para a classe A”.

Luis Fernando Gomes Soares, durante palestra na Campus Party.

Coincidência ou não, na semana passada começaram a surgir explicações públicas sobre o andamento e as ameaças à interatividade no Brasil (uma matéria da Tela Viva e outra da Convergência Digital, ambas apontando problemas com os fabricantes de receptores). O setor de recepção, por sinal, está fazendo campanha constante contra a implementação da interatividade, com desculpas que mudam toda semana. Que ninguém espere posição diferente na próxima reunião do Forum… o buraco é bem mais embaixo.

Ressalte-se que nem todas as empresas se enquadram nessa posição. Uma gingante do setor anunciou o lançamento de produtos com Ginga e foi forçada a mudar de estratégia. Outros fabricantes pequenos tem modelos prontos para o mercado, inclusive com os três perfis (e não mais dois, como chegou a ser publicado) que estão sendo discutidos agora no Fórum.

Foi excelente a palestra da professora Cosette Castro, da UNESP e do IBICT, hoje, na Campus Party. Refletindo sobre as mudanças no mundo da comunicação, a professora foi enfática ao contextualizar historicamente as mudanças e apontar necessidades de atualizações no ensino para dar conta das novas tecnologias, ferramentas, linguagens e estéticas advindas com a convergência de tecnologias.

Seguem os principais pontos e argumentos da palestra:

• Estamos vivendo um processo único de mudanças, saindo de uma comunicação analógica para um digital e convergente. O pensamento acadêmico e as teorias precisam refletir isso.
• Nesse novo mundo, a construção do conhecimento é conjunta, integrada e universal. As barreiras caíram. Hoje estamos em todos os lugares sem sair de casa. Todos os recursos e conhecimentos podem ser visualizado virtualmente. (Essa parte da apresentação me lembrou o livro “O mundo é plano: Uma História Breve do Século XXI ”, onde o autor Thomas Friedman afirma que as distâncias desapareceram com as tecnologias da comunicação e da informação. É possível enxergar uma pessoa do outro lado do mundo na nossa frente, como se o mundo tivesse mudado de forma e ficado plano.)
• Hoje temos uma outra comunicação, baseada em tecnologias como livros eletrônicos, leitores de livros eletrônicos, imagens 3D, realidade virtual. As universidades e escolas de comunicação, em grande parte, ainda não refletem essas mudanças nos seus currículos. Pela primeira vez na história, o conhecimento extrapolou os muros da universidade. Hoje os jovens entendem mais de tecnologia do que os professores, e os cursos de comunicação precisam refletir isso. Não podemos mais ter professores com vergonha de não saber e que entram em conflito com o aluno quando este tem mais respostas. Temos que trazer a comunicação digital, suas tecnologias, plataformas, ferramentas e estéticas para dentro das grades curriculares.
• O principal reflexo dessas mudanças está no nosso comportamento. Ficamos mais públicos. Hoje a audiência quer ser vista e se esforça para ser ouvida.
• A noção de tempo também muda, com tudo acontecendo ao mesmo tempo. Hoje todos se comunicam, mas de forma diferente: as mensagens são mais curtas, mais simples e sem contexto ou referencial histórico. Isso está alterando as linguagens de comunicação de uma forma ainda incompreendida academicamente.
• Apesar dessas mudanças em curso, não podemos nos esquecer que temo muitos excluídos: sociais, que não tem acesso às tecnologias; gerações, que não conseguem entender as tecnologias; de gênero, onde as mulheres adultas cedem o espaço para maridos e filhos usarem a internet; professores e pesquisadores, antiquados que se recusam a buscar novos conhecimentos e tem medo de medo de mostrar que não dominam todos os conteúdos.

Em resumo, foi uma palestra contextualizadora para quem atua tanto na academia, preocupado com a formação profissional adequada, e no mercado, buscando entender a dinâmica da evolução e convergência tecnológicas. A crítica aos atuais educadores foi contundente, e acima de tudo, corajosa. Mostra uma evolução interessante no pensamento acadêmico, acostumado a discutir na área da comunicação temas irrelevantes e sem finalidade nenhuma (para não dizer, sexo do anjos).

