As empresas Samsung, Nokia e HXD deram hoje um passo importante na concretização do mercado da interatividade. Até um mês atrás havia apenas uma implementação de Ginga no Mercado. Depois do lançamento da EITV, semana passada, foi a vez das empresas Samsung e Nokia apresentarem suas plataformas de interatividade, rodando aplicações desenvolvidas pela HXD.

A Samsung é a única grande fabricante de televisores que investiu no desenvolvimento de um middleware próprio. As demais empresas adquiriram ou estão adquirindo implementações de outras empresas, como da TOTVs, que embarcou o middleware ByYouTV nas TVs LG, Sony, Philips e Panasonic.

Já a Nokia apostou no Instituto Nokia de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) para criar uma versão do Ginga para os celulares da empresa. A partir do código fonte disponibilizado pela PUC-Rio, a empresa trabalhou no último ano para ser a segunda fabricante de celulares a oferecer interatividade. A primeira foi LG, durante a copa.

Essas duas apresentações têm em comum os aplicativos desenvolvidos pela HXD. Para a Samsung, a empresa desenvolveu um aplicativo sobre Stock Car, em parceria com a TV Globo, que definiu os requisitos e forneceu o design.

Já para a Nokia, a HXD desenvolveu a primeira aplicação comercial, com anunciante, para receptores portáteis. Através do celular é possível baixar aplicações da Caixa Econômica Federal e consultar resultados de loterias.

Seguem algumas fotos mostrando os sistemas em funcionamento.

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OS vídeos podem ser vistos no Youtube: Nokia / Samsung

Completando post abaixo sobre a busca dos cinemas por conteúdos diferenciados, segue matéria da Newsletter da Tela Viva de ontem:

A Cinépolis, empresa que atua no ramo de exibição na América Latina, com forte presença no México, deve começar a exibição de conteúdos alternativos (como musicais gravados e ao vivo ou eventos esportivo) em suas salas no Brasil a partir de 2011. Atualmente, a empresa tem uma sala em Ribeirão Preto (São Paulo) e pretende inaugurar mais seis complexos até o próximo ano, sendo um deles em Belém. Segundo Paulo Pereira, gerente de programação e marketing, a programação de conteúdos alternativos no México, que começou em 2009, tem sido positiva, apesar das dificuldades ainda encontradas, entre elas, a falta de padronização dos modelos de negócio. Em 2009, a programação alternativa nas salas fez público de 43 mil. Até agosto de 2010, o público ultrapassava os 206 mil, o que representa um crescimento de 489%. Vale lembrar que em 2010, as salas exibiram os jogos do México na Copa do Mundo. Da Redaçã

o.

O momento é de reflexão e de espera no mercado da interatividade, acompanhado de muito otimismo. Após os primeiros produtos terem sido lançados, o que foi comemorado por toda cadeia de valor, surgem dúvidas quanto aos modelos de exploração comercial dos novos recursos. Há uma certeza de que o mercado irá se consolidar aos poucos, num processo de desenvolvimento comercial lento e constante, semelhante ao que ocorreu com a internet.

O mercado da interatividade pode ser dividido hoje em duas linhas: emissoras, oferecendo conteúdo para os telespectadores, e empresas de software, oferecendo o middleware Ginga e dando suporte para as emissoras desenvolverem a interatividade. Ambos precisam caminhar juntos. A demanda gerada pelos equipamentos precisa ser atendida com conteúdos adequados. O mesmo é válido para os conteúdos transmitidos pelas emissoras, que precisam ser recebidos corretamente pelos telespectadores.

Nas emissoras de televisão, o momento é de análise dos testes feitos ao longo dos últimos anos e de estudo sobre as melhoras formas de oferecer a interatividade. Esses estudos incluem os modelos de negócio, ou seja, como comercializar as aplicações interativas. Existem muitos modelos, mas ainda nenhum aceito ou com provas de que funciona. “O modelo de negócio para a interatividade não está formatado ainda. Como somos pioneiros, não existe a possibilidade de copiar isso de outro país. Temos que criar e testar um modelo novo”, afirma Frederico Nogueira, vice-presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
Raciocínio semelhante é aplicado por Ricardo Esturaro, diretor de planejamento comercial da TV Globo, aos modelos comerciais da interatividade na TV por assinatura. “Na TV paga a interatividade é um serviço, onde tanto faz se o cara está assistindo o canal A, B ou C, ou interagindo. Ele está usando um serviço oferecido pela operadora. Em TV aberta, de massa, é mais complicado”.

Por isso, a TV Globo trata com muito cuidado o oferecimento de aplicações em larga escala e o consequente modelo de comercialização da interatividade. Ricardo cita como exemplo programas da emissora, como o Big Brother Brasil, que chegou a derrubar os sistemas de telefonia e travar o acesso à internet por causa do alto número de pessoas querendo votar.

Por isso, a responsabilidade é fundamental. “Uma coisa é falar com 100 mil domicílios. Outra é estimular a interatividade em 50 milhões de receptores, usando canal de retorno”, afirma Ricardo, lembrando que se a interatividade der um problema ou travar, “o telespectador não volta mais”.

[…]

Valores
E quanto vai custar a publicidade na interatividade? “Definir valores é um aprendizado. Ainda não temos a resposta”, afirma Roberto Franco. Ele explica que existem várias formas de atribuir valores, como a audiência do portal ou a atenção que o anúncio despertar. “No início da implantação comercial nós vamos nos basear em planos de eventos, em parcerias, onde é preciso negociar, entender o cliente, a ferramenta, para então definir o valor. E com o passar do tempo, essas práticas vão virar padrões, e depois você vai ter um padrão de comercialização único”.

Para Ricardo Esturaro, da Globo, o modelo comercial virá quando a interatividade despertar a audiência e gerar boas experiência de interação. Hoje não existe nem uma coisa, nem outra. “A hora em que a população estiver preparada para receber aplicações, e pronta para experimentar a interatividade, virão os modelos econômicos”, afirma. Raymundo Barros, diretor de engenharia da TV Globo de São Paulo, completa afirmando que atualmente existem aproximadamente 150 mil receptores interativos comercializados, somando celulares, TVs e set top boxes. “Para a escala que opera uma emissora como a Globo, isso é uma absoluta irrelevância. Não é possível desenvolver modelo de negócio em cima desse número”, explica. Ou seja, só depois de criada a escala a emissora pretende pensar em valores.

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Fora das emissoras de televisão esse assunto também está sendo analisado. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, está desenvolvendo projetos integrando o SMS aos serviços já oferecidos pela internet e que serão adaptados para a televisão. Para evitar problemas de privacidade ao acessar as informações, uma vez que a TV é de uso coletivo, a empresa pretende enviar as informações personalizadas para o celular do cliente, em vez de mostrar na tela da TV.

Edson Kikuchi, Gerente de Publicidade e Propaganda, explica que o banco está desenvolvendo um serviço de consulta ao saldo do FGTS, onde o usuário fornece um número de celular durante a identificação. É este celular que vai receber um SMS com o saldo. “Isso mantém o sigilo”, conclui. Recurso semelhante já é oferecido na internet, onde é possível cadastrar um número de celular e receber todo mês informações sobre os depósitos do fundo de garantia.

Comercialização da banda

Com a digitalização da transmissão da TV surgem outros recursos que podem ser explorados comercialmente. Além de vender espaços dentro da aplicação, é possível comercializar parte da taxa de transmissão da interatividade. Na TV digital a emissora define a taxa de transmissão das aplicações através de um mecanismo chamado carrossel. Através deste recurso, as interatividades são transmitidas ciclicamente. É possível, por exemplo, transmitir serviços de comercio eletrônico, acesso a banco, e-mail, loterias, serviços de saúde, como marcação de consulta, cursos e educação à distância, jogos, tudo sem qualquer relação com a interatividade oferecida pela emissora. Ou seja, uma empresa pode comprar uma parte do carrossel e oferecer qualquer tipo de aplicação.

Esse recurso é olhado com cuidado pelas emissoras de TV. Enquanto a TV Globo afirma que dificilmente vai terceirizar parte do carrossel, outras emissoras estudam essa possibilidade. “Nesse momento é preciso estudar tudo. Inclusive terceirizar uma taxa do carrossel. Como não temos certezas sobre o modelo de negócio, não podemos descartar nada. Neste momento vale testar tudo para ver o que fica de pé e o que não fica”, explica Frederico Nogueira, da Band.

No SBT, tudo que for colocado no ar precisa agregar valor à emissora, seja em prestigio, em audiência ou em faturamento. Roberto Franco explica que prestar serviços geralmente é mais vantajoso do que simplesmente vender uma taxa de bits do carrossel. “Se o SBT oferecer um serviço para o usuário, teremos audiência maior e ainda aumentamos o faturamento. Para alugar o carrossel teria que ser muito vantajoso do ponto de vista econômico. Eu só cederia uma taxa do carrossel se isso me remunerasse muito mais do que outro serviço usando a mesma taxa”.

Além disso, Roberto Franco levanta outro problema: ainda não existe legislação sobre o tema. “Tenho dúvidas sobre a legalidade desse negócio. Antes de investir e definir modelos de comercialização, precisamos ver se isso é legal ou não. A regulamentação do serviço não é muito clara”, explica.

[…]

Pioneirismo

A EITV adotou uma estratégia diferente e ousada no lançamento de produtos. Além de ser líder no mercado de equipamentos de geração de interatividade, com mais de 90 emissoras clientes, a empresa lançou uma versão de Ginga-NCL em parceira com a Proview. Hoje há mais de 20 mil unidades vendidas.

Além disso, a empresa deu suporte ao desenvolvimento de aplicações, permitindo que a interatividade pudesse ser executada pela porta USB do set top box. “Os desenvolvedores de aplicativos não tinham acesso a nenhuma ferramentas real de teste, onde eles pudessem ver o trabalho na tela de uma TV. Até então a única possibilidade era usar computadores com emuladores”, afirma Rodrigo.

Durante o congresso da SET, a empresa vai lançar um set top box com Ginga Full, que vai manter o suporte ao desenvolvimento de aplicações. Além de executar aplicações pela porta USB, o novo receptor vai permitir acessar as interatividade através de uma rede local, o que agiliza os testes. “É uma nova oportunidade para emissoras e desenvolvedores testarem aplicativos Ginga Full, com baixo investimento. Também é bom para comparar implementações de middleware”, explica.

Esse pioneirismo da EITV repercutiu também na Argentina, país que adotou o sistema nipo-brasileiro de TV digital, mas sem a linguagem Java para a interatividade. Buscando incentivar o mercado da interatividade no país, o governo argentino está distribuindo set top boxes gratuitamente à população carente. Parte desses receptores possuem a implementação Ginga-NCL da EITV. “Algumas empresas argentinas nos procuraram para fornecer nosso software. Comercializamos 500 mil licenças para dois grupos que ganharam a licitação do governo”, comemora Rodrigo, que ainda espera mais um pedido para os próximos meses.

Confira a íntegra da reportagem na edição de agosto da Revista Produção Profissional, que está circulando no Congresso da SET e Feira Broadcast & Cable.

    A palestra de Luciano Silva, da Cinemark, durante o Congresso anual da SET, mostrou um dado interessante: o cinema está buscando conteúdos em outras mídias, para exibir nas telonas. O foco está nos conteúdos transmitidos ao vivo para as salas. Num primeiro momento, o objetivo é ocupar os momentos ociosos, quando não estão sendo projetados filmes. Mas essa não é a regra: dependendo do caso, há salas que tiram filmes de cartaz para exibir transmissões ao vivo.

    Os exemplos são variados: desde as transmissões em 3D da copa do mundo deste ano, que incluiu o Brasil (foram mais de 700 salas no mundo), até campeonatos de videogame e shows musicais. “O bom da tecnologia digital é que ela está preparada para as salas digitais, o que facilita todo o processo”, explicou Luciano durante a palestra.

    Trata-se de uma volta no tempo. Se lembrarmos que os antigos cinemas dos EUA se chamavam MovieTheaters, graças a exibição de filmes nos intervalos das peças de teatro, estamos presenciando uma retomada de um modelo abandonado há praticamente meio século. É o mercado se resdescobrindo e testando novas (neste caso, nem tanto) formas de remuneração dos espaços.