Participei de uma mesa interessante hoje de manhã, na Campus Party. Falei sobre inovação na TV digital sob a ótima do telespectador. Marcelo Zuffo falou sobre as experiências com TV 3D, realidade virtual e Ultra High Definition, projetos desenvolvidos na USP e avaliou a implantação da TV digital no Brasil. Para fechar, Marco Antonio Pellegrini, da Secretaria de Estado dos direitos da Pessoa com Deficiência do Governo do Estado de São Paulo, discorreu sobre as necessidades de acessibilidade nas mídias digitais e sobre um projeto recentemente assinado com a USP para o desenvolvimento de um set top box acessível.

Chamou particular atenção o argumento do professor Marcelo Zuffo, avaliando as aplicações interativas que estão no ar em São Paulo: “Essa primeira geração de interatividade demonstra uma grande crise de comunicação que as emissoras de TV estão enfrentando com o público”. A primeira vista, esse raciocínio parece paradoxal, uma vez que a essência da TV é comunicar.

No entanto, se repararmos nas recentes iniciativas de uso de redes sociais e novas ferramentas de comunicação na programação das emissoras, essa crise fica patente. Até pouco tempo, as TVs ditavam tendências e faziam a moda. Hoje, com a convergência tecnológica, as emissoras de TV estão longe do desenvolvimento das novas tecnologias e dos novos serviços de comunicação. Em vez de ditar as tendências, estão correndo contra o tempo perdido, buscando entender comportamentos e anseios da população mais jovem, que simplesmente troca a TV pela internet.

Vale a pena reparar na matéria da Folha de São Paulo de hoje, coluna Outro Canal:

41% dos teens veem TV fora do televisor
O “boom” de celulares, iPods e sites como o YouTube entre crianças e adolescentes impulsiona uma mudança no modo como esse público vê TV: eles consomem mais conteúdo produzido para a televisão, mas ficam menos diante do televisor.
Apesar de o conteúdo de televisão ser o mais consumido dentre as opções de entretenimento (são 4h29 diários, 38 minutos a mais do que em 1999), pela primeira vez na década o tempo diante do televisor caiu: são 25 minutos a menos em dez anos (3h04 em 2009 contra 2h39 em 1999).
Um dos motivos é o fato de os aparelhos portáteis gerarem mais oportunidades para que eles usem diferentes mídias: 20% do consumo total (2h07) acontece em celulares, iPods e vídeo games portáteis.
Os dados são de pesquisa feita pela Kaiser Family Foundation em colaboração com a Universidade Stanford, com 2.000 americanos entre 8 e 18 anos. Segundo o estudo, 59% deles assistem aos programas de TV do jeito “clássico”, ou seja, no televisor no horário em que são transmitidos, e 41% usam também outros aparelhos para ver o conteúdo televisivo.
E, mesmo quando estão diante do televisor, cerca de 47% conversam pela internet e por torpedos de celular sobre a programação ou pesquisam na internet algo relacionado a ela. Crianças e adolescentes passam 7h38 por dia consumindo conteúdo de entretenimento, como música, computador, leitura, video game, DVD e televisão. Mas, como costumam consumir mais de um conteúdo ao mesmo tempo (como ver TV e ouvir música simultaneamente), são expostos a 10h45 de produtos de entretenimento por dia.
Os dados podem adiantar uma tendência de mudanças também no Brasil. “A infância é a faixa que mais consome internet no Brasil, mas é preciso ter em mente que há uma relação direta com o custo dos serviços”, diz Fábio Senne, coordenador de relações acadêmicas da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância).
O resultado reforça a necessidade de se medir audiência por conteúdos e não por TVs.

Resumindo: o mundo está em pleno processo de mudança, mas os executivos das emissoras ainda não conseguiram vislumbrar caminhos que encaixem as TVs nesse novo cenário.

    Fazia tempo que eu não assistia a programação da TV aberta brasileira. Por vários motivos, que englobam desde falta de tempo a critérios qualitativos de programação. Aproveitando o ócio da última semana, entre um livro e outro sobre audiência e o futuro da televisão, fiquei várias horas zapeando entre as grades das TV abertas. Um desapontamento atrás do outro.

    Primeiro, as séries americanas que estão fazendo sucessos no SBT e Record estão muito atrasadas. Enquanto a TV fechada busca ganhar terreno contra a pirataria e download ilegais das séries, diminuindo as janelas de exibição para apenas uma semana em alguns casos, a TV aberta não tem vergonha de reprisar series três ou quatro anos depois de terem ido ao ar na TV fechada. É muito tempo, mesmo considerando a dinâmica do mercado televisivo, que deixa a TV aberta em último lugar na janela de exibição.

    Outra coisa que chamou muito a atenção foi a mudança de foco da TV Record. Antes copiando a Globo, a emissora agora copia o SBT, que está ganhando terreno e ameaçando o segundo lugar no Ibope do canal do Edir Macedo. Ano passado o foco da Record era a telenovela, com produções muito interessantes que beiravam os 20 pontos no Ibope. Essas novelas desapareceram, cedendo lugar para reprises de séries americanas no horário nobre. Essa tática deu certo no SBT, que está em segundo lugar no Ibope do horário nobre capitaneado por Supernatural. Hoje estreia Gossip Girl. Reação da Record? Ao invés de apostar em produções de qualidade e adequadas ao público nacional, estreia no mesmo horário CSI. Todas as séries são excelentes, com ótimas audiências nos EUA. CSI luta pelas maiores audiências com House, Two and a Half Man e outras. Mas colocar essas séries em horário nobre no Brasil me parece ser um tiro no pé a médio e longo prazos. A tendência é do número de TVs desligadas aumentar…

    Aumentar porque nem a TV Globo está conseguindo manter a hegemonia da audiência. Com quedas constantes no Ibope, o famoso padrão Globo de qualidade aparentemente foi aposentado. A única coisa que sobrou do guia desenvolvido na década de 1970 e que serviu de modelo para as demais emissoras foi a grade engessada, com sequências imutáveis na programação. Só isso, porque os horários e as identidades visuais deram lugar ao desespero pela busca de uma audiência que não aceita mais a programação antiquada oferecida. Alguém ainda sabe que horas começa o Jornal Nacional? O BBB? Ou o Jornal da Globo? O que era comum no SBT, que há tempos não mantem grade, está acontecendo na Globo, que diminui ou estica a programação com critérios incompreensíveis para os telespectadores.

    Já a identidade visual desapareceu completamente de algumas atrações. Deu até pena ver o Fantástico de ontem: a cada quadro diferente, outra tipologia, outros formatos de vinheta e outro estilo de apresentação. Há pelo menos quatro programas diferentes dentro do Fantástico. Não há mais uma identidade de revista eletrônica, que encadeia toda programação. Não é por nada que bate consecutivos recordes negativos de audiência.

    Resumindo, não é difícil explicar a queda da audiência da TV aberta. Se somarmos os problemas acima a uma maior oferta de tecnologias de entretenimento fora da TV, podemos ter algumas ideias que justifiquem a apreensão presente em todo mercado audiovisual. A TV está perdendo a majestade, mas para a publicidade um novo reinado ainda está longe. Enquanto isso, as novas tecnologias de comunicação agradecem e ganham espaço.