    Não significa que os filmes estejam perdendo espaço. Muito pelo contrário. A produção e o faturamento dos filmes continua melhorando ano a ano. O que se busca é antever uma provável crise no mercado. Luciano deixou claro na apresentação que a indústria cinematográfica está ameaçada pelas novas tecnologias, tanto de disseminação de vídeos pela internet, quanto pela TV de alta definição. Além dos conteúdos diferenciados, om outro diferencial do mercado para enfrentar essa concorrência está no aumento do tamanho das telas de projeção, para larguras superiores a 100 pés, juntamento com a melhora da qualidade da projeção, com projetores 4K. Ambientes desse tipo diferem ainda mais a experiencia de assistir um filme no cinema ou na TV HD, em casa.

    A palestra de Luciano fez parte do painel Cinema Digital 3D e 4K, coordenado por Alex Pimentel, da Casablanca.

Hoje foi dado um passo importante rumo à convergência da TV com serviços de internet. A TQTVD e a TOTVS apresentaram o Sticker Center, uma loja de aplicativos para TV interativa. Trata-se de um novo recurso que utiliza o middleware Ginga para oferecer qualquer tipo de serviço, que pode ir desde consultas à previsão do tempo, até sistemas de compra on line. É um recurso semelhante aos widgets da internet, porém acessível pelo controle remoto. O lançamento foi feito em um almoço com jornalistas, na sede da TOTVS, em São Paulo.

O modelo de negócios do Sticker Center prevê dois sistemas de oferecimento das aplicações: o primeiro em pareceria com emissoras de TV, que desenvolvem e transmitem as aplicações. O conteúdo da interatividade é definido pelas emissoras, que podem agregar valor à programação, com informações adicionais, ou vender espaço para outras empresas (anunciantes inclusive). A sequência de transmissão e a colocação dos ícones na tela são definidas pela emissora. Além disso, a emissora define também se oferece o recurso de salvar a aplicação no receptor.

David - David
David Britto, diretor de Tecnologia da TOTVS, explicando o sistema.

A segunda opção é se conectar à Sticker Shop pela internet, e baixar aplicativos para a TV. Neste caso, qualquer empresa parceira da rede ByYouTV DevNet (antiga AstroDevNet) pode colocar aplicações na loja. A comercialização é definida a parte, com um acordo entre empresa desenvolvedora e a TQTVD/TOTVS. Os aplicativos podem ser gratuitos ou pagos. Neste caso, a emissora de TV não tem qualquer relação com as aplicações da TV, que vira de fato pessoal e personalizada. É possível, por exemplo, criar perfis ou contas na TV e cada pessoa da casa ter sua própria coleção de Stickers.

Através do Sticker Center é possível visualizar um novo mercado de desenvolvimento de aplicações, onde cada empresa parceira pode oferecer seus serviços independente da emissora de TV. É uma iniciativa muito similar ao mercado de aplicações para celular, onde várias empresas, como a Apple ou a Google, mantêm lojas onde é possível baixar aplicações e personalizar o aparelho.

Com a aquisição da TQTVD pela TOTVS as marcas Astro TV passaram a ser denominadas ByYouTV, dentro do conjunto de tecnologias desenvolvidas pela TOTVS sob o guarda chuva ByYou. Seguem alguma imagens de Stickers já desenvolvidas:

BarraEmissora - BarraEmissora
Barra de Stickers com uma aplicação de emissora.

Barra - Barra
Barra de Stickers provida pela emissora de TV.

walmart - walmart
Sticker do Walmart, que encaminha para compra on line (no sistema atual ainda não é oferecido recurso de compra on line pela TV).

BaixarApp - BaixarApp
Sticker Shop, onde ficam as aplicações que podem ser baixadas. Neste caso, em destaque um jogo.

loja - loja
Sticker Shop.

MyStickers - MyStickers
Seção pessoal com os Stickers instalados.

jogo - jogo
Jogo baixado da Sticker Shop.

tempo - tempo
Sticker sobre tempo, baixado pela internet.

A TV sempre esteve e vai continuar no cerne de qualquer análise sobre meios de comunicação. Seu fim já foi decretado inúmeras vezes, mas nada tão concreto como a ameaça ao modelo de negócios atual, que repercutiu principalmente na Europa e nos EUA. Não se trata de uma questão tecnológica, mas de política pública. Nos EUA menos de 10% da população ainda depende da TV aberta como meio de informação, o que levou o governo americano a implantar políticas públicas buscando o fim desse meio. O corte do sinal analógica, que deixou 3% da população sem TV, foi apenas o primeiro passo.

Na Europa a TV aberta sobrevive graças às emissoras públicas ou estatais. Emissoras privadas são exceção. Há vários países onde mesmo as emissoras públicas priorizam conteúdos comercializados, buscando clientes em plataformas web ou IPTV. Dessa forma, oferecem programas personalizados, voltados a públicos bem segmentados. A britânica BBC continua sendo uma exceção, priorizando a qualidade da informação, independente do meio de acesso. Por falar em Inglaterra, o investimento publicitário naquele país está maior na web do que na TV. Isso é apontado como tendência para toda Europa.

Por que essa mudança de foco do mercado? É simples: o acesso à informação através da TV está deixando de ser tratada como direito fundamental do cidadão graças à internet. A televisão sempre foi considerada essencial para o acesso à informação. Com o acesso universal à internet por banda larga, algo comum na maioria dos países europeus e objetivo do plano nacional de banda larga dos EUA, esse papel da TV passa a ser desempenhado pela internet. Assim, os governos deixam de priorizar os modelos tradicionais de TV aberta, que é cara, usa espectro público, e tem sua eficiência constantemente questionada.

Além disso, a TV por assinatura domina o mercado. Nos EUA 90% da população assina algum provedor de TV paga. Na Europa, há países como Finlândia, Suíça, Suécia, onde esse percentual é ainda maior. A consolidação do IPTV, que barateou consideravelmente os pacotes de TV por assinatura, tende a dar ainda mais força aos serviços de TV paga e sob demanda.

E no Brasil? O que queremos como meio de comunicação e de acesso à informação? O governo federal, através do assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, tem sinalizado pela manutenção do modelo atual de TV aberta, onde o acesso à internet vem agregar, e não substituir, a fonte principal de informação. No setor de TV paga, os altos preços impedem qualquer aumento considerável do mercado.