Acabei de ler o livro Media Audiences: Television, Meaning, and Emotion, de Kristyn Gorton
Kristyn Gorton (U$ 27,50 na Amazon. Ainda não disponível no Brasil). É a primeira obra que mostra como são geradas as emoções nos programas televisivos e como elas impactam na audiência, resultando em engajamento dos telespectadores nos programas.

mediaaudiences - mediaaudiences

Gorton apresenta um estudo original sobre a área específica da pesquisa da audiência e, mais genericamente, sobre os estudos de televisão. Trazendo conceitos da psicologia e psicanálise, a autora discute a construção de marcas na programação, emoção no texto da TV, modelos de recepção da audiência, cultura dos fanclubes, qualidade e estética da programação, reality shows e a relação do individual com o coletivo entre os telespectadores. Tudo sob a ótica da emoção e do afeto oriundos da programação televisiva.
Apesar de ser de uma leitura um pouco difícil, densa do ponto de vista teórico, é um obra recomendada para todos que convivem ou pensam a televisão como produto de entretenimento ou informação. Para quem se interessa sobre as novas teorias da audiência e quais os caminhos que ela está tomando na convergência das tecnologias, Media Audiences é um leitura obrigatória.

Artigo originalmente publicado no Portal Imasters.

Como já visto em textos anteriores, nem sempre é possível antecipar a ação do usuário diante da aplicação. Podem acontecer casos em que os usuários sigam caminhos diferentes ou mesmo executem aplicações diferentes durante um mesmo programa de TV. Neste caso, pode ser necessário saber em que estágio está a aplicação em execução e quais as ações feitas pelo telespectador. Isso é feito com uso de variáveis, que podem ser armazenadas para uso posterior, incluindo testes de estado da aplicação. Também é possível fazer jogos bem sofisticados com esse recurso.

A linguagem NCL, apesar de ser declarativa, chega a níveis de sofisticação e complexidade relativamente altos. O uso de variáveis permite o desenvolvimento de aplicações bastante complexas, com identificação do perfil do usuário, seu local, tipo de dispositivo, e adaptação do conteúdo a essas características. Durante uma programação de TV qualquer, é possível adaptar o conteúdo ao perfil do telespectador, usando apenas programação na linguagem NCL.

Para tanto, vamos usar o elemento nó de mídia x-ginga-settings, regras que definem a apresentação e switches com alternativas para a apresentação. Todos trabalham de forma integrada, sendo usados pelos links através de conectores. A apresentação da aplicação pode ser feita de duas formas: usando um contexto chamado switch ou testando as variáveis a cada uso. Neste exemplo vamos mostrar como usar o switch. Para tanto, vamos dividir o texto em duas partes: hoje apresentaremos os conceitos mais importantes, e no próximo texto discutiremos um exemplo de um comercial que se adapta ao perfil do usuário: homem ou mulher. O teste de variáveis fica para um segundo momento.

Elemento x-ginga-settings

Trata-se de um tipo de nó de mídia utilizado para agrupar variáveis definidas pelo autor do documento ou reservadas pelo sistema. Em ambos os casos, as variáveis podem ser utilizadas nas regras ou testadas. No exemplo abaixo, a primeira variável é de sistema, e define a linguagem configurada. A segunda é definida pelo autor do documento, visando, neste caso, estabelecer uma regra para testar o perfil do usuário.

<media id=”nodeSettings” type=”application/x-ginga-settings”>
<property name=”system.language”/>
<property name=”sexo”/>
</media>

Os valores não reservados são atribuídos através de links usando conectores.

Regras

As regras são definidas dentro do cabeçalho, em uma seção <ruleBase>, tal qual as regiões, descritores e conectores. Cada regra deve possuir um identificador único, uma referência a uma propriedade do objeto settings, um operador de comparação e um valor. Segue um exemplo:

<ruleBase>
<rule comparator=”eq” id=”r1″ value=”mulher” var=”sexo”/>
<rule comparator=”eq” id=”r2″ value=”homem” var=”sexo”/>
</ruleBase>

Os comparadores podem ser:
eq - igual a (equal to)
ne - diferente de (not equal to)
gt - maior que (greater than)
lt - menor que (less than)
gte - maior ou igual a (greater than or equal to)
lte - menor ou igual a (less than or equal to)

No exemplo acima, caso a variável “sexo” seja “homem”, a regra “r2” era verdadeira, executando a mídia correspondente no switch, descrito abaixo.

Além das comparações, é possível combinar regras para atingir um objetivo mais preciso, usando <compositeRule>. Por exemplo, checar o idioma da legenda e a língua da dublagem em que o telespectador está assistindo um determinado filme. Isso pode ser útil para direcionar comerciais, que podem usar o mesmo idioma e a mesma dublagem do filme.

Switch

Trata-se de uma composição contendo nós alternativos, que serão executados de acordo com as regras. Um switch pode conter qualquer tipo de nó: de mídia, de contexto ou mesmo outros switches. Assim, é preciso definir todas as possibilidade de execução dos nós, e relacionar cada uma com uma regra. Se a regra for verdadeira, executa o nó correspondente.
Ou seja, um switch seleciona um conteúdo de acordo com uma regra. Isso é útil para adaptar diferentes conteúdos a perfis de usuário. No entanto, também é possível adaptar o conteúdo para aparecer em diferentes áreas da tela, caso a área original já esteja ocupada com outra aplicação. Por exemplo, se o filme estiver sendo assistido com legenda, o comercial aparece na parte superior da tela. Caso contrário, na parte inferior. Isso é feito através do <descriptorSwitch>.

No próximo texto detalharemos um exemplo onde um anúncio é diferente para cada tipo de audiência.

      Voltando das férias, deparei-me com este excelente estudo do meu amigo Régis Junot, abordando o processo de digitalização da recepção do sinal, do ponto de vista do telespectador, e comparando as diferentes imagens possíveis com essa nova tecnologia. Recomendo a leitura.
      E um ótimo 2010 a todos.

grau26 - grau26

Anthony E. Zuiker, criador da série CSI, resolveu entrar no meio literário de forma ousada e original. Mais do que um livro, seu projeto de estreia converge diversas mídias, misturando literatura, cinema e internet. O romance policial “Grau 26″, que acaba de ser lançado no Brasil pela editora Record, pode ser lido como um livro tradicional. No entanto, à medida que a história avança, abre-se a possibilidade de se aprofundar na trama pelo site www.grau26.com.br.

A página oferece conteúdo digital exclusivo com vídeos, áudios e elementos interativos que complementam a publicação. A cada vinte páginas do livro, o leitor encontrará códigos que permitem conectar-se a uma ciberponte: uma cena de até três minutos, legendada em português, com atores de filmes famosos e séries de TV premiadas.

Dessa forma, os personagens ganham vida e os detalhes das cenas dos crimes explodem na tela, levando a experiência a um novo nível e inserindo os leitores no meio da ação e dentro das mentes de um assassino em série e do homem enviado para caçá-lo.

O site inclui ainda extras das filmagens e uma seção onde é possível ler posts sobre crimes reais, além de links para blogs de detetives e investigadores criminais de verdade.

“Grau 26″, escrito em colaboração com Duane Swierczynski, autor de vários thrillers, apresenta Steve Dark, um agente aposentado do FBI que volta ao trabalho para deter um assassino em série como o mundo nunca viu. Os agentes da lei sabem que assassinos são categorizados em uma escala de 25 graus de perversidade, desde os mais simples oportunistas do Grau 1, aos torturadores metódicos do Grau 25.

Comandado pelo talentoso detetive Dark, um grupo de investigadores de elite segue o rastro de Sqweegel, um assassino responsável por matar, violentar, mutilar, envenenar e torturar brutalmente 35 pessoas em seis países durante 23 anos. O criminoso não se encaixa em nenhum dos 25 graus de psicopatia conhecidos, o que obriga a lei a criar uma nova classificação de crueldade para encaixá-lo, daí o título da obra.
Fonte: Folha Online