Resta saber o que o público pensa disso. A chegada da internet ao interior do país e às classes C e D das capitais, está fazendo com que as pessoas assistam menos televisão. Isso ainda tem pouco impacto nos índices de audiência, que são auferidos apenas em algumas capitais. Ainda são poucos os estudos feitos, mas todos mostram que a chegada da internet às zonas rurais faz com que a nova briga seja pelo uso do mouse, e não mais do controle remoto.

São fatos que merecem reflexão. A internet mudará o perfil do telespectador brasileiro? Os modelos de IPTV e broadbandTV europeus conseguirão se consolidar também no Brasil? A TV brasileira seguirá os caminhos do rádio, que ficou relegado a um meio de comunicação de segundo linha, ao contrário do que aconteceu em outros países? Empresas estrangeiras de olho nesse mercado não faltam.

Pessoalmente não acredito que o mercado da TV aberta esteja ameaçado no Brasil. Mas, por outro lado, mudanças nas gestões das emissoras são essenciais para conviver nesse novo cenário. A audiência da TV aberta está caindo, mas a audiência de produtos televisivos, não. E sem o escape da TV por assinatura, que não chega a ¼ da população, não restam muitas alternativas, senão rever alguns pontos do modelo de venda de espaços publicitários e buscar fontes alternativas de receita.

arg - arg

    O professor Luiz Fernando, da PUC-Rio, vem a tempos mostrando sua preocupação em relação ao andamento das implementações de Ginga no mercado brasileiro. A mais recente foi a entrevista para o IDG NOW, onde ele manifesta a preocupação com a falta de competividade e a possível imposição de um padrão de interatividade não aderente à norma brasileira.

    Há três anos tinha pelo menos quatro empresas desenvolvendo o Ginga-NCL. Hoje temos apenas uma empresa oferendo o Ginga completo, com NCL e Java. A partir do momento que não existe concorrência, a norma elaborada pelo Fórum e ABNT perde o significado. Em vez do mercado se adequar a norma, para que todas as aplicações executem de maneira idêntica em todos os receptores, as aplicações precisam se adequar à implementação.

    Como resultado, duas consequências imediatas. Primeira: fazer aplicações não é um processo simples. O que era para ser um mercado amplo, com ferramentas públicas e gratuitas, ficou restrito a pouquíssimas empresas. Não há ferramenta aberta ou gratuita que permita desenvolver e testar aplicações comerciais para o Ginga-J. Mesmo aplicações em NCL, testadas pela PUC-Rio e avalizadas como estando em conformidade com a norma, não são executadas nas versões Ginga Full do mercado.

    Segunda consequência: as aplicações que estão no ar foram desenvolvidas para uma plataforma específica, o que significa que não executam nas outras. Se hoje o telespectador quiser ver todas as interatividade no ar, precisa de pelo menos dois receptores diferentes.

    Nos últimos meses conversei com engenheiros de várias empresas que me garantiram que a versão do Ginga da LG, primeira que entrou no mercado, não segue a norma do ISDB-T em vários aspectos. Isso faz com que aplicações simples, feitas em NCL, não sejam executadas adequadamente.

    A única forma de resolver isso é com uma suíte de testes, que homologue as implementações. Mas essa está distante. O Fórum do SBTVD ainda está criando um grupo de trabalho para cuidar do tema. Os resultados desse grupo de trabalho devem aparecer em alguns meses.

    Outra opção seria comprar uma suíte já desenvolvida, ou transformar a homolagação em serviço. Pelo menos duas empresas manifestaram interesse em oferecer este serviço. O problema, neste caso, é o conflito de interesses, pois uma delas estaria homologando e testando a sua própria implementação.

    Resumindo: problemas a vista.

Todas as residências conectadas com banda larga, redes IPTV oferecendo 120 canais por 20 Euros mensais, conteúdo baixado da internet com a mesma experiência e qualidade da TV em broadcast. O que parece distante aos nossos olhos é realidade em vários países europeus, como a Finlândia, que sediou, em junho, a décima edição do EuroITV, principal evento de TV digital, interatividade e vídeo on line do mundo.

Esse acesso amplo à internet mudou costumes, hábitos e exigências do público, com reflexos diretos no mercado de televisão. A TV analógica faz parte do passado, assim como a interatividade, que, para muitos, foi uma experiência desastrosa. O EuroITV mostrou que a TV aberta e unidirecional pode estar com os dias contados, perdendo espaço para conteúdos personalizados e majoritariamente sob demanda. Pelo menos em países com ampla penetração da banda larga.

As pesquisas em televisão na Europa estão voltadas para a TV on line, também chamada de TV conectada e broadband TV. O foco é a TV social, com recursos de comunicação interpessoal incorporados aos receptores. A interatividade através de software embarcado no receptor (caso do Ginga no Brasil), é tratada como modelo ultrapassado e, com exceção da Inglaterra, como um modelo sem sucesso.

Confira o artigo na íntegra na última edição da Revista Produção Profissional, nas páginas 84 a 90.

Uma rápida zapeada hoje entre os principais canais digitais com interatividade no ar mostra que, pelo menos em quantidade, há muita coisa desenvolvida. Usando o receptor XPS-1000, da Proview, com middleware RCA versão 1.6.71, pode-se sintonizar aplicações do SBT, Record, Gazeta, MTV e NGT (se é que o teste da NGT pode ser chamado de aplicação). A aplicação da Band trava antes de executar e as aplicações da Globo estão inacessíveis porque o receptor não suporta Java. É possível que outras emissoras tenham aplicações no ar, não possíveis de serem sintonizadas na região do meu escritório.

Além do XPS-1000, usei um monitor HD de 23 polegadas da LG, conectado por HDMI, e uma TV de 14 polegadas, tela plana, também da LG, conectada por cabo RCA. Considerando que pouca gente tem monitores de alta definição, é pertinente analisar como ficam as interatividade em monitores CRT, que ainda são, e serão por muito tempo, a maioria. A comparação que segue não entra no mérito da informação oferecida pelas aplicações. Foca na qualidade e experiência de uso.

Seguem as imagens (emissoras em ordem alfabética):

barra - barra
Inicialmente a barra de carregamento, que facilita e informa o estágio de download do carrossel. Ela precisa ser atividade nas configurações do receptor.

BAND

Band erro - Band erro
Mensagem de erro após o carregamento da aplicação. Carregou em 14s.

GAZETA
A aplicação da Gazeta é bem simples, simulando uma enquete sobre a programação. Não aciona o canal de retorno, apenas simula uma resposta. Demorou entre 45s e 60s para carregar.

gazeta icone - gazeta icone
Ícone azul, canto superior esquerdo.

gazeta - gazeta
Estágio um da aplicação.

gazeta1 - gazeta1
Solicitação de confirmação da escolha.

gazeta2 - gazeta2
Resultado simulado da enquete.

Gazeta 14 - Gazeta 14
Visualização da aplicação em TV de 14 polegadas.

GazetaErro - GazetaErro
Na segunda tentativa para abrir a aplicação, a caixinha travou a ponto de ser necessário desligar a mesma da tomada.

GazetaErro1 - GazetaErro1
Na quarta tentativa para abrir a aplicação, apareceu esta tela, com a caixinha travada a ponto de ser necessário desligar da tomada novamente.

MTV
Aplicação sobre o VMB, com informações bem completas. Uma das melhores aplicações que estão no ar do ponto de vista da rapidez de carregamento. Carregou em “apenas” 12s. A navegação também é bem rápida.

MTV icone - MTV icone
Ícone vermelho, no canto superior direito.

MTV - MTV
Tela da aplicação, com vídeo bem redimensionado.

MTV1 - MTV1
A navegação é simples e rápida.

MTV 14 - MTV 14
Visualização em TV de 14 polegadas.

NGT
IconeNGT - IconeNGT
Ícone de interatividade na NGT cinza (canto superior esquerdo), o que não tem nenhuma indicação de que tecla deve ser apertada para acessar a aplicação.

teste ngt - teste ngt
Ao apertar a tecla ENTER (OK) aparece a imagem amarela. E só. Um teste ainda.

SBT
O portal do SBT, com notícias e atrações da programação se mostrou com muitos problemas. Não demora muito para carregar (16s), mas chega a demorar 20s para troca de telas na navegação. Além disso, o vídeo está mal redimensionado.

sbt icone - sbt icone
Ícone praticamente no centro superior da tela, deslocado (deveria ser no canto superior a direita)

sbt0 - sbt0
Portal do SBT, com problemas no redimensionamento do vídeo e disposição da aplicação na tela, que ocupa apenas uma parte.

sbt - sbt
Notícias sobre Brasil.

sbt1 - sbt1
Notícias sobre economia.

sbt demora - sbt demora
Em certos momentos, a navegação é dificultada por causa da demora para carregar as informações.

sbt 14 - sbt 14
Visualização em TV de 14 polegadas

RECORD
A Record está transmitindo a aplicação da Caixa Econômica Federal, focada em loterias. É a aplicação que carrega mais rapidamente. Demorou 9s. A navegação é rápida. Não precisa precionar ENTER (OK) para confirmar a seleção. A informação aparece junto com a seleção do botão de navegação.

record icone - record icone
Ícone vermelho, no canto superior direito.

record - record
Aplicação com foco no resultados das loterias. O vídeo redimensionado fica distorcido.

record1 - record1
Navegação simples e rápida.

record 14 - record 14
Visualização em TV de 14 polegadas.

Resumindo: a maioria das aplicações demora uma eternidade para carregar; todas são focadas em monitores HD e nenhuma tem legibilidade em TV de 14 polegadas; algumas travam a caixinha; outras simplesmente não funcionam. Não é possível saber se os problemas são do set top box ou da aplicação. O fato é que para o telespectador leigo há mais problemas do que atrativos com o que está no ar hoje. A demora do carregamento se deve a opções de desenvolvimento, com imagens muito pesadas ou banda baixa do carrossel. Os problemas de navegação podem ser resultado do baixo processamento do set top box. Mesmo assim, seria interessante fazer imagens mais simples.

Seria interessante refazer este teste com outros receptores, considerando que o Brasil ainda não dispõe de uma suíte de testes para uniformizar as implementações de middleware e testar as aplicações. Em última análise, todas as aplicações deveriam executar de forma igual em todas as caixinhas. Não é o que está acontecendo. É de se compreender que a maioria das emissoras está em ritmo de testes ainda. Porém, há um risco de comprometer a credibilidade da interatividade se problemas de travamento e de execução continuarem frequentes. Também seria interessante informar se a aplicação é comercial (faz parte da grade), ou se é apenas um teste. A clareza nas informações é essencial nestes primeiros passos da interatividade.

Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (foto), já prevenia sobre isso lá atrás, e as pesquisas agora encomendas pelas grandes emissoras deixam em todos a certeza que está no fim a tal da “fidelização” na televisão brasileira. Praticamente não existe mais aquele que só assiste a Globo, ou ao SBT, a Record, Bandeirantes e assim por diante.

O telespectador, de alguns anos para cá, passou a se comportar de maneira diferente, levado pelo controle que tem nas mãos e a existência de outras mídias – incluindo-se também uma oferta muito maior de canais através da TV fechada.

A audiência, que antes se mantinha em números bastante fiéis, hoje, percebe-se, vem se pulverizando de maneira bem significativa.

E esta, com toda certeza, é uma tendência que vai se acentuar nos próximos tempos, o que tem motivado as emissoras mais cautelosas a investir, numa escala que não era habitual a todas, em novos produtos para as suas programações.

Segundo alguns especialistas, esta fidelidade passará a acontecer, cada vez mais, nos programas e, cada vez menos, nas emissoras.

Lamente-se apenas que a grande maioria, em vez de investir na criação, venha se preocupando apenas em comprar pronto.

Fonte: Flávio Ricco, TV Audiência.

    Daniel Castro, em seu blog no R7, traz o resultado de uma pesquisa feita pelo Ibope em março. 5% dos moradores das 11 maiores metrópoles brasileiras já têm acesso à TV de alta definição (HDTV). A pesquisa revela também 67% dos telespectadores conhecem a nova tecnologia, lançada no Brasil no final de 2007. Esse dado mostra o acerto da terceira campanha de divulgação da TV digital, iniciada em março pelo Fórum do SBTVD, mesmo período da realização da pesquisa.