Algumas reações de descrédito chegaram a minha caixa de e-mail referente ao post abaixo “Os problemas da TV digital estão no conteúdo e pontos de venda“. Um amigo me disse que eu tinha dado azar com os vendedores, pois era impossível tamanho descaso por parte das lojas. Outra mensagem questionou a responsabilidade das lojas, dizendo que não era função delas educar o consumidor.
Ambos podem estar corretos, uma vez que não usei nenhuma metodologia científica em minhas visitas e muito menos entrei no mérito de como uma loja deve vender seus produtos. No entanto, uma coisa é fato: a maioria das lojas que eu conheço e frequento confunde os consumidores e está dando um tiro no pé quando não sabe anunciar corretamente seus produtos.
As duas fotos abaixo foram tiradas ontem a noite, em um dos maiores supermercados do ABC, que fica na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo. Duas TVs, uma full HD e outra 1344X768, conectadas a um Blu-Ray e um home theater SD, respectivamente, com a imagem totalmente distorcida. Se tivessem simplesmente conectado os cabos e dado play, isso não poderia ter acontecido…

Extra 1 - Extra 1

Extra1 1 - Extra1 1

O filme “X-Men Origins: Wolverine” (2009) é distribuído no formato de tela 16X9, a mesma dessas duas TVs. Ou seja, nada justifica tecnicamente o Letterbox na imagem.

Como esperar que alguém adquiria um conjunto de aparelhos desses com essa referência de qualidade da imagem? Não estamos falando de TV digital, onde o processo é muito mais complexo com alternações entre conteúdos HD e SD, necessidades de antenas externas, conexões específicas muitas vezes não inclusas nos set top boxes…

    Pode soar estranho, mas a pirataria de filmes e séries americanas está fazendo um grande favor ao público brasileiro: a diminuição do tempo das janelas de exibição. Já comentei em algum post passado que as estreias das séries americanas estavam sendo adiantadas em função dos downloads ilegais. Hoje tem série na Warner e Universal que passa no Brasil apenas três semanas depois da exibição nos EUA. Há alguns anos esse tempo era de meses.
    Ontem o canal AXN deu mais uma mostra de ousadia: anunciou a estreia da última temporada de LOST para o dia 9 de fevereiro de 2010, apenas UMA semana depois da série recomeçar nos EUA. Pena que o AXN não é, e não tem previsão de ser, em alta definição. Se fosse, valeria a pena esperar essa uma semana para ver a série em HD. Para curtir as excelentes imagens de LOST, captado em 35 mm, apenas as madrugadas da Globo, que vai mostrar a quinta temporada em HD a partir de janeiro.
      Para quem é meio nerd ou vidrado em tecnologia, a Fapesp disponibilizou em primeira mão o filme De Olho no Céu (Eyes on the Skies), na recém criada seção de vídeos para divulgação científica. O filme é uma produção da União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) e da Agência Espacial Europeia (Esa) feita especialmente para comemorar os 400 anos da invenção do telescópio e o Ano Internacional da Astronomia, celebrado em 2009.

      Uma excelente produção.

    A cruzada da Record contra o Ibope continua. O jornalista Daniel Castro, agora do outro lado da trincheira (trocou o grupo Folha pela Record), traz em seu blog um dado interessante:

    A medição de audiência feita pelo Ibope ignora quase 20 milhões de residências que recebem o sinal das TVs via antena parabólica. O Ministério das Comunicações estima em cerca de 60 milhões os domicílios com televisor no Brasil. Ou seja, em um terço deles a cobertura é feita pelas parabólicas.

    Já comentei várias vezes que do ponto de vista estatístico, a amostragem do Ibope é válida. Mas representa apenas a amostra. Se em São Paulo são 700 pontos de medição, é possível inferir o comportamento da audiência paulista. Jamais expandir para todo Brasil, coisa que as agências fazem costumeiramente para justificar a compra de espaços publicitários, que chegam a custar 380 mil reais por inserção de 30 segundos no horário nobre.

    Não considerar as parabólicas, que ficam com tela preta durante os intervalos comerciais, significa que tem alguém comprando gato por lebre… estava na hora dessa discussão ser trazida para o público.

    Lembrando que o problema do apagão ficou num disse que disse, sem nenhuma conclusão. O Ibope acusa as empresas de telefonia, que negam qualquer problema.

    Enquanto isso, vai ganhando corpo em alguns setores da sociedade e do governo o projeto de um instituto de medição público.

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