    A pesquisa do Ibope foi realizada entre os dias 18 e 31 de março, antes da Copa do Mundo, que impulsionou a venda de televisores. Pelas estimativas do Fórum do SBTVD, há mais de 7 milhões de receptores HD no mercado, 5 milhões destes vendidos este ano. Se esses números estiverem corretos, quase 12% dos domicílios estão equipados com receptores HD.

    A TV digital ainda está em implantação. Rede com a maior cobertura digital, a Globo tem a tecnologia em 37 de suas 121 emissoras, ou seja, em 30,6% das estações. Mas essas emissoras cobrem mais de 50% da população do país. O Ibope entrevistou mais de 17 mil pessoas com mais de 10 anos em Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre.

Finalmente consegui terminar de ler “A televisão na Era Digital: interatividade, convergência e novos modelos de negócio” (Summus, R$ 63,90), de Newton Cannito. O livro é uma evolução da tese de doutorado defendia pelo autor na Eca/USP. A obra busca dar uma visão ampla sobre a evolução da TV no cenário de convergência tecnológica, onde se insere a TV digital. De forma bastante acessível, o autor aborda teoria da televisão, tecnologias, modelos de conteúdo, de negócio e de formatos, contextualizando o tema diante das outras mídias, como a internet.

Apesar dessa visão apaixonada pela televisão, o autor prevê o final dos intervalos comerciais, com total autonomia do telespectador. Para ele, o atual modelo de negócios, baseada na venda de um percentual de audiência para um anunciante, está com os dias contados. O novo modelo deve ser baseado na maior oferta de conteúdos e na aquisição modular desses conteúdos, sem imposição de grades de programação. O telespectador montará suas próprias grades, e em alguns casos, pagará pelos conteúdos que consumir.

Após essas reflexões e argumentações, o autor traz hipóteses sobre como ele enxerga a TV brasileira daqui para frente, dentro da era digital. Nesse ponto a interatividade ganha papel importante. Para Cannito, a interatividade é muito mais importante do que a alta definição, apesar da falta de modelos sustentáveis e de sucesso. Fazendo um paralelo com o debate surgido nos EUA na década de 1990, ele afirma que o foco na alta definição é um grande equivoco, cometido porque faltou compreender a essência do meio televisão, que, antes de mais nada, é comunicar.

Há muitos conteúdos que não necessitam de alta definição, como programas de auditório, telejornais, programas de variedades. Apenas filmes e evento esportivos demandam qualidade maior da imagem. Já a interatividade pode melhorar toda programação, desde que desenvolvida com modelos que incorporem o telespectador na lógica comunicacional da TV. Ou seja, a interatividade precisa ir muito além de compras ou sinopses de telenovela.

Apesar de ter algumas simplificações e de escorregar em dois ou três conceitos, o livro é uma referência para quem se interessa, estuda e acompanha a TV brasileira. A análise do cenário da digitalização a partir da TV, e não da internet, fornece bons e novos subsídios para quem busca antever o que vai acontecer com a principal fonte de informação e entretenimento do povo brasileiro.

tda - tda

Fonte: coluna Outro Canal - Folha de São Paulo

Está explicada a dificuldade em encontrar televisores digitais nas lojas. Com a Copa, o país vendeu em menos de seis meses mais aparelhos do que esperava comercializar até o final deste ano.
Presidente do Fórum de TV Digital, Frederico Nogueira disse ontem à Folha que desde o início de 2010 já foram comercializados cinco milhões de televisores com conversor digital embutido.
No início do ano, a previsão era de que até dezembro seriam vendidos cinco milhões de unidades de TV digital, incluindo minitelevisores, celulares e outros portáteis. A meta já foi batida e nem foi preciso somar a venda dos portáteis.
O cálculo do início deste ano era do Fórum SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre), que reúne emissoras de televisão, pesquisadores e fabricantes de aparelhos.
Já era uma previsão otimista, visto que de 2007, quando a TV digital começou a ser vendida no país, até o final do ano passado, foram comercializados apenas duas milhões de unidades, incluindo as portáteis e os conversores para aparelhos convencionais.

Esse sucesso também pode ser comprovado pelo sumiço dos set top boxes dos pontos de venda. Faz mais de um ano que os decodificadores estão esgotados, com raras exceções. A Copa certamente tem muito a ver com isso, mas as campanhas de divulgação do Fórum, que finalmente acertaram a mão na comunicação com o público, também têm papel relevante. Somando demanda com boa explicação, o resultado só podia ser esse.

A expectativa agora está voltada para receptores com Ginga, que estão em processo inicial de venda e ainda não conseguem receber e decodificar as aplicações de todas as emissoras. Ainda há um longo caminha pela frente, mas esse tipo de surpresa positiva mostra o acerto no caminho escolhido pelo país.

Na mesma direção da minha interpretação do cenário europeu de TV digital, Guilherme Lopes escreve em seu blog, sobre o EuroITV:

2. A TV Interativa na Europa

Nas primeiras horas de evento a sensação era de que havíamos chegado ao lugar errado. Não se falava em aplicações interativas para TV, era só: Internet, streaming de vídeos, serviços de recomendação, redes sociais… Mas com algumas conversas com os participantes a ficha caiu. Para a Europa a TV Interativa é TV conectada: webtv, broadbandtv, iptv, mobile-tv, etc. O foco era conteúdo em vídeo e a interatividade sobre estes, independente do meio. O modelo de aplicações interativas em TV aberta como estamos acostumado na Brasil é um modelo falido para eles. Em muito se deve ao fato de que a TV aberta por lá não é forte como aqui no Brasil e a banda-larga chega à maior parte da população.

4. O Declínio do MHP (Padrão Europeu de Interatividade)

Nada a respeito foi formalmente apresentado, mas esta era tônica das conversas de corredores que tivemos: O MHP falhou e faz parte do passado. Participantes de várias nacionalidade, inclusive da Alemanha (país que inventou o MHP), comentaram que depois de 8 anos de tentativas a Europa falhou e unificar e fazer funcionar um padrão de aplicações interativas como estamos vendo aqui no Brasil com o Ginga. A principal razão é que os receptores e televisões digitais foram lançados no mercado sem suporte a interatividade. Não houve um apoio forte nem por parte dos fabricantes nem das emissoras. Todos consideram este tipo de interatividade “cara” e complexa e estão se lançando para Web.

5. O Cenário Brasileiro

O padrão brasileiro, Ginga, foi muito elogiado pelos europeus, do ponto de vista técnico e político. Além de possuir capacidades superiores ao MHP, suporta uma linguagem alternativa ao Java, que foi extremamente criticada pelo alto custo de desenvolvimento e exigência de hardware. Além disso, o governo, fabricantes e emissoras estão apoiando-o e já estão saindo aparelhos no mercado com o Ginga embarcado. Apesar dos elogios o ceticismo era evidente, e muitos diziam que o Brasil está na mesma posição da Europa há 8 anos atrás.

Vale a pena ler o post na íntegra.

Nada como mais um chá de aeroporto para colocar as ideias em ordem e organizar algumas reflexões. Fui a Salvador para ministrar uma palestra sobre interatividade e produção de conteúdo na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, em um ciclo de oficinas promovido pelo Lavid/UFPB. Entre escalas e conexões (nunca imaginei que ir a Salvador desse tanto trabalho), consegui organizar alguns pensamentos e conclusões sobre o EuroITV deste ano, que aconteceu semana passada em Tampere, na Finlândia.

De forma bem sucinta, o evento foi bom, até certo ponto surpreendente. O foco das pesquisas em televisão na Europa está na TV on line (TV conectada, broadband TV, como preferirem), baseada em uma realidade onde praticamente 100% da população tem acesso à internet por banda larga. O foco é a TV social, com recursos de comunicação interpessoal incorporados aos receptores. A interatividade através de software embarcado no receptor (caso do Ginga no Brasil) é tratado como modelo ultrapassado e, com exceção da Inglaterra, como modelo sem sucesso.

Conversei com pesquisadores e professores de pelo menos 12 países europeus diferentes, e a análise sobre o MHP foi unânime: foi um bom projeto que não vingou. Apenas Itália ainda tenta emplacar o sistema. Como justificativa, os elevados recursos de STB necessários para rodar aplicações, a instabilidade das implementações e o legado dos receptores sem interatividade. Esses fatores desestimularam o desenvolvimento de conteúdo em larga escala. Além disso, em países como a própria Finlândia, Suécia, Dinamarca e Grécia, onde sequer o mercado de receptores se desenvolveu, as críticas foram direcionadas às empresas alemãs responsáveis pela implementação do MHP. O monopólio e a falta de abertura para incorporar inovações nacionais foram apontados como fator determinante para a não criação do mercado.

São lições que precisam ser analisadas com cuidado no Brasil, para os mesmos problemas não comprometerem o mercado nacional, que similaridades com o desenvolvimento na Europa. Ouvi vários elogios ao NCL e ao fato da interatividade no Brasil ser demanda das emissoras. Pouca gente conhecia o Ginga-J, o que não me permitiu consolidar uma visão sobre o assunto.

O EuroITV é um evento interessante não apenas pela qualidade dos trabalhos e palestras, mas por proporcionar um confronto de ideias entre a visão mais clássica, para não dizer conservadora, sobre a TV, e a empolgação dos pesquisadores sobre as novas tecnologias. Várias palestras giraram em torno do fim da TV como conhecemos hoje, com grade de programação e broadcast. Há vários modelos nesse sentido funcionando bem em países como Finlândia, Suíça, Suécia etc, com tecnologias IPTV, majoritariamente sob demanda. Há serviços IPTV oferecidos nos mesmos moldes da TV por assinatura, mas com grande oferta de conteúdos sob demanda. Apontou-se como tendência a diminuição ou mesmo o fim da TV aberta, com conteúdos sendo pagos por consumo. Vale lembrar que em torno de 75% da TV aberta europeia é pública ou estatal, com modelos de financiamento não comerciais.

Por outro lado, a visão de empresas tradicionais apostando na manutenção do atual modelo de negócios gerou debates interessantes. O dinheiro todo está centrado na TV broadcast, com publicidades bancando as produções. Conversando com as pessoas e vendo as palestras, tive a clara sensação de que a tecnologia está apontando para uma direção, com mais autonomia diante dos conteúdos. Já os modelos de negócio, que em última análise consolidam ou fracassam as iniciativas, estão apontando para a manutenção da TV tradicional, com grade, broadcast e o mínimo de autonomia possível para o telespectador.

Em palavras mais simples, há um crise de modelos. Todos estão vendo que a TV está passando por mudanças, mas poucos conseguem apontar caminhos para novos modelos de remuneração, o que assusta tanto executivos quanto pesquisadores e cientistas. O resultado dessa indefinição são empresas atirando para todos os lagos, com apostas que variam desde sistemas operacionais voltados ao vídeo, até uma mesclagem total da TV com a internet. Ainda não se descobriu o que o telespectador espera de tudo isso. Se alguém tem a resposta, ou ainda não veio a público, ou não foi ouvido.

O Ginga foi oficialmente lançado. E agora? Qual o ponto de partida para colocar programas interativos no ar?

A resposta para as questões acima vem de Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP. “O primeiro passo é pensar em enriquecer o conteúdo, agregar valor”, ensina. Dessa forma, a programação da emissora ganha relevância, com mais informações disponíveis. Para tanto, três itens são fundamentais: conhecimento técnico, planejamento e não atrapalhar a programação.
Do ponto de vista técnico, o primeiro passo é entender como transmitir aplicações. “Primeiro as emissoras têm de se preparar para saber gerar o carrossel de dados das aplicações, bem como a descrição das mesmas pela AIT e o controle pelos stream events DSM-CC”, explica o professor Luiz Fernando Gomes Soares, da Puc-Rio. Ele acrescenta que para aplicações em que há sincronismo da interatividade com o vídeo, também é importante saber gerar o fluxo NPT. “Enfim, o ponto de partida é saber gerar o fluxo TS completo”, enfatiza.

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Por enquanto a interatividade na TV aberta está restrita à cidade de São Paulo, com poucas exceções. Desde 2007 as emissoras fazem testes com programação. Para Roberto Franco, Diretor de Tecnologia e Operações do SBT, os testes feitos até o momento foram muito satisfatórios. “As aplicações têm se mostrado estáveis e flexíveis. Devido ao poder do Ginga, tudo o que imaginamos tem se mostrado passível de implementação”, afirma. Nos testes feitos com usuários o SBT percebeu que de fato é possível agregar valor à experiência de ver televisão.
O mesmo ponto de vista é compartilhado por Raymundo Barros, Diretor de Engenharia da TV Globo. Para ele o lançamento de produtos com Ginga e a publicação das normas sobre interatividade na ABNT geraram confiança para explorar essa nova forma de comunicação. “Nós estamos muito animados com a perspectiva da interatividade tornar-se realidade antes do terceiro ano da implantação da TV digital”, afirma.

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A TV Record é outra emissora que considera a interatividade promissora. Com aplicações sendo testadas desde 2006, a emissora uniu a engenharia com a produção, buscando o melhor modelo de conteúdo para a interatividade. “O que a gente consegue tirar de tudo o que estamos fazendo é uma avaliação bem positiva, tanto com o pessoal interno quanto o pessoal de fora, em eventos, feiras”, explica Fábio Angeli, coordenador do desenvolvimento da interatividade.

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Apesar da discussão ainda centrada no mercado paulista, a presença do sinal digital não é pré-requisito para se pensar em interatividade. O Sistema Catarinense de Comunicação (SCC), afiliado do SBT em Santa Catarina, pretende lançar o sinal digital com interatividade em janeiro do ano que vem. Para tanto, está investindo pesado no desenvolvimento de aplicações e modelos de conteúdo.
“Estamos desenvolvendo uma solução própria, seguindo as diretrizes do SBT nacional, mas onde o desenvolvimento é nosso. Estamos fazendo um robô que vai integrar as informações sobre a programação, atualmente disponíveis na internet, com a interatividade na TV digital”, explica Roberto Dimas Amaral, Diretor de Produto do Grupo SCC.

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Por falar com comunicação, esta é a palavra-chave quando o tema interatividade é discutido com profissionais da Sky. A empresa utiliza a interatividade para reforçar o diálogo com os assinantes, desenvolver e aprimorar programas de relacionamento. “Para nós, a interatividade é um canal de comunicação”, diz Marcelo Torii, Gerente de Interatividade da empresa.

Leia a reportagem completa na edição de número 101 da Revista Produção Profissional, páginas 80-90.

      Acabou o sonho de pessoas comuns e mortais assistirem os jogos da copa em cinemas 3D. Na sexta passada começou a venda de ingressos, apenas para empresas. Os preços variam de R$ 150 e R$ 200 por jogo, dependendo da escolha da sala. As empresas poderão escolher entre o pacote completo (com oito jogos) ou apenas a primeira fase, com os três primeiros jogos do Brasil na competição. Serão cerca de 40 mil ingressos (aproximadamente 5 mil por jogo) divididos entre 20 salas da rede Cinemark no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. As empresas interessadas devem comprar no mínimo 50 pacotes.
      Resta esperar para ver se realmente há público empresarial para essa demanda e a esse preço. Se os ingressos não forem vendidos, há possibilidade de abrir as vendas para pessoas físicas. O problema está no preço, um pouco salgado demais para a realidade brasileira.

Muito interessante este editorial da Revista Linux Magazine. Como usuário do Debian e do Ubuntu, vejo com bons olhos o avanço de um sistema aberto e gratuito, que te dá flexibilidade para decidir o que rodar e o que evitar no computador.

Ganhamos!

10, 8 bilhões de dólares! Esse é o custo atualizado para reescrever o kernel Linux do zero. Há cerca de dez anos, a IBM anunciava um investimento de 1 bilhão de dólares no Linux. Agora, com mais de 18 anos de existência, o Linux se tornou o fundamento da Internet, sendo o sistema operacional mais utilizado em servidores, em computação de alto desempenho e em sistemas embarcados. Está presente em uma série de serviços considerados essenciais hoje em dia, mantendo as operações das bolsas de valores de Nova Yorque, Tokyo, Frankfurt e Londres, da bolsa mercantil de Chicago, da Nasdaq e até da Bovespa, em São Paulo. É o Linux que garante o funcionamento do serviço de controle aéreo dos Estados Unidos e da Alemanha, bem como os sistemas de entretenimento dentro dos aviões da Boeing, da Airbus e da Embraer. Google, Amazon, Facebook, Yahoo, Twitter, MySpace, LinkedIn, são alguns dos principais serviços globais de Internet que ficam online 24 horas por dia graças ao Linux. A venda de celulares equipados com sistemas baseados em Linux, tais como o Android, o webOS, ou outra variante qualquer, já superou a venda de iPhones no mundo, e a próxima geração de smartphones da Nokia virá equipada com o MeeGo, sistema operacional baseado em Linux. Carrefour, Grupo Pão de Açúcar, Extra, Casas Bahia, Ponto Frio, C&A, Lojas Renner, Lojas Pernambucanas, Lojas Marisa, Ri-Happy, Droga Raia, Drogaria Onofre e Brasif Duty Free — entre centenas de outros varejistas — rodam seus servidores e pontos de vendas em sistemas Linux. E quando o último vencedor do Big Brother Brasil foi escolhido, quase 100 milhões de acessos foram contabilizados em apenas 10 minutos nos servidores Linux da Globo.com. Vale lembrar que a Petrobras conseguiu reduzir em um ano a análise de dados de prospecção no Pré-Sal graças aos seus sistemas Linux em cluster. E o Banco do Brasil e a Caixa têm sua infraestrutura de captura de transações inteiramente baseada em Linux.

O Linux é a base de um mercado multibilionário e detém atualmente a posição de dominância enquanto tecnologia. E a mudança
da computação pessoal do PC para os dispositivos móveis deverá sepultar o último bastião em que o Linux ainda não é o sistema dominante.

E Linus Torvalds, seu criador, que poderia ter sido o próximo Bill Gates, nos deu o sistema gratuitamente, para o bem da humanidade. No dia 31/08/2010 ele estará no Brasil, na primeira LinuxCon promovida pela Linux Foundation na América Latina.

Você vai perder?

Rafael Peregrino da Silva
Diretor de Redação

